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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Almeida Garrett

 Almeida Garret

Almeida Garrett

Nome: João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett

Nascimento: 4-2-1799, Porto

Morte: 9-12-1854, Lisboa

Iniciador do Romantismo, refundador do teatro português, criador do lirismo moderno, criador da prosa moderna, jornalista, político, legislador, Garrett é um exemplo de aliança inseparável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta. É considerado, por muitos autores, como o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu em 1799 no Porto, no seio de uma família burguesa, que se refugia em 1809 na ilha Terceira, a fim de escapar à segunda invasão francesa. Nos Açores, recebe uma educação clássica e iluminista (Voltaire e Rousseau, que lhe ensinam o valor da Liberdade), orientada pelo tio, Frei Alexandre da Conceição, Bispo de Angra, ele próprio escritor. Em 1817, vai estudar Leis para Coimbra, foco de fermentação das ideias liberais. Em 1820, finalista em Coimbra, recebe com entusiasmo e optimismo a notícia da revolução liberal. Em 1821, representa o Catão e publica em Coimbra O Retrato de Vénus, obras marcadas ainda por um estilo arcádico. Arcádicos são igualmente os poemas que escreve durante este período e que serão insertos, em 1829, na Lírica de João Mínimo. Em 1822, é nomeado funcionário do Ministério do Reino, casa com Luísa Midosi e funda o jornal para senhoras O Toucador. Em 1823, com a reacção miguelista da Vila-Francada, é obrigado a exilar-se em Inglaterra, onde inicia o estudo do Romantismo (inglês), e depois em França, onde se torna correspondente de uma filial da casa Lafitte. Contacta então com a literatura romântica (Byron, Lamartine, Vítor Hugo, Schlegel, Walter Scott, Mme de Staël), redescobre Shakespeare e, influenciado pelas recolhas de cancioneiros populares, começa a preparar o Romanceiro. Em 1825 e 1826, publica em Paris os poemas Camões e Dona Branca, primeiras obras portuguesas de cunho romântico, fruto da metamorfose estética em si operada pelas novas leituras. Em 1826, publica também o Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa, como introdução à antologia de poesia portuguesa Parnaso Lusitano. Em 1826, durante um período de tréguas, regressa a Portugal e mostra-se confiante na Carta Constitucional acordada entre D. Pedro e D. Miguel, mais moderada que o programa vintista. Dedica-se ao jornalismo político nos jornais O Português e O Cronista. Em 1828, depois da retoma do poder absoluto por parte de D. Miguel, exila-se novamente em Inglaterra. Em 1829, publica em Londres a Lírica de João Mínimo e o tratado Da Educação. Em 1830, publica o tratado político Portugal na Balança da Europa, onde analisa a história da crise portuguesa e exorta à unidade e à moderação. Em 1832, parte para a ilha Terceira, incorpora-se no exército liberal, e participa no desembarque em Mindelo. Escreve, durante o cerco do Porto, o romance histórico O Arco de Santana e colabora com Mouzinho da Silveira nas reformas administrativas. Em 1834, é nomeado cônsul-geral em Bruxelas, numa espécie de terceiro exílio motivado pelo cada vez maior desencanto em relação à política portuguesa (a divisão dos liberais, a corrida aos cargos públicos), onde contacta com a língua e a literatura alemãs (Herder, Schiller e Goethe). Também exerceu funções diplomáticas em Londres e em Paris. Em 1836, regressa a Lisboa, separa-se de Luísa Midosi e funda o jornal O Português Constitucional. No mesmo ano, após a Revolução de Setembro, é incumbido pelo governo setembrista de Passos Manuel da organização do Teatro Nacional. Nesse âmbito, desenvolverá uma acção notável, dirigindo a Inspecção Geral dos Teatros e o Conservatório de Arte Dramática, intervindo no projecto do futuro Teatro Nacional de D. Maria II e escrevendo ao longo dos anos seguintes todo um repertório dramático nacional: Um Auto de Gil Vicente (1838), Dona Filipa de Vilhena (1840), O Alfageme de Santarém (1842), Frei Luís de Sousa (1843). É por esta altura que inicia um romance com Adelaide Deville, que morrerá em 1841, deixando-lhe uma filha (episódio que inspirará o Frei Luís de Sousa). Em 1838, torna-se deputado da Assembleia Constituinte e membro da comissão de reforma do Código Administrativo. No ano de 1843 publica o 1.º volume do Romanceiro, uma recolha de poesias de tradição popular. Em 1845, lança o livro de poesias líricas Flores sem Fruto e o 1.º volume do romance histórico O Arco de Sant'Ana. Em 1846, sai em volume o "inclassificável" livro das Viagens na Minha Terra, publicado um ano antes em folhetim na Revista Universal Lisbonense. Com este livro, a crítica considera iniciada a prosa moderna em Portugal. Em 1851, depois de um período de distanciamento face à vida política, regressa com a Regeneração, movimento que prometia conciliação e progresso. Nesse ano, funda o jornal A Regeneração, aceita o título de visconde e reassume o seu papel de deputado, colaborando na proposta de revisão da Carta. Em 1852, torna-se, por pouco tempo, ministro dos Negócios Estrangeiros. Em 1853, publica o livro de poesias líricas Folhas Caídas, recebido com algum escândalo: o poeta era, na época, uma figura pública respeitável (deputado, ministro, visconde), que se atrevia a cantar o amor desafiando todas as convenções, e muitos souberam ver na obra ecos da paixão do autor pela viscondessa da Luz, Rosa de Montufar. Em 1854, morre em Lisboa, aos cinquenta e cinco anos.

Em 1999 comemorou-se o Bicentenário do nascimento de Almeida Garrett, com a realização de conferências, publicações das suas obras, espectáculos, actividades escolares, exposições, entre outros eventos.

Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett

Bibliografia: Da imensa bibliografia de Almeida Garrett salientam-se Catão, 1821 (teatro); Camões, 1825 (poema), D. Branca, 1826 (poema), Adozinda, 1828 (poema); Lírica de João Mínimo, 1829 (poesias); Da Educação, 1829 (ensaio); Portugal na Balança da Europa, 1830 (ensaio); Um Auto de Gil Vicente, 1838 (teatro); Dona Filipa de Vilhena, 1840 (teatro); O Alfageme de Santarém, 1842 (teatro); Frei Luís de Sousa, 1843 (teatro); Romanceiro, 3 vols. 1843, 1851 (poesias); Flores sem Fruto, 1845 (poesias); O Arco de Santana, 2 vols., 1845, 1851 (romance); Viagens na Minha Terra, 1845-1846 (novela); Folhas Caídas, 1853 (poesias)

Fonte: In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-02-06]. Infopédia

 

Outros Links:

 

POEMA

Não te amo, quero-te: o amor vem da alma.
           E eu na alma - tenho a calma,
           A calma - do jazigo.
           Ai! Não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
           E a vida - nem sentida
           A trago eu já, comigo.
           Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
           De um querer bruto e fero
           Que o sangue me devora,
           Não chega ao coração.

(Folhas Caídas – 1853 – excertos)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Almeida Faria

 Almeida Faria

Benigno José de Almeida Faria nasceu a 6 de Maio de 1943 em Montemor-o-Novo, filho de Benigno d’Almeida Faria, também daqui natural e de D. Bernardina Leão de Mira, de Arraiolos. O seu avô paterno, Bernardino de Matos Faria, era proveniente de Belver, na Beira Baixa e foi comerciante. Era republicano e agnóstico, como toda a família paterna do escritor.

Quando Almeida Faria nasceu a família tinha residência no Rossio e nessa casa ele viveu os primeiros anos. Entretanto os pais mudaram-se para a rua das Pedras Negras, onde viria a escrever os primeiros romances. Iniciou o ensino secundário no Externato Mestre de Avis, que continuou no liceu de Évora a partir do 6º ano. Aí teve o seu encontro com a literatura contemporânea ao ser aluno do grande escritor Vergílio Ferreira, o qual veio a motivar a sua transferência para Lisboa, no 7º Ano, quando o professor passou a leccionar no liceu Camões.

O meio social em que vivera a adolescência era híbrido de tradicionalismo e de revolução latente. A vila pacata vivia ainda sob o controle apertado dos representantes locais do Estado Novo. A vida cultural era praticamente inexistente. Montemor, como todo o Alentejo, era uma terra fora do tempo, á margem da história. Mas nesse aparente imobilismo sentia-se também desenvolverem-se os gérmenes da revolta dos camponeses explorados.

O seu pai destacou-se na oposição democrática local á ditadura, tendo apoiado as candidaturas de Norton de Matos e de Humberto Delgado á Presidência da República. Tudo isso moldará o carácter e a consciência cívica do jovem Almeida Faria e irá manifestar-se nos seus romances de forma viva e original.

Em 1962, com 19 anos, publicou o primeiro livro, “Rumor Branco”, que Vergílio Ferreira prefaciou e que obteve o Prémio Revelação de Romance da Sociedade Portuguesa de Escritores.

Frequentava nesse tempo a Faculdade de Direito de Lisboa, cujo curso não acabou devido ao seu envolvimento na contestação estudantil. Depois disso veio a concluir a Licenciatura em filosofia na Faculdade de Letras da mesma universidade.

Em 1968 foi para os Estados Unidos como bolseiro do International Writing Program e, no ano seguinte, para a Alemanha Federal.

“A Paixão” e o conjunto dos três romances seguintes (“Cortes”, “Lusitânia” e “Cavaleiro Andante”), a que chamou “Tretalogia Lusitana”, narram o drama de uma família de proprietários agrícolas numa vila imaginária do Alentejo – Montemínimo - dos últimos tempos da ditadura até ao pós- 25 de Abril.

Em 1982 publicou o conto “ Os Passeios do Sonhador Solitário” e em 1990 o romance “o Conquistador”. Em 1998 saiu “Vozes da Paixão” e, em 1999 “A Reviravolta”.

Além de outros prémios, recebeu a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Ministro da Cultura e entregue na Biblioteca de Montemor-o-Novo e, em 2000, o Prémio “Vergílio Ferreira”, atribuído pela Universidade de Évora.

A sua obra tem sido objecto de teses universitárias, estando traduzida em nove línguas.
Almeida Faria é actualmente professor de Estética no curso de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa. Pronunciou inúmeras conferências no país e no estrangeiro.

A atribuição do nome de Almeida Faria à Biblioteca Municipal de Montemor-o-Novo, deve-se ao facto de o escritor ser uma das mais destacadas personalidades nascidas nesta cidade, por o ambiente montemorense e alentejano ter servido de inspiração á sua obra e estar presente nela de forma vincada e pelo carinho que Almeida faria tem dedicado à Biblioteca da sua cidade natal, à qual ofereceu a sua biblioteca particular.

Fonte: cm-montemoronovo

Mais Links:

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Almada-Negreiros

 

Allmadanegreiros1917 

Nome: José Sobral de Almada-Negreiros

Nascimento: 7-4-1893, S. Tomé e Príncipe

Morte: 15-6-1970, Lisboa

Artista e escritor polifacetado, José de Almada-Negreiros nasceu a 7 de Abril de 1893, em S. Tomé e Príncipe, e morreu a 15 de Junho de 1970, em Lisboa.

"Pela sua obra plástica, que o classifica entre os primeiros valores da pintura moderna; pela sua obra literária, que vibra de uma igual e poderosa originalidade; pela sua acção pessoal através de artigos e conferências - Almada-Negreiros, pintor, desenhador, vitralista, poeta, romancista, ensaísta, crítico de arte, conferencista, dramaturgo, foi, pode dizer-se que desde 1910, uma das mais notáveis figuras da cultura portuguesa e uma das que mais decisivamente contribuíram para a criação, prestígio e triunfo de uma mentalidade moderna entre nós". Assim apresenta Jorge de Sena, no primeiro volume das Líricas Portuguesas, o homem que, com Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, mais marcou plástica e literariamente a evolução da cultura contemporânea portuguesa

Órfão desde tenra idade, viajou para Lisboa com sete anos para casa de uma tia materna. Frequentou os estudos primários e liceais em Lisboa, no Colégio Jesuítico de Campolide, Liceu de Coimbra e Escola Nacional de Lisboa. Entre 1919 e 1920, seguiu estudos de pintura em Paris, aí trabalhando como bailarino de cabaré e empregado numa fábrica de velas, redigindo na capital francesa muitos dos textos e grafismos que viriam a ser célebres, como o "auto-retrato". Viveu entre 1927 e 1932 em Espanha, onde realizou várias encomendas para particulares e públicos. Embora já tivesse colaborado com textos e grafismos em algumas publicações, como Portugal Artístico ou Ilustração Portuguesa, e tivesse participado com êxito no 1.º Salão do Grupo dos Humoristas Portugueses, é a sua colaboração no número 1 de Orpheu, em 1915, onde publica o texto ainda incompletamente revelador Frizos (A Cena do Ódio, destinada a Orpheu 3, só viria a ser publicada em Contemporânea), que lhe dará a base de lançamento para uma postura iconoclasta (o Manifesto Anti-Dantas, apresentado no mesmo ano, é modelar neste ataque generalizado a uma intelectualidade convencional, burguesa e passadista), tornando-se um dos principais representantes da vertente vanguardista do movimento modernista. Em 1917, participa no projecto Portugal Futurista, publicando nesse órgão do "Comité Futurista de Lisboa", que co-fundara, no mesmo ano, com Santa-Rita, o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, texto que já tinha sido objecto de performance pública, e os os textos simultaneístas Mima Fatáxa e Saltimbancos. Desenvolve paralelamente uma intensa actividade artística, tendo colaborado, com grafismos e com criação literária, em várias publicações, como Diário de Lisboa, Athena, Presença, Revista Portuguesa, Cadernos de Poesia, Panorama, Atlântico, Seara Nova e tendo fundado outras, como os "Cadernos de Almada-Negreiros", SW, onde, em 1935, no primeiro número, tenta equacionar, com o máximo de clareza, as relações entre civilização e cultura, entre arte e política, entre indivíduo e colectividade, aí vindo também a publicar um dos seus vários textos dramáticos, SOS, que, com Deseja-se Mulher, deveria integrar o projecto, originalmente escrito em castelhano, Tragédia da Unidade. Uma análise da obra de Almada-Negreiros não pode deixar de considerar a complementaridade que nela assumem as várias formas de expressão artística, nem de verificar que, independentemente do suporte escolhido (argumento e coreografia de bailados, exposições, happening, produções publicitárias, cinema, jornais manuscritos, telas, frescos, mosaicos, vitrais, painéis de azulejos, palestras radiofónicas, cenários e figurinos, cartões de tapeçaria, etc.), toda a realização artística de Almada se distingue por certos traços comuns, não necessariamente antitéticos, como a graciosidade e a irreverência, a ingenuidade e a inteligência, o populismo e o esteticismo, a abstracção e o concreto. Na tentativa de encontrar a arte poética subjacente à sua actividade exclusivamente literária, Celina Silva considera que a "performance constitui o universal maior de toda a produção" de Almada-Negreiros: "evidenciando-se no literário através da adopção de uma concepção do verbal que é encarada enquanto acção", essa performance verbal que "tanto é típica da postura vanguardista quanto se revela reinstauração do verbal nos seus primórdios [...] implica um exercício da palavra-acção radicada numa postura geradora de uma ficção do eu", ao mesmo tempo que "A espontaneidade e o cunho comunicativo radicam numa ambição totalizante, eivada de optimismo e euforia, que, pela abrangência de que se reveste, aponta para um projecto de alargada recepção, embora projectado por uma elite" (cf. SILVA, Celina - A Busca de Uma Poética da Ingenuidade ou a (Re)Invenção da Utopia (Reflexão Sistematizante acerca da Produção Literária de José de Almada-Negreiros, Porto, Faculdade de Letras, 1992, pp. XIII, XIV). A "poética da ingenuidade" explanada por Celina Silva, anulando qualquer descontinuidade entre a forma linguística do poema, do drama, do texto de intervenção, e a expressão do ensaio, da teoria poética ou filosófica, encontraria numa "sofistificação da simplicidade" (cf. Sena, Jorge de in Obras Completas de Almada Negreiros, vol. I, Lisboa, INCM, 1985, p. 17) o equilíbrio entre poesia e conhecimento, num autor para quem "A Poesia "conhece" e não "sabe" (Prefácio ao Livro de Qualquer Poeta).



Almada-Negreiros. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-02-05].
Infopédia

Obras

  • 1915 - A Cena do Ódio (poesia)
- A Engomadeira (novela)
- O Sonho da Rosa (bailado, realização)
- Manifesto Anti-Dantas e Por Extenso
  • 1916
- Exposição Amadeo de Souza Cardoso - Liga Naval de Lisboa"
  • 1917
- Ultimatum às Gerações Futuristas Portuguesas do Século XX (conferência, publicada na Portugal Futurista)
- K4, O Quadrado Azul (novela)
  • 1918
- O Jardim da Pierrette (bailado)
  • 1919
- Histoire du Portugal par Coeur
  • 1921
- A Invenção do Corpo (conferência)
- A Invenção do Dia Claro
  • 1924
- Pierrot e Arlequim (teatro)
  • 1925
- Nome de Guerra (romance), só editado em 1938
  • 1926
- A Questão dos Painéis (ensaio)

Fonte: pt.wikipédia

POEMA

A Taça de Chá

O luar desmaiava mais ainda uma máscara caida nas esteiras bordadas. E os bambús ao vento e os crysanthemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com elle a advinharem-lhe o fim. Em róda tombávam-se adormecidos os idolos coloridos e os dragões alados. E a gueisha, procelana transparente como a casca de um ovo da Ibis, enrodilhou-se num labyrinto que nem os dragões dos deuses em dias de lagrymas. E os seus olhos rasgados, perolas de Nankim a desmaiar-se em agua, confundiam-se scintillantes no luzidio das procelanas.

Elle, num gesto ultimo, fechou-lhe os labios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se:--Chorar não é remedio; só te peço que não me atraiçoes emquanto o meu corpo fôr quente. Deitou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ella, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Ceu para Elle, e a saltitar foi pelos jardíns a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ella.

Pela manhã vinham os visinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambús, e todos viram acocorada a gueisha abanando o morto com um leque de marfim.

A estampa do pires é igual.


Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'

Mais Links:

  • Obras de José de Almada Negreiros no Projecto Gutenberg
  • A Cena do Ódio (poema)
  • Manifesto Anti-Dantas e Por Extenso
  • Canção da Saudade (poema)
  • Entrevista no Programa Zip-Zip em 1969
  • Retrato de Fernando Pessoa
  • Auto-retrato com o grupo da Brasileira
  • Auto-retrato
  • Almada Negreiros - Vidas Lusófonas
  • Almada Negreiros - set de imagens no Flickr
  • Almada Negreiros – Citador
  • Almada Negreiros – pt.wikipedia

     

     

  • quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

    Alice Vieira

    Alice Vieira 

    BIOGRAFIA

    Alice Vieira nasceu em Lisboa no ano de 1943.

    Em 1967, concluiu a licenciatura em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa . Em 1958 iniciou a sua colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa, e em 1969 dedicou-se ao jornalismo, trabalhou primeiro no Diário Popular, e logo de seguida, no Diário de Notícias onde coordenou outro suplemento chamado «O Catraio». Alice Vieira colaborou também num programa de televisão chamado «Jornalinho».

    Em 1979, iniciou-se no romance para jovens com Rosa, Minha Irmã Rosa, obra que foi premiada com o Prémio de Literatura Infantil « Ano Internacional da Criança» editado por: Editorial Caminho.

    Actualmente, Alice Vieira dedica-se somente ao trabalho literário, tendo editado em vinte anos de actividade quatro dezenas de livros para crianças e jovens. É também conhecida pelos artigos e crónicas que continua a publicar em jornais e revistas. Constantemente Alice Vieira é convidada para palestras e encontros com os seus jovens leitores, em escolas e bibliotecas.

    Fonte: Site Biblioteca

    Escritores

    Obras

    Literatura infanto-juvenil

    • 1979 - Rosa, Minha Irmã Rosa
    • 1979 - Paulina ao Piano
    • 1980 - Lote 12 - 2º Frente
    • 1982 - Chocolate à Chuva
    • 1981 - A Espada do Rei Afonso
    • 1983 - Este Rei que eu Escolhi
    • 1984 - Graças e Desgraças na Corte de El Rei Tadinho
    • 1985 - Águas de Verão
    • 1986 - Flor de Mel
    • 1987 - Viagem à Roda do meu Nome
    • 1988 - Às Dez a Porta Fecha
    • 1990 - Úrsula, a Maior
    • 1990 - Os Olhos de Ana Marta
    • 1991 - Promontório da Lua
    • 1991 - Leandro, Rei de Helíria (peça escrita a partir de Rei Lear, de Shakespeare)
    • 1995 - Caderno de Agosto
    • 1997 - Se Perguntarem por mim, Digam que Voei
    • .... - Livro com cheiro a baunilha
    • .... - Livro com cheiro a morango
    • .... - Livro com cheiro a chocolate
    •  

    Outros
    • 1986 - De que são Feitos os Sonhos
    • 1988 - As Mãos de Lam Seng
    • 1988 - O que Sabem os Pássaros
    • 1988 - As Árvores que Ninguém Separa
    • 1988 - Um Estranho Baralho de Asas
    • 1988 - O Tempo da Promessa
    • 1990 - Macau: da Lenda à História
    • 1991 - Corre, Corre, Cabacinha
    • 1991 - Um Ladrão debaixo da Cama
    • 1991 - Fita, Pente e Espelho
    • 1991 - A Adivinha do Rei
    • 1992 - Rato do Campo, Rato da Cidade
    • 1992 - Periquinho e Periquinha
    • 1992 - Maria das Silvas
    • 1993 - As Três Fiandeiras
    • 1993 - A Bela Moura
    • 1994 - O Pássaro Verde
    • 1994 - A tua avó é luisa
    • 1994 - O Coelho Branquinho
    • 1994 - Eu Bem Vi Nascer o Sol
    • 1997 - Praias de Portugal
    • 1999 - Um Fio de Fumo nos Confins do Mar
    • 2006 - A Lua não está à venda

    (FONTE: PT.WIKIPEDIA)

    Alice Vieira1

    Obras publicadas na Caminho

     O Filho do Demónio / A Adivinha do Rei
    (1.ª edição, 2007) Com ilustrações a cores de Daniel Silvestre da Silva

     Se Houvesse Limão e O Coelho Branquinho e a Formiga Rabiga
    (1.ª edição, 20082008)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas - Nova Série», n.º 0
    Com ilustrações a cores de Mónica Cid

     Dois Corpos Tombando na Água
    (1.ª edição, 2007)
    «O Campo da Palavra», n.º 156
    Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho 2007

     Rosa, Minha Irmã Rosa
    (19.ª edição, 2006)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 1
    Com ilustrações a preto e branco de Henrique Cayatte

     Lote 12, 2.º Frente
    (15.ª edição, 2006)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 2
    Com ilustrações a preto e branco de Henrique Cayatte

     Chocolate à Chuva
    (15.ª edição, 2007)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 3
    Com ilustrações a preto e branco de Henrique Cayatte

      Espada do Rei Afonso
    (12.ª edição, 2007)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 4
    Com ilustrações a preto e branco de Teresa Dias Coelho

    Este Rei que Eu Escolhi
    «Obras de Alice Vieira», n.º 5
    Com ilustrações a preto e branco de Teresa Dias Coelho

     Graças e Desgraças da Corte de El-Rei Tadinho
    (16.ª edição, 2008)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 6
    Com ilustrações a preto e branco de Teresa Dias Coelho

     Águas de Verão
    (8.ª edição, 2004)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 7
    Com ilustrações a preto e branco de Catarina Rebello

     Flor de Mel
    (8.ª edição, 2004)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 8
    Com ilustrações a preto e branco de Ivone Ralha

     Viagem à Roda do Meu Nome
    (10.ª edição, 2006)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 9
    Com ilustrações a preto e branco de Levina Valentim

     Paulina ao Piano
    «Obras de Alice Vieira», n.º 10
    Com ilustrações a preto e branco de Isabel França Aires

     Às Dez a Porta Fecha
    «Obras de Alice Vieira», n.º 11
    Com ilustrações a preto e branco de Pedro Cavalheiro

     A Lua não Está à Venda
    (9.ª edição, 2006)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 12
    Com ilustrações a preto e branco de Constança Lucas

     Úrsula, a Maior
    (7.ª edição, 2007)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 13
    Com ilustrações a preto e branco de José Ribeiro

     Os Olhos de Ana Marta
    (5.ª edição, 2004)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 14
    Com ilustrações a preto e branco de Cristina Sampaio

     Leandro, Rei da Helíria
    (6.ª edição, 2006)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 15
    Com ilustrações a preto e branco

     Promontório da Lua
    (5.ª edição, 2006)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 16
    Com ilustrações a preto e branco de Helena Caldas

     Caderno de Agosto
    (4.ª edição, 2006)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 17
    Com ilustrações a preto e branco de José Miguel Ribeiro

     Se Perguntarem por Mim Digam que Voei
    (5.ª edição, 2003)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 18
    Com ilustrações a preto e branco de Catarina Fonseca

     Um Fio de Fumo nos Confins do Mar
    (1.ª edição, 1999; 2.ª edição, 2001)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 19

     Trisavó de Pistola à Cinta e outras histórias
    (1.ª edição, 2001; 4.ª edição, 2008)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 20

     Vinte Cinco a Sete Vozes
    (1.ª edição, 1999; 2.ª edição, 2004)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 21
    Com ilustrações a preto e branco de Filipe Abranches

     O Casamento da Minha Mãe
    (1.ª edição, 2005)
    «Obras de Alice Vieira», n.º 22

     Corre, Corre Cabacinha
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 1
    Com ilustrações a cores de José Miguel Ribeiro

     Um Ladrão debaixo da Cama
    (2.ª edição, 2007)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 2
    Com ilustrações a cores de Vasco Colombo

     Fita, Pente e Espelho
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 3
    Com ilustrações a cores de Manuela Bacelar

    A Adivinha do Rei
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 4
    Com ilustrações a cores de Siobhan Dodds

     Rato do Campo e Rato da Cidade
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 5
    Com ilustrações a cores de Henrique Cayatte

     Periquinho e Periquinha
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 6
    Com ilustrações a cores de Carlos Marques

     Maria das Silvas
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 7
    Com ilustrações a cores de Paula Néry

     Desanda, Cacete!
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 8
    Com ilustrações a cores de Carlos Jarnac

     As Três Fiandeiras
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 9
    Com ilustrações a cores de Armanda Duarte

     A Bela Moura
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 10
    Com ilustrações a cores de José Serrão

    O Coelho Branquinho e a Formiga Rabiga
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 11
    Com ilustrações a cores de João Tinoco

     O Pássaro Verde
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 12
    Com ilustrações a cores de Alain Corbel

     Os Anéis do Diabo
    (1.ª edição, 1998)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 13
    Com ilustrações a cores de André Letria

    O Gigante e as Três Irmãs
    (1.ª edição, 1998)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 14
    Com ilustrações a cores de Teresa Lima

     As Moedas de Ouro de Pinto Pintão
    (1.ª edição, 2003; 2.ª edição, 2007)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 15
    Com ilustrações a cores de Raffaello Bergonse

     Manhas e Patranhas, Ovos e Castanhas
    (1.ª edição, 2003)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas», n.º 16
    Com ilustrações a cores de Gémeo Luís

     Eu Bem Vi Nascer o Sol
    (6.ª edição, 2004)
    «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 21
    Com ilustrações a preto e branco de Catarina Fonseca

     Contos e Lendas de Macau
    (1.ª edição, 2002)
    «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 44
    Com ilustrações a cores de Alain Corbel

     2 Histórias de Natal
    (1.ª edição, 2002; 2.ª edição, 2006)
    «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 46
    Com ilustrações a cores de João Caetano

     Rosa, Minha Irmã Rosa (ilustrado)
    (1.ª edição, 2004)
    «Fora de Colecção - Infanto-Juvenil», n.º 50
    Com ilustrações a cores de Evelina Oliveira

     Esta Lisboa
    «Fora de Colecção - Diversos», n.º 36
    Com ilustrações a cores

     Praias de Portugal
    (1.ª edição, 1997)
    «Fora de Colecção - Diversos», n.º 51
    Com ilustrações a cores

    Vinte Cinco a Sete Vozes
    (1.ª edição, 1999)
    «Caminho de Abril», n.º 2

     A Machadinha e a Menina Tonta e o Cordão Dourado
    (1.ª edição, 2006)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas - Nova Série», n.º 1
    Com ilustrações a cores de Bela Silva

     Rato do Campo e Rato da Cidade e João Grão de Milho
    (1.ª edição, 2006)
    «Histórias Tradicionais Portuguesas - Nova Série», n.º 2
    Com ilustrações a Cores de Danuta Wojciechowska

     

    quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

    Alfredo de Mesquita

     

    Alfredo de Mesquita Pimentel (Angra do Heroísmo, 16 de Julho de 1871Paris, 20 de Maio de 1931), mais conhecido por Alfredo de Mesquita, foi um jornalista, escritor, olisipógrafo e diplomata português. Foi redactor do Jornal do Comércio, do Diário de Notícias e da revista O Ocidente. Colaborou, também, nos jornais humorísticos António Maria e Paródia. Publicou uma extensa obra literária, incluindo biografias, ensaios literários, contos, teatro, literatura de viagens e um romance. Pertenceu a Maçonaria, com iniciação

    Biografia

    Começou a sua carreira de jornalista e escritor fundando em 1887, conjuntamente com Joaquim Borges de Menezes, o jornal Os Binóculos, publicação mensal de crítica social que se publicou na cidade de Angra do Heroísmo. Ao tempo era ainda estudante do Liceu de Angra do Heroísmo, estabelecimento onde concluiu o ensino secundário.

    Terminados os estudos em Angra, partiu para Lisboa, onde se matriculou no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, por onde se diplomou.

    Alguns anos depois foi nomeado secretário da Escola Naval, sendo depois transferido para funções na biblioteca daquele estabelecimento de ensino militar. Passou depois para a Biblioteca da Marinha, onde escreveu os primeiros livros.

    Em Lisboa, iniciou a sua carreira de publicista na folha semanal O Crédito. Passou depois a colaborar nos diários Democracia Portuguesa, Nacional, Portugal, Correio Nacional, Jornal do Comércio, Comércio do Porto e Diário de Notícias. Colaborou na revista O Ocidente, sob pseudónimo de João Prudêncio, mostrando talento na crítica literária. Colaborou nos jornais humorísticos António Maria e Paródia. Foi um dos publicistas portugueses que integrou a redacção do Portugal na Guerra, um periódico que se publicou em Paris durante a Primeira Guerra Mundial.

    Foi delegado da Associação de Jornalistas de Lisboa em diversos Congressos de Imprensa realizados em Itália, França, Suíça e Estados Unidos da América.

    Alfredo Mesquita estreou-se como escritor com um estudo sobre Júlio César Machado a que se seguiram inúmeros títulos como Vida Airada (1884), De Cara Alegre, Portugal Moribundo, Lisboa (1903), A Rua do Ouro (1905), Memórias de um Fura-vidas (1905) e Alfacinhas (1910). Foi autor, com Teotónio Simão da Câmara Lima (casado com uma sua tia), do libreto da revista Na Ponta da Unha que foi representada no Teatro da Rua dos Condes. Como escritor revelou o seu espírito humorístico e crítico profundo.

    A partir de 1911, iniciou uma carreira diplomática como cônsul. Prestou serviço em Durban (26 de Maio de 1911), Ourense (15 de Julho a 3 de Outubro de 1911, interino), Melbourne (1 de Novembro de 1911), Constantinopla (Dezembro de 1911 a Dezembro de 1916), Roma (20 de Fevereiro de 1917 a 1918), Nova York (3 de Abril de 1918 a 19191) e Hamburgo (27 de Maio a Dezembro de 1919). De 6 de Dezembro de 1919 a 1922, foi secretário da Legação Portuguesa em Paris. A partir de Março de 1921 prestou serviço na Direcção Geral dos Negócios Comerciais e Consulares em Lisboa, passando à disponibilidade a e 14 de Março de 1922. Fixou então residência em Paris, onde geriu um hotel.

    Na sua carreira diplomática distinguiu-se durante a sua estadia em Constantinopla (hoje Istambul), para onde foi nomeado a 16 de Outubro de 1911 encarregado de negócios e cônsul-geral de Portugal, ocupando o posto em Dezembro desse mesmo ano. Teve naquele posto consular um papel importante na ajuda aos judeus vítimas do conflito que então opunha otomanos a gregos na Segunda Guerra Balcânica.

    Publicou, entre outras monografias, Portugal Moribundo, Memórias de um Fura-Vidas e Lisboa, colecção que a editora lançou sob o título de Portugal Pitoresco e Ilustrado. Escreveu uma biografia de João Chagas e o romance Rua do Ouro.

    Como jornalista, acompanhou a visita régia aos Açores (1901) e a visita régia a França (1906).

    Foi secretário da Associação de Jornalistas e Homens de Letras de Lisboa.

    Alfredo de Mesquita foi, transição do século XIX para o século XX, um observador privilegiado da vida nos Estados Unidos da América, já que sendo diplomata em Nova Iorque, contactou de perto com a realidade social e política daquele país. Publicou as suas experiências norte-americanas no livro-reportagem intitulado A América do Norte (1928), sendo uma das obras portuguesas mais vendidas ao tempo. A obra foi reeditada em 2007.

    Foi agraciado com a Ordem Militar de Cristo e a Legião de Honra (França).

    A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) apoiou recentemente a reedição da obra A América do Norte e, em sua homenagem, atribuiu o nome de Programa Alfredo de Mesquita a um projecto de apoio à formação de jornalistas açorianos.

    Alfredo de Mesquita é lembrado como olisipógrafo na toponímia da cidade de Lisboa.

     

    Alfredo Mesquita

    Obras publicadas

    Colaborou no Almanaque Açoriano e na Revista Angrense. Entre outras, é autor das seguintes obras:

    • Cançoneta de Paris, que foi representada, no teatro angrense, na Cidade de Angra do Heroísmo, pelo actor Santos da Companhia Dramática Afonso Taveira, sendo muito aplaudida.
    • Júlio César Machado. Lisboa : A. Ferin, 1890.
    • Portugal Moribundo. Lisboa : Tip. Machado, 1894.
    • Companheiros de bordo. Lisboa : Tip. Universal, 1900.
    • Vida Airada,
    • De Cara Alegre,
    • Cartas da Holanda. Lisboa : Palhares & Morgado, 1900.
    • A América do Norte. Lisboa : Parceria António Maria Pereira, 1928.
    • Lisboa : Monografia (compilação e estudo por Alfredo Mesquita). Lisboa : Perspectivas & Realidades, 1987 (2.ª edição). Lisboa : Arquimedes Livros, 2006 (3.ª edição - ISBN 978-972-8917-24-1).
    • Alfacinhas. Lisboa: António Maria Pereira, 1910 (1.ª edição). Lisboa : Vega, 1994 (2.ª edição - ISBN 972-699-415-2)
    • Rua do Ouro : romance lisboeta. Lisboa : Livraria Editora Viúva Tavares Cardoso, 1905 (romance).
    • Saudades de João Chagas, Ilustração. - Lisboa. - A. 3, n.º 52 (16 Fev. 1928).
    • Domingo nas hortas. Branco e Negro : semanário illustrado. - Lisboa. - A. 1, vol. 1, n.º 17 (26 Jul. 1896).
    • "Lisboa antes do Terramoto" in Marina Tavares Dia (editora), Histórias de Lisboa : antologia de textos sobre Lisboa. Lisboa : Quimera, 2002.
    • "A Baixa Pombalina" in Marina Tavares Dia (editora), Histórias de Lisboa : antologia de textos sobre Lisboa. Lisboa : Quimera, 2002.
    • Homens de letras. Branco e Negro : semanário illustrado. - Lisboa. - A. 1, vol. 2, nº 42 (17 Jan. 1897).
    • Na Europa fagueira. Lisboa: Livraria J. Olympio, 1942.
    • A única solução. Lisboa : J. Olympio, 1939.
    • Vidas avulsas. . Lisboa : J. Olympio, 1944.
    • Retours. Lisboa : J. Olympio, 1942.
    • Memórias de um fura-vidas. Lisboa : António Maria Pereira, 1905.
    • Relatório dos Delegados da Associação dos Jornalistas de Lisboa ao 8º Congresso Internacional da Imprensa – Berna 1902 (obra conjunta de Alfredo de Mesquita, José Parreira e L. Mendonça e Costa). Lisboa: 1903.
    • O Jarrão da Índia. Angra do Heroísmo : Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1983 (edição e prefácio de Pedro da Silveira).

    Fonte: pt.wikipedia

    terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

    Alfredo Pimenta

     Alfredo Pimenta

    Alfredo Augusto Lopes Pimenta (Guimarães, 3 de Dezembro de 1882 - 15 de Outubro de 1950) foi um historiador, poeta e escritor português.

    Biografia

    Alfredo Pimenta, filho de Manuel José Lopes Pimenta e de Silvina Rosa, nasceu na Casa de Penouços, em São Mamede de Aldão, Guimarães. Em 1890, a viver em Braga com os seus pais, frequenta o Colégio Académico de Guadalupe. Em 1893 regressa a Guimarães e estuda no Colégio de São Nicolau. Em 1910, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi professor no Liceu Passos Manuel em Lisboa, entre 1911 e 1913. A partir deste ano exerceu funções no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Em 22 de Dezembro de 1931 tornou-se director do Arquivo Municipal de Guimarães. Foi sócio fundador do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia, em 1953 e da Academia Portuguesa de História, em 1937.

    Inicialmente militante anarquista, passa para o republicanismo. Depois da instauração da República, adere ao Partido Republicano Evolucionista. Em 1915 surge como colaborador da revista Nação Portuguesa, órgão de filosofia política do Integralismo Lusitano e acaba por se tornar militante monárquico, tornando-se um destacado doutrinador. Esta passagem para o monarquismo deu-se logo após o golpe de 14 de Maio de 1915, que derrubou o governo de Pimenta de Castro, apoiado pelos evolucionistas. Converte-se depois ao catolicismo. Chega a propor uma conciliação entre as teses de Auguste Comte e o neotomismo. Funda a Acção Realista Portuguesa em 1923, rompendo ideologicamente com o Integralismo Lusitano, a que nunca chegara formalmente a pertencer. Virá a assumir-se como salazarista, e elogia o fascismo e o nazismo. Depois da Segunda Guerra Mundial, faz uma denúncia das perseguições aos nazis, insinuando a existência de campos de concentração entre os Aliados. Foi colaborador do A Voz, onde defende a restauração da monarquia mas como uma espécie de coroamento do Estado Novo, contrastando com a época em que escreveu Mentira Monarchica, em 1906.

    Foi um teórico político e historiador reputado, sendo que a sua obra mais perdurável situou-se no campo da história, sobretudo na Idade Média.

    Algumas obras publicadas

    Poesia
    • 1912 - Na Torre da Ilusão
    • 1914 - Alma Ajoelhada

    Ensaios
    • 1906 - Mentira Monarchica
    • 1934 - História de Portugal
    • 1936 - D. João III
    • 1937 - Subsídios Para a História de Portugal
    • 1937-1948 - Estudos Históricos (série de 25 pequenos ensaios)

    Fonte: pt.wikipedia

    segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

    Alfredo Margarido

     

    Nome: Alfredo Augusto Margarido

    Nascimento: 1928, Moimenta, Vinhais

    Ficcionista, poeta e ensaísta, tradutor de Anouilh, Faulkner, James Joyce, Steinbeck, Dylan Thomas, Nietzche, Saint-John Perse, Kafka, entre muitos outros autores, Alfredo Margarido desenvolveu numerosos trabalhos de investigação literária em torno de Pessoa e da literatura africana de expressão portuguesa, tendo ainda colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia, Jornal do Fundão, Jornal de Letras, Persona, ou Colóquio/Letras. Radicado desde 1964 em Paris, onde desenvolveu as actividades de investigador na École des Hautes Études e de docente na Sorbonne, deve-se à convivência com a cultura e literatura francesas a divulgação em Portugal do movimento nouveau roman, teorizado, com Artur Portela Filho, em O Novo Romance (1963) (seguido da tradução, no ano seguinte, dos textos teóricos reunidos por Nathalie Sarraute em A Era da Suspeita) e cujas marcas influirão sobre a sua prática romanesca. Com efeito, verifica-se no conjunto da sua obra ficcional uma tendência para uma "dissolução do acontecimento e do espaço romanesco na memória obsessiva e predominantemente objectual das personagens." (SEIXO, Maria Alzira, Portugal - A Terra e o Homem, 2.ª série, vol. II, p. 197). A poesia de Alfredo Margarido, revelada na época de 50, sugere, em Poemas com Rosas, as influências de Pessoa e de Rilke (cf. MARTINHO, Fernando J. B., p. 228), enquanto o Poema para uma Bailarina Negra, de 1958, composto aquando de uma estada em Luanda, se insere na prática de escrita surrealista, tendo aliás alguns textos do autor sido posteriormente inseridos na Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito organizada por Mário de Cesariny, em 1961.

    Bibliografia:

    No Fundo deste Canal, Lisboa, 1960;

    A Centopeia, Lisboa, 1963;

    As Portas Ausentes: Romance, Lisboa, 1963;

    Poemas com Rosas, s/l, 1953;

    Poemas para uma Bailarina Negra, Porto, 1958;

    Teixeira de Pascoaes, Lisboa, 1961;

    O Novo Romance (com Artur Portela Filho), Lisboa, 1962;

    Negritude e Humanismo, Lisboa, 1964;

    Jean-Paul Sartre, Lisboa, 1965;

    Marânus: uma Linguagem Poética quase Niilista, Lisboa, 1976;

    Alguns Comentários em Torno de Jorge de Sena, Paris, 1978;

    Les Afro-américains et les Africains dans les Poésies de Langue Portugaise: XVIII-XIX, Paris, 1979;

    Estudos sobre Literaturas das Nações Africanas de Expressão Portuguesa, Lisboa, 1980;

    Les Relations Culturelles du Côté du Corps: la Nourriture et le Vêtement, Paris, 1983;

    Quelques Problèmes Posés par la Lecture du Roman Neo-Realiste, Paris, 1984;

    La Vision de L'Autre (Africain et Indien d'Amérique) dans la Renaissance Portugaise, Paris, 1984;

    La Difficile Digestion du Nouveau Roman par la critique Portugaise, Paris, 1984;

    Les Difficultés de la Structuration des Histoires des Littératures des Pays Africains de Langue Officielle Portugaise, Paris, 1985;

    33 + 9 Leituras Plásticas de Fernando Pessoa, Porto, 1988


    Alfredo Margarido. In Infopédia [Em linha].

    Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-01-31].

    Link: Alfredo Margarido – Infopédia

    Outras Ligações:

    domingo, 1 de fevereiro de 2009

    Alfredo Luís Campos

     

     Alfredo Luís Campos (Angra do Heroísmo, 19 de Março de 1856Angra do Heroísmo, 13 de Janeiro de 1931) foi um professor, escritor e jornalista açoriano de renome, que escreveu diversas obras para o teatro e volumosa colaboração em vários jornais, alguns do quais ajudou a fundar. Era professor de português da Escola Industrial e Comercial Madeira Pinto de Angra do Heroísmo. É autor, entre outras obras publicadas, da Memória da visita Régia à Ilha Terceira.

    Biografia

    Era filho natural de Frederico Ferreira Campos, um importante político angrense de origem lisboeta, que entre outras funções, foi presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, e de Maria Carlota Martins. Colocado na roda, apenas foi legitimado em 1859. Foi casado com Carlota Augusta de Sousa Pinto[1].

    Foi o fundador dos jornais O Heroísmo (2. ° do mesmo nome), O Lutador, O Industrial e Ateneu, que redigiu, conjuntamente com Alfredo Pamplona Machado Corte Real, o primeiro; com Casimiro Mourato e João José de Aguiar, o segundo; e com vários jornalistas, o terceiro e o quarto.

    Na ausência do Dr. José da Fonseca Abreu Castelo Branco, quando este foi eleito deputado, ficou, durante duas legislaturas, com a direcção política do jornal Angrense; colaborou nos jornais terceirenses Artista, Voz do Artista, Luís de Camões, União, Gazeta de Notícias, Terceira, Imparcial e Liberal, e no Diário dos Açores, um jornal editado na ilha de São Miguel[2].

    Foi vogal da Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo, tendo na política um dos mais fiéis seguidores de Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara, o 1.º conde da Praia. Fez parte de diversas comissões encarregadas de organizar celebrações cívicas[3].

    Obras publicadas

    Alfredo Luís de Campos é autor de uma vasta obra dramática além de colaboração política dispersa por múltiplos periódicos. A lista que se segue é muito incompleta:

    • Memória da visita Régia à Ilha Terceira, uma crónica da visita de D. Carlos I de Portugal à Terceira em 1901.

    • Fidalgos e Plebeus, comédia-drama em quatro actos, representada por amadores no Teatro Angrense;

    • Cenas da Vida, comédia-drama em quatro actos, representada por amadores e pela actriz Carolina Santos;

    • Alda, a Filha do Sargento, comédia-drama em quatro actos, representada pela companhia do actor Justino Marques;

    • O Segredo de Albertina, comédia ornada de música com versos do jornalista e poeta António Casimiro Mourato;

    • Em Família, comédia em um acto, ornada de música com versos de Azevedo Cabral;

    • Um Quarteto de Amor, comédia em um acto.

    • O Dominó Vermelho, comédia em um acto (estas três últimas produções foram representadas por crianças no Teatro Angrense).

    Referências

    • António Ornelas Mendes e Jorge Forjaz, Genealogias da Ilha Terceira, vol. IV, pp: 433-434. Lisboa: Dislivro Histórica, 2007 (ISBN 978-972-8876-98-2).

    • Memória da Visita Régia, p. 397.

    • Francisco Lourenço Valadão, Evocando figuras terceirenses. Angra do Heroísmo, Tipografia Andrade, 1964 (23-28).

    Bibliografia

    • Alfredo Luís Campos, Memória da Visita Régia à Ilha Terceira. Angra do heroísmo: Imprensa Municipal, 1903.

    • Francisco Lourenço Valadão Júnior, Evocando figuras terceirenses. Angra do Heroísmo, Tipografia Andrade, 1964.

    • Jornal "O Angrense" nº 2981 de 3 de Março de 1904

    Fonte: pt.wkipédia