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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Albino Forjaz de Sampaio

ALBINO SAMPAIO

Albino Maria Pereira Forjaz Sampaio de nasceu em Lisboa no ano de 1884 e faleceu na mesma cidade no ano de 1949.

Esquecido e ignorado hoje em dia, Forjaz de Sampaio, foi autor de um dos livro mais vendidos do século XX - Palavras Cínicas (1905) - que, à morte do autor, tinha já tido 46 edições.

Dele disse Almada Negreiros no seu "Manifesto Anti-Dantas": «E o raquitico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Luta a que o Fialho com imensa piada intrujou de que tinha talento!».

Albino Forjaz de Sampaio começou a sua carreira literária como jornalista no jornal A Lucta sob o patronato de Fialho de Almeida e Brito Camacho. O seu percurso teve duas fases distintas, um pouco como a sua escrita. Se de início a sua escrita aprendeu muito do jornalismo, o falar da rua, do submundo lisboeta, a resposta rápida, numa segunda fase da sua carreira procurou legitimar essas suas características como formas arcaicas, coloquialismos de origem erudita que foi encontrar nas suas investigações sobre o antigo teatro popular. 

A crónica de crítica social que procurava inverter a moral comum da época tornou-o famoso sobretudo pelo escândalo que as suas opiniões originavam. Fazia-o um pouco à maneira de Oscar Wilde mas num país ainda menos preparado para tais agitações. Daí que a sua estreia tenha sido estrondosa (embora as crónicas jornalísticas que já publicara o anunciassem), foi essa estreia com o livro Palavras Cínicas que, no começo do século (1905), deixava os portugueses tudo menos indiferentes: muitos criticaram, outros riram alguns elogiaram, mas muitos admitiram a verdade das opiniões emitidas, da subversão da moral vigente, dos juízos anti-clericais, da crendice popular, da "esperteza" saloia, da clara opinião de que a Vida não vale a pena no mundo em que se vivia.

A partir deste sucesso Forjaz de Sampaio levou a sua crítica social ao ponto de criar uma arte da crítica ou, como o poria Wilde, a crítica pela crítica. Com humor, cinismo e uma ausência completa de consciência social a obra de Forjaz de Sampaio "fez-se" como a de muitos escritores que "ninguém lê" mas cujas edições se esgotam atrás de edições.

O acme deste género de que foi o único cultor foi atingido com Crónicas Imorais (1909) - o exemplo mais conseguido desta sua arte - e continuou com Prosa Vil (1911), Cantáridas e Violetas (1915), Tibério, Filósofo e Moralista (1918), ou O Homem que deu o seu Sangue (1921) entre outros.

O segundo género que desenvolveu, de menor interesse e originalidade de acordo com Oscar Lopes, foi o naturalismo com tendências decadentistas que desenvolveu em volumes de contos e algumas novelas. Tinha este género já alguns percursores como Raúl Brandão e sofria a influência das filosofias de Nietzsche ou Schopenhauer (de quem aliás Forjaz de Sampaio traduziu As Dores do Mundo). É a vertente da obra do autor que menos interesse suscitará senão pelo quadro da miséria em Portugal que descreve com rigor jornalístico. A precisão da descrição interessará muitos olissipógrafos pelos conhecimentos profundos que revela de um submundo lisboeta que mais nenhum escritor da época descrevia em tanto pormenor.

A escrita de Forjaz de Sampaio é um mundo a descobrir. O escritor desenvolveu uma linguagem muito sua inventando inúmeros vocábulos e passando para o papel uma série de coloquialismos originais e que muito ajudavam construção do humor que os seus escritos patenteavam. Como muitos dos escritores seus contemporâneos, Forjaz de Sampaio era um artista da frase, da máxima (em 1922 dava ao prelo Mais Além do Amor e da Morte, um livro de máximas e pensamentos). Toda a sua escrita era constituída por um conjunto de artifícios que visavam o culminar numa máxima / frase central que muitas vezes era igualmente o contrário do argumento que tinha vindoa elaborar.

O seu ensejo de escandalizar levava a algumas inovações no mundo editorial de então, em 1916 Forjaz de Sampaio reuniu-se com o pintor Bento de Mântua no sentido de elaborar a obra O Livro das Cortesãs, tratava-se de uma antologia de poetas portugueses e brasileiros (da poesia trovadoresca até aos poetas contemporâneos) cujos poemas tivessem por tema as prostitutas e a prostituição.

A crítica mordaz, a frase curta e incisiva e o seu "linguajar ofensivo" fizeram de Forjaz de Sampaio um dos escritores mais amados mas também um dos mais odiados da literatura portuguesa. As suas obras são extremamente actuais na crítica que fazem de uma sociedade que perde os seus valores e ideologias. Na maneira como vê o jornalismo sensacionalista e a sua influência sobre as massas. Na forma como via o curso que o panorama cultural português levava. Na crise que anunciava a II Guerra Mundial. Na forma como anunciava a morte da literatura pela morte da leitura... 

Quem hoje ler essas crónicas de Albino Forjaz de Sampaio poderá certamente considerá-lo o Jules Verne da sociedade portuguesa pela forma como as suas predições vieram a realizar-se.

Estes dois géneros foram essencialmente desenvolvidos na primeira fase da sua carreira.

Uma segunda fase da sua carreira começou a verificar-se por volta da década de 20. Se até aí Forjaz de Sampaio tinha sido o menos canónico dos escritores, de um momento para o outro o escritor começa a interessar-se pela história da literatura portuguesa, torna-se um bibliófilo acérrimo. Rapidamente e através do seu conhecimento do submundo lisboeta Forjaz de Sampaio reúne de vários pequenos alfarrabistas um enorme espólio da literatura popular o que resulta na publicação de Teatro de Cordel (1920-1922), ainda hoje um dos melhores estudos de conjunto sobre o teatro português nos séculos XVII, XVIII e inícios do século XIX. Esta publicação editada pela Academia das Ciências de Lisboa mereceu ao autor, até então considerado "vulgar e rasteiro" a condição de Sócio Honorário da mesma Academia.

Com efeito, se bem que já em 1916 no livro Grilhetas juntasse alguns textos sobre escritores e obras literárias (um dos quais um genial ensaio sobre os problemas financeiros de Camilo e a influência que tiveram no percurso literário do escritor, ensaio elaborado a partir de um conjunto de documentação que o Forjaz de Sampaio adquirira por «tuta e meia» de que constava a correspondência de Camilo com os seus editores e a contabilidade destes últimos), é a partir da publicação de Teatro de Cordel que Forjaz de sampaio vê serem-lhe reconhecidos os primeiros méritos por um mundo literário português que até então o desprezara porque o receava.

Neste processo de institucionalização a publicação de sequência de obras de investigação literária e o jornalismo deste mesmo jaez seguem-se a um ritmo alucinante, Homens de Letras (1930), a colecção "Patrícia" dedicada aos maiores vultos da literatura portuguesa publicada a partir de 1924 (sob o patrocínio do Diário de Notícias) e em perto de 30 volumes e a sua monumental História Ilustrada da Literatura Portuguesa em 3 volumes são disso exemplo.

Nos últimos anos da sua vida, Albino Forjaz de Sampaio dedicou-se essencialmente aos estudos de biblioteconomia, à história do livro e da tipografia.

Publicou alguns volumes de cariz eminentemente nacionalista na sequência da política de espírito criada por António Ferro.

Morreu em Lisboa, a sua cidade de eleição, a escrever um artigo para um jornal. Forjaz de Sampaio nunca se afirmou um escritor mas bradou aos quatro ventos que era um "jornalista levado dos diabos". 

Albino Sampaio - Livro

Bibliografia completa:

1902: O sol do Jordão [poesia];

1903: Versos do Reyno [poesia];

1904: Illuminuras [poesia];

1905: Palavras Cínicas [crónicas / cartas];

1909: Crónicas Imorais [crónicas];

1910: Lisboa Trágica [contos];

1911: Prosa Vil [crónicas / ensaios],

Como se implantou a República em Portugal [ensaio];

1914: Gente da Rua [novela];

1915: Cantáridas e Violetas [crónicas];

1916: Grilhetas [crónicas / ensaios],

O Livro das Cortesãs [antologia poética e artística com Bento de Mântua];

1917: Vidas Sombrias [contos];

1918: A Avalanche [obra sobre a II Guerra mundial],

Tibério, Filósofo e Moralista [crónicas / diálogos],

Os Bárbaros I - António Nobre [ensaio bio-bibliográfico];

1919: Jornal de Um Rebelde [crónicas];

1920: Subsídios para a história do teatro português: teatro de cordel - catálogo da colecção do autor [ensaio / bibliografia];

1921: O Homem que Deu o Seu Sangue [contos / crónicas];

1922: Cosmopolia [conto / crónica / ensaio],

Teatro de Cordel [ensaio / bibliografia],

Mais Além do Amor e da Morte [máximas e pensamentos];

1923: Do Amor: evocação da Lisboa seiscentista e de um sermão do Padre António Vieira pregado... em 1645, seguida do mesmo sermão lido pelo grande actor Eduardo Brazão... / por Albino Forjaz de Sampaio, com as palvras previas... D. Thomaz de Mello Breyner;

1924: Alexandre Herculano: a sua vida e a sua obra (col. Patrícia),A Batalha (col. Patrícia / Monumentos),

Camilo Castelo Branco: a sua vida e a sua obra (col. Patrícia) [1924 ou 1925?],

Eça de Queirós: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Eugénio de Castro: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Fialho d'Almeida - a sua vida e obra (Col. Patrícia) [1924 ou 1925?],

Gomes Leal: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia) [Forjaz de Sampaio foi um dos primeiros escritores do século XX a fazer justiça ao génio de Gomes Leal então esquecido do público],

Guerra Junqueiro: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia);

1925: António Nobre: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Bocage: sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Camilo e o centenário,

Gil Vicente: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Júlio Dantas: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Júlio Diniz: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Marcelino Mesquita: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Marqueza d'Alorna: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

As mais lindas quadras populares [antologia],

Os escriptores: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia);

1926: Porque me Orgulho de Ser Português [obra de exaltação nacional],

As cartas de amor de Soror Mariana (Col. Patrícia),

Dom João da Câmara - a sua vida e obra (Col. Patrícia),

Garcia de Resende - a sua vida e obra ( Col. Patrícia),

Henrique Lopes de Mendonça: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Júlio César Machado: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Nicolau Tolentino: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Sá de Miranda - a sua vida e obra (Col. Patrícia);

1927: Augusto Gil - A Sua Vida e Obra (Col. Patrícia),

Fernão Lopes: sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Gonçalves Crespo - a sua vida e obra (Col. Patrícia),O livro: história trágico-marítima (Col. Patrícia),

Manuel Bernardes: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Silva Pinto - a sua vida e obra (Col. Patrícia);

1929: Início da publicação em fascículos da História da literatura portuguesa ilustrada com colaboração de Afonso Lopes Vieira que se vem a concluir em 1942,

Catálogo de livros... que constituem boa parte do recheio da biblioteca de Delfim Guimaräes... [que] será vendida em leiläo... (org. e pref.);

1930: Homens de Letras [ensaios bio-bibliográficos / crónicas / entrevistas];

1931: Abel Botelho: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Guilherme de Azevedo: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

João de Deus: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

António Feijó: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Poetisas de hoje (Col. Patrícia),

André Brun: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia),

Tomás Ribeiro: a sua vida e a sua obra (Col. Patrícia);

1932: A Tipografia Portuguesa no Século XVI [estudo],

As Melhores Páginas da Poesia Portuguesa (Antologia),

Poeira do Caminho - Páginas Escolhidas (vinte e sete anos de vida literária) (com um prefácio do Dr. Ricardo Jorge);

1933: As melhores páginas do teatro português: de Gil Vicente a nossas dias [antologia];

1935: Cartilha de Portugueses [obra de exaltação nacional],

As melhores páginas da literatura femenina: prosa [antologia],

As melhores páginas da literatura femenina: poesia [antologia],

Carlos Reis: pintura portuguesa (Col. Patrícia),D. Cristovão da Gama (Col. Pelo Império);

1936: Salvador Correia de Sá e Benevides: o restaurador de Angola (Col. Pelo Império),

Pero da Covilhä (Col. Pelo Império);

1938: No Porão da Vida [crónicas],

Como devo formar a minha biblioteca: ensaio [até há bem pouco tempo este ensaio sobre bibliotecas e organização bibliográfica era recomendado em cursos de arquivo e bibliotecas];

1939: Volúpia: a nona arte: a gastronomia [ensaio / crónicas];

1941: Osvaldo Orico - A sua vida e obra (Col. Patrícia);

1943: O que todo o português deve saber de Portugal [obra de exaltação nacional];

Sem data: Schopenhauer [ensaio bio-bibliográfico].

O autor prefaciou obras de:

Ladislau batalha; Baudelaire; Guilherme Braga; D. João da Câmara; Camilo Castelo Branco; Júlio Dinis; José Duro; António Ferreira; Agostinho Fortes; João Penha ou ainda Delfim Guimarães.

Obras relacionadas:

Catálogo da importante e valiosa biblioteca do ilustre escritor Albino Forjaz de Sampaio (1945);

Coelho, João [este autor era, na época, um dos mais importantes e lidos escritores brasileiros], Veneno?: resposta às palavras cínicas de Albino Forjaz de Sampaio (1917);

Freire "Mário", João Paulo, Albino Forjaz de Sampaio, escôrço bio-bibliográfico (s.d.)

Nótula de Hugo Renato Freitas Xavier

Outros Links:

domingo, 18 de janeiro de 2009

Fernanda Seno

 

Fernanda Seno Cardeira Alves Valente (Canha, 23 de fevereiro de 1942 — Lisboa, 19 de maio de 1996) foi uma poetisa, escritora, jornalista e professora portuguesa.

Fernanda Seno concluiu o ensino secundário em Évora e licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Abraçou a carreira do ensino com estações em escolas de Almada, Reguengos de Monsaraz e Évora.

Como jornalista Fernanda Seno foi colaboradora da imprensa regional e local, contribuindo para os jornais "Mouranense", "Palavra", e "A Defesa". Foi chefe de redação no "Jornal de S. Brás" e redatora principal do Boletim "Igreja Eborense". Colaborou ainda - entre outros - na revista "Ao Largo" (Lisboa).

Em 1998, a Rua Fernanda Seno em Évora foi atribuída ao nome de Fernanda Seno.

Obras

  • As Palavras Às Vezes (1984)
  • Trilho de Pó (1991)
  • Cântico Vertical (1992)
  • Na Fronteira da Luz (1997 - póstumo)

Fonte: pt.wikipédia

sábado, 17 de janeiro de 2009

Alberto de Sousa Costa

 

Alberto de Sousa Costa (Vila Pouca de Aguiar, 10 de Maio de 1879 - 11 de Janeiro de 1961) foi um escritor português.

Biografia

Alberto de Sousa Costa era bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra. Em 1911 criou a Tutoria da Infância organismo do Ministério da Justiça que visava julgar todos os processos, cíveis e criminais, relativos aos menores. Junto das Tutorias funcionavam os Refúgios da Tutoria, que asseguravam o acolhimento temporário dos menores com vista à observação das situações que os envolviam. Exerceu o cargo de secretário da Tutoria Central da Infância de Lisboa e, posteriormente, do Tribunal do Comércio.

Na sua carreira literária, dedicou-se ao conto, à novela, ao romance, ao teatro, à crónica, à literatura de viagens e ao ensaio, tendo sido um excelente camilianista. Foi um ficcionista de reconstituição histórica e de pitoresco regional. Os seus cenários preferidos retratavam a burguesia coimbrã e os rurais da região do Douro.

Obras publicadas

Contos e novelas
  • 1907 - Excêntricos
  • 1927 - Canto do Cisne
  • 1931 - Como se Faz um Ladrão

Romances
  • 1914 - Ressurreição dos Mortos
  • 1917 - A Pecadora
  • 1936 - Miss Século XX

Crónicas
  • 1925 - Milagres de Portugal
  • 1936 - Mapa Falado de Portugal

Evocações históricas
  • 1919-30 - Páginas de Sangue (em dois volumes)

Obras teatrais
  • 1921 - Frei Satanás
  • 1923 - A Marquesinha

Ensaio
  • 1959 - Camilo no Drama da Sua Vida

Fonte: pt.wikipédia

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Alberto de Serpa

          AlbertodeSerpa Alberto de Serpa nasceu no Porto, a 12 de Dezembro de 1906. Foi um poeta português. Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra, onde não concluíu qualquer curso, após regressar ao Porto foi empregado de comércio e de escritório e tornou-se posteriormente um professional de seguros.  Em  1936 esteve preso por motivos políticose mais tarde integrou-se no movimento Presença. Fundou, com Vitorino Nemésio, a Revista de Portugal. Colaborou em várias revistas e jornais brasileiros e portugueses. Publicou com José Régio, as  antologias, Poesia de Amor e Na Mão de Deus. Faleceu a 8 de Outubro de 1992.

                          • Obras publicadas
                          • Ensaios
                          • 1948 - Vida, Poesias e Males de António Nobre
                          • 1952 - Poetas... Poetas...
                          • Novela
                          • 1923 - Saudades do Mar
                          •  Poesia
                          • 1924 – Quadros
                          • 1924 – Evoé
                          • 1934 – Varanda
                          • 1934 – Descrição
                          • 1935 - Vinte Poemas da Noite
                          • 1940 - A Vida É o Dia de Hoje
                          • 1940 - Lisboa é Longe
                          • 1940 - Drama, Poemas de Paz e da Guerra
                          • 1943 – Fonte
                          • 1944 – Poesia
                          • 1945 – Nocturnos
                          • 1948 – Rua
                          • 1952 – Pregão
                          • 1952 - Vê Se Vês Terras de Espanha
                          • 1958 - Os Versos Secretos

                     

                    POEMA:

                    A UM JOVEM CAMARADA

                    Meu Camarada moço,
                    - Lidos os teus poemas,
                    Apenas posso
                    Dizer-te que não temas
                    Dar-lhes o fogo, a morte, o esquecimento.
                    Se queres a Poesia, vai para ela
                    Puro, desnudo, de ímpeto violento,
                    Como para a mulher
                    Em que parou teu sonho, - se és o seu.
                    Vai, como ela te quer.
                    Mas se outra chama inflama o teu amor,
                    Se outro sonho tão belo te rendeu,
                    Tem coragem nobre de depor
                    Os versos que não são teu instrumento.
                    Toma outras armas mais condizentes.
                    Não, a Poesia não a violentes!
                    Deixa os versos ao vento…

                    Mais poemas em:

                    quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

                    Alberto Sampaio

                    Alberto_Sampaio1  (Guimarães, 15 de Novembro de 1841 - Quinta de Boamense, São Cristóvão de Cabeçudos, Vila Nova de Famalicão, 1 de Dezembro de 1908

                    O historiador Alberto Sampaio nasceu em Guimarães, a 15 de Novembro de 1841. A infância passou-a entre Guimarães e Famalicão, onde a sua família possuía a Quinta de Boamense, na freguesia de Cabeçudos. Aprendeu as primeiras letras em Landim e completou em Braga os estudos que lhe permitiram partir para Coimbra, ainda com 15 anos. Em 1863, formou-se em Direito. Ao longo de meia década em Coimbra, participou activamente na vida académica, colaborando em jornais e convivendo com alguns dos jovens mais notáveis da sua geração, como Antero de Quental, com quem iniciaria uma amizade que se prolongaria pela vida fora. Envolveu-se activamente num movimento que deixou marcas profundas no imaginário académico coimbrão, a Sociedade do Raio, que se bateu pela renovação da Universidade.

                    De Coimbra, mudou-se para Lisboa, onde ensaiou o exercício da advocacia. Por pouco tempo. Não tardaria muito, estava de volta à sua terra natal, onde, apesar da sua personalidade avessa à exposição pública, manteve uma intervenção cívica constante.

                    Em 1869, integrou a filial de Guimarães da Associação Arqueológica de Lisboa. Em 1873, fez parte do núcleo dos fundadores da Companhia dos Banhos de Vizela, subscrevendo, no ano seguinte, o contrato para o aproveitamento das nascentes das águas medicinais de Vizela e para a construção de estabelecimento de banhos. Entre 1874 e 1876, esteve ligado ao Banco de Guimarães, onde exerceu funções de guarda-livros. Em Março de 1881, integrou a comissão que a Câmara de Guimarães incumbiu da missão de avaliar as vantagens da introdução no concelho de vides americanas resistentes à filoxera, como forma de prevenção daquela praga das vinhas. A agricultura e a vitivinicultura, em particular, incluíam-se entre as suas paixões, sendo famosos os vinhos que produzia na Quinta de Boamense. Em 1883, integrou a comissão a quem a Câmara encarregou de seleccionar os produtos que seriam levados à exposição Agrícola de Lisboa, que se realizou em Maio desse ano.

                    Por essa altura, já tinha ajudado a fundar a Sociedade Martins Sarmento, à qual o seu nome ficaria para sempre ligado. Foi proclamado sócio honorário desta Instituição em 1891.

                    Alberto Sampaio foi a alma mater da grande Exposição Industrial de Guimarães de 1884, promovida pela Sociedade Martins Sarmento. Enquanto decorria aquele certame, teve a sua primeira experiência de participação política activa, ao apresentar-se como candidato a deputado pelo círculo de Guimarães. Receberia pouco mais de 3% dos votos naquela que foi a primeira eleição de João Franco como deputado pelo círculo de Guimarães. Não repetiu a experiência, apesar de, em 1887, ter colaborado com Oliveira Martins no Projecto de Lei de Fomento Rural. O único cargo público que desempenhou ao longo da sua vida foi o de procurador à Junta Geral do Distrito de Braga, em representação de Guimarães.

                    Entretanto, afirmou-se progressivamente como pioneiro da história económica e social, dando início aos estudos de história agrária em Portugal, com a publicação na Revista de Guimarães, em 1885, do primeiro artigo da série A propriedade e a cultura do Minho, a que daria continuidade com a sua obra mais conhecida, As vilas do Norte de Portugal. Com os textos sobre o Norte marítimo e As póvoas marítimas, Alberto Sampaio deu também um forte impulso inicial aos estudos sobre a problemática do desenvolvimento marítimo.

                     

                    A casa de Boamense, em Cabeçudos, Vila Nova de Famalicão

                    No princípio de 1900, na sequência da morte do seu irmão José, que se seguiu em poucos meses à de Martins Sarmento, Alberto Sampaio muda-se definitivamente para Boamense, onde se dedica à agricultura e, de modo cada vez mais intermitente, aos estudos históricos. Aí viria a falecer aos 67 anos, no primeiro dia de Dezembro de 1908.

                    Após a sua morte, a obra de Alberto Sampaio não caiu no esquecimento. Um dos primeiros actos da República em Guimarães consagrou o reconhecimento da obra deste cidadão ilustre, atribuindo o seu nome a uma das avenidas mais emblemáticas da cidade. Em 1923, Luís de Magalhães publicou o essencial da sua obra científica, na colectânea Estudos Históricos e Económicos. Em 1928, foi criado o Museu de Alberto Sampaio. Em 1956, inaugurou-se o monumento a Alberto Sampaio, no largo dos Laranjais, em Guimarães. Em 1972, foi criada a Escola Comercial Alberto Sampaio (hoje Escola Secundária Alberto Sampaio), em Braga.

                    Em 2008 comemorou-se o centenário da morte de Alberto Sampaio. (Fer em ficheiro PDF)

                    Fonte: csarmento.uminho.pt

                    Outros Links: pt.wikipedia

                    quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

                    Alberto Pimentel

                    alberto_pimentel

                    Alberto Augusto de Almeida Pimentel,  nasceu em Cedofeita na cidade do Porto, a 14 de Abril de 1849, foi escritor e jornalista, amigo de Camilo Castelo Branco, colaborou em inúmeros jornais e revistas, foi "professor na Escola Académica e no Colégio Parisiense, de Lisboa", "inspector das escolas primárias", "administrador do concelho de Portalegre", "redactor da Câmara dos Pares e Deputado". Faleceu em Queluz, Lisboa no ano de 1925.

                    Alberto Pimentel 1 

                    Obras

                    Romances
                    • A açucena de ouro : romance, 1925
                    • A guerrilha de Frei Simão : romance histórico, 1895
                    • A porta do Paraíso : chrónica do reinado de D. Pedro V : romance original, 1873
                    • A princesa de Boivão : romance original, 1897
                    • As netas do Padre Eterno : romance original, 1895
                    • Aventuras de um pretendente pretendido : romance , 1883
                    • Flor de Myosótis : romance original, 1886
                    • Idílios à beira d'água : romance, 1870
                    • O annel mysterioso : scenas da Guerra Peninsular : romance original, 1873
                    • O arco de Vandôma : romance, 1916
                    • O descobrimento do Brazil : romance original, 1895
                    • O lobo da Madragôa : romance original, 1904
                    • O melhor casamento : romance
                    • O romance da Rainha Mercedes, 1879
                    • O segredo de uma alma : romance original, 1893
                    • O Testamento do sangue : Romance, 1872
                    • Terra prometida : romance, 1918
                    • Um conflito na corte : romance histórico

                    Biografias
                    • O Poeta Chiado, 1901
                    • Esboço biographico da Senhora Marqueza de Rio Maior, 1897
                    • Lopo Vaz de Sampaio e Mello: esboço biographico, 1891
                    • O romance do romancista : a vida de Camillo Castello Branco, 1890
                    • Vida mundana de um frade virtuoso : perfil histórico do séc. XVII, 1889

                    Teatro
                    • A greve : scena comica, 1878
                    • Dispa-se! : comédia em um acto, 1877

                    Poesia
                    • Joaninha : poema em quatro cantos, 1868
                    • Lira cívica : poesia anti-ibérica, 1868
                    • Lírios : poesias / Alberto Pimentel, 1873
                    • O nariz : poesia cómica, 1867
                    • Que joven telémaco! : poesia cómica, 1868
                    • Rindo... : monólogo em verso, 1887
                    • Rosas brancas : poemeto, 1868

                    Obras políticas
                    • A questão das pescarias : projecto de lei : apresentado à Camara dos senhores deputados na sessão de 9 de Março de 1891, 1891

                    Ensaios/História
                    • A musa das revoluções : memória sobre a poesia popular portuguesa nos acontecimentos políticos, 1885
                    • A triste canção do sul : subsídios para a história do fado, 1904

                    Etnografia e tradições populares
                    • As alegres canções do norte, 1905
                    • A dança em Portugal, 1892
                    • Cantares, 1875
                    • Espelho de portugueses, 1901

                    Viagens
                    • Guia do viajante na cidade do Porto e seus arrabaldes..., 1877
                    • Guia do viajante nos caminhos de ferro do norte em Portugal, 1876
                    • Sem passar a fronteira, 1902

                    Traduções
                    • A agonia de Luiz de Camões : romance historico, (trad. Amadeu Tissot) 1880
                    • A jornada do medo : romance, (trad. Eric Ambler)
                    • A última reportagem: romance, (trad. Thomas Polsky, Tít. orig.: Curtains for the editor)
                    • Comei para serdes belas (trad. Benjamin Gaylord Hanser)
                    • Memorial da família : romance (trad. Émile Souvestre), 1873
                    • Nossa Senhora de Lourdes : obra honrada com um breve especial concedido ao auctor por Sua Santidade o Papa Pio IX (trad. Henrique Lasserre, 1876
                    • O degredado : romance (trad. Mery), 1873
                    • O primo Pons (trad. Honoré de Balzac)
                    • Os elegantes de outro tempo (trad. Xavier de Montépin
                    • Ursula Mirouêt (trad. Honoré de Balzac)

                    Publicações Periódicas
                    • Almanach da Livraria Internacional, 1873
                    • Manual de legislação usual para uso da Camara dos Dignos Pares do Reino, 1891-1894
                    • Revista de Setubal, 1884-1909

                    Outras (ajude na catalogação)
                    • A alma do rei de Thule, 1878
                    • A corte de D. Pedro IV, 1896
                    • A jornada dos séculos, 1920
                    • A praça nova, 1916
                    • A primeira mulher de Camilo, 1916
                    • A última ceia do Doutor Fausto, 1876
                    • A ultima côrte do absolutismo em Portugal, 1893
                    • A varanda de Nathercia, 1880
                    • Albúm de ensino universal: livro d'instrucção popular, 187-?
                    • Arguido à força, 1960
                    • As amantes de D. João V : estudos históricos, 1892
                    • Atravez do passado, 1888
                    • Camillo : anedoctas, históricas e populares : conceitos e críticas, 193-?
                    • Cartas da Ericeira : Recordações de um escritor, 1995
                    • Cascaes : in sem passar a fronteira, 2000
                    • Castellos de cartas, 1898. -1 v
                    • Christo não volta : (Resposta ao "Voltareis, ó Christo ?..." de Camillo Castello Branco), 1873
                    • Chronicas de viagem, 1888
                    • Conferência pedagógica recitada no dia 17 de Abril de 1875, 1876
                    • Contos ao correr da pena, 1869
                    • Da importancia da historia universal philosophica na esphera dos conhecimentos humanos, 1878
                    • Do portal à claraboia, 1872
                    • Dom Sebastião : O Rei da Ericeira, 1997
                    • Entre o café e o cognac, 1873
                    • Figuras humanas, 1905
                    • Fitas de animatógrapho, 1909
                    • Fotografias de Lisboa, 1874
                    • História do culto de Nossa Senhora em Portugal, [pref.1899]
                    • Histórias de reis e príncipes, 1890
                    • Homenagem ao Principe dos poetas Peninsulares... Luiz de Camões : por ocasião do tri centenario do grande Epico, [19--]
                    • Homens e datas, 1875
                    • Idyllios dos Reis, 1886
                    • João Penha : poeta do Minho, 1893
                    • José Carlos dos Santos : na noite do seu benefício no Porto aos 27 de Junho de 1872, 1872
                    • Lições de Pedagogia Geral e de História da Educação, [198-]
                    • Luar de saudade : recordações de um velho escritor, 1924
                    • Manhãs de Cascaes, 1893
                    • Memoria sobre a historia e administração do municipio de Setúbal, 1877
                    • Memórias do tempo de Camilo, 1913
                    • Mysterios da minha rua, 1871
                    • Nervosos, lymphaticos e sanguineos, 1872
                    • Ninho de guincho, 1903
                    • Noites de Cintra, 1892
                    • Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo, 1906
                    • Notas sôbre o Amor de perdição, 1915
                    • O amor e a emoção na mulher, 1944
                    • O capote do snr. Braz, 1877
                    • O Hospital de Sinfães, 1884
                    • O livro das flores : legendas da vida da Rainha Santa, 1874
                    • O livro das lágrimas : legendas da vida de Santo António de Lisboa, [1875]
                    • O Porto ha trinta annos, 1892
                    • O Porto na berlinda : memórias d'uma família portuense, 1894
                    • O Porto por fora e por dentro, 1878
                    • O que anda no ar, [1881?]
                    • O sonho da Rainha, 1900
                    • O Torturado de Seide : Camilo Castelo-Branco, 1921
                    • O vinho : narrativa popular, [19--]
                    • Obras do poeta Chiado, [1889?]
                    • Os amores de Camillo : dramas íntimos colhidos na biografia de um grande escritor, 1899
                    • Os Callixtos : monologo, 1897
                    • Os netos de Camilo, 1901
                    • Pedologia, [198-]
                    • Peregrinações n'aldea, 1870
                    • Photographias de Lisboa, 1874
                    • Poetas do Minho, 1893
                    • Porfia no serão : poemeto, 1870
                    • Portugal de cabelleira, 1875
                    • Psíco-Fisiologia, 1916
                    • Rainha sem reino : estudo histórico do século XV, 1887
                    • Sangue azul : estudos históricos, 18-?
                    • Santo Thirso de Riba d'Ave, 1902
                    • Seára em flor, 1905
                    • Súmula Didáctica : Língua maternal e aritmetica, [198-]
                    • Télas antigas, 1906
                    • Um contemporaneo do Infante Dom Henrique, 1894
                    • Um marido de seis mulheres, 1888
                    • Uma visita ao primeiro romancista portuguez em S. Miguel de Seide, 1885
                    • Vida de Lisboa, 1900
                    • Vinte annos de vida litteraria, 1889
                    • Zamperineida : segundo um manuscripto da Bibliotheca Nacional de Lisboa, 1907

                    Fonte: (OBRAS) - pt.wikipedia

                    terça-feira, 13 de janeiro de 2009

                    Alberto Pimenta

                     alberto_pimenta

                    Alberto Pimenta (Porto, 26 de Dezembro de 1937) é um escritor, poeta e ensaísta português.

                    Destaca-se entre os autores europeus contemporâneos pelo carácter crítico e irreverente da sua obra, bem como pela diversidade dos géneros abordados: poesia, ficção, teatro, linguística, crítica, e até mesmo happenings e performances.

                    Vida e obra

                    Pimenta foi Leitor de Português em Heidelberg, contratado pelo governo português a partir de 1960. Devido à sua oposição ao regime fascista português e à política colonialista em África, foi demitido em 1963. Porém, não voltou ao seu país nesse momento, pois foi contratado pela Universidade de Heidelberg. Aí permaneceu até voltar a Portugal em 1977, poucos anos depois da Revolução dos Cravos.

                    Em 1977, publicou o livro de poesia Ascensão de dez gostos à boca, que sintetiza a combinação, típica desse autor, da experimentação formal com o inconformismo social e político. Nesse mesmo ano, realizou um histórico happening no Jardim Zoológico de Lisboa: trancou-se numa jaula (que ficava ao lado de uma outra onde estavam dois macacos) com uma tabuleta indicando "Homo sapiens". O acontecimento foi registrado no livro homónimo. Também em 1977, lançou o seu livro mais traduzido, "Discurso sobre o filho-da-puta", obra inclassificável que se avizinha do ensaio.

                    Entre as suas obras teóricas, destacam-se O silêncio dos poetas (1978), lançado originalmente na Itália, e A magia que tira os pecados do mundo (1995). O primeiro livro corresponde a um estudo sobre a poesia concreta (ou concretismo) e visual, principalmente a brasileira e a de língua alemã. O segundo, a uma obra de base teórica anti-platónica dividida em vinte e duas partes, cada uma delas correspondendo a um dos arcanos maiores do tarot. Mitos, arquétipos, literatura, (Dante, Camões, Shakespeare, Fernando Pessoa, António Boto, Emilio Villa, Murilo Mendes, Haroldo de Campos) e artistas plásticos (Oskar Kokoschka, Yves Klein, Pablo Picasso) estão entre os objetos desse livro invulgar.

                    A partir da década de noventa, a sua obra passou a referir-se mais directamente aos fenómenos ligados à globalização. Ainda há muito para fazer (1998), por exemplo, é um poema longo que parodia os discursos publicitários e da internet, e trata dos efeitos sociais da Guerra de Kosovo e da União Europeia.

                    Em 2005, lançou Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta, livro de poemas a respeito da invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América.

                    O caráter insurrecto e experimental da sua obra ainda tornam Alberto Pimenta um autor controverso no meio académico português. Actualmente é professor convidado na Universidade Nova de Lisboa.

                    Nos últimos anos os seus livros têm sido publicados quase todos pela &etc, de Vitor Silva Tavares, com quem tem uma grande amizade.

                    Livros publicados

                    Poesia
                    • 1970 - O labirintodonte (Lisboa)
                    • 1971 - Os entes e os contraentes (Coimbra)
                    • 1973 - Corpos estranhos (Coimbra)
                    • 1977 - Ascensão de dez gostos à boca (Coimbra)
                    • 1980 - Jogo de pedras (Lisboa: Apia) - Antologia
                    • 1981 - Canto nono (Lisboa)
                    • 1982 - Homilíada Joyce (in Joyciana, com Ana Hatherly, E. M. de Melo e Castro e António Aragão, Lisboa: &etc)
                    • 1983 - In modo di-verso, (Salerno: Ripostes)
                    • 1984 - Adan (Lima: Hueso número)
                    • 1984 - Read Read & Mad (Lisboa: &etc)
                    • 1986 - Metamorfoses do vídeo (José Ribeiro Editor)
                    • 1988 - The Rape (Lisboa: Fenda)
                    • 1990 - Obra quase incompleta (Lisboa: Fenda) - Poesia reunida
                    • 1992 - Tomai, isto é o meu porco (Lisboa: Fenda)
                    • 1992 - A divina multi(co)média (Lisboa: &etc)
                    • 1993 - Santa copla carnal (Lisboa: Fenda)
                    • 1996 - A sombra do frio na parede (Porto: Edições Mortas)
                    • 1997 - Verdichtungen (Viena: Splitter)
                    • 1998 - As moscas de pégaso (Lisboa: &etc)
                    • 1998 - Ainda há muito para fazer (Lisboa: &etc)
                    • 2000 - Ode pós-moderna (Lisboa: &etc)
                    • 2001 - Grande colecção de inverno 2001-2002 (Lisboa: &etc)
                    • 2002 - Tijoleira (Lisboa: &etc)
                    • 2004 - A encomenda do silêncio (São Paulo: Odradek Editorial) - Antologia
                    • 2005 - Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta (Lisboa: &etc)
                    • 2006 - Imitação de Ovídio (Lisboa: &etc).
                    • 2007 - Indulgência plenária (Lisboa: &etc).
                    • 2007 - Planta rubra (Lisboa: &etc).
                    • Metamorfoses do vídeo
                    Prosa
                    • 1977 - Discurso sobre o filho-da-puta (Lisboa: Teorema)
                    • 1980 - Discorso sul figliodiputtana (Milão: All'Insegna del Pesce)
                    • 1982 - Discurso sobre o filho da puta (Rio de Janeiro: Codecri)
                    • 1984 - As 4 estações (Lisboa: &etc)
                    • 1988 - Sex shop suey (Lisboa: &etc)
                    • 1990 - Discurso sobre el hijo de puta (Valencia: Víctor Orenga)
                    • 1994 - O terno feminino (Lisboa: &etc)
                    • 1996 - Adresse aux fils de pute (Paris: L'insomniaque)
                    • 1997 - A repetição do caos (Lisboa: &etc)
                    • 1999 - Elles: um epistolado (com Ana Hatherly; Lisboa: Escritor)
                    • 2000 - Discurso sobre o filho-de-deus, ao qual se segue o Discurso sobre o filho-da-puta (Lisboa: Teorema)
                    • 2004 - Deusas ex-machina (Lisboa: Teorema)
                    Teoria
                    • 1978 - Il silenzio dei poeti (Milão: Feltrinelli)
                    • 1978 - O silêncio dos poetas (Lisboa: A regra do jogo)
                    • 1982 - A (más)cara diante da cara (com João Barrento, Eulália Barros e Y. K. Centeno; Lisboa: Presença)
                    • 1989 - A metáfora sinistra (Lisboa: Quimera)
                    • 1995 - A magia que tira os pecados do mundo (Lisboa: Cotovia)
                    • 2003 - O silêncio dos poetas (edição revista e ampliada com A dimensão poética das línguas; Lisboa: Cotovia)

                    Outros

                    Livros que registam performances, atos poéticos, happenings, exposições e espetáculos
                    • 1977 - Homo sapiens (Lisboa: &etc)
                    • 1979 - Heterofonia (Lisboa: &etc)
                    • 1982 - A visita do Papa (Lisboa: &etc)
                    • 1983 - Tríptico (Homo sapiens, SPECtacULU, Conductus) (Lisboa: &etc)
                    • 1983 - Uni-verso pro-Lixo (Lisboa: Escola Superior de Belas-Artes)
                    • 1985 - O desafio da mundança (Lisboa: Escola Superior de Belas-Artes)
                    • 1990 - Um enlace feliz (Lisboa: Destinos)
                    • 1992 - IV de ouros (Lisboa: Fenda)
                    • 2001 - Selos (em Selos de Waldemar Santos; Porto: Éterogémeas)
                    Preparação de edições
                    • 1978 - Almeida Garrett: O magriço ou Os doze da Inglaterra (texto fixado e comentado; Lisboa: Edições 70)
                    • 1978 - José Daniel Rodrigues da Costa: O balão ou os habitantes da lua (texto comentado; Lisboa: Edições 70)
                    • 1982 - Musa anti-pombalina (sátiras anónimas ao Marquês de Pombal) (Lisboa: A regra do jogo)

                    Links

                    Fonte: pt.wikipedia

                    segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

                    Alberto Osório de Castro

                     

                    Alberto Osório de Castro (Coimbra, 1 de Março de 1868 - Lisboa, 1 de Janeiro de 1946) foi um juiz e poeta português.

                    Biografia

                    Aos 21 anos formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Foi juiz nas antigas províncias ultramarinas portuguesas na Índia, em Angola e em Timor. Após regressar ao continente português, exerceu as funções de juiz do Supremo Tribunal de Justiça e foi presidente do Conselho Superior de Administração Pública, sendo ainda Ministro da Justiça no governo de Sidónio Pais.

                    Nas letras, esteve ligado ao nascimento da revista Boémia Nova e estreou-se na poesia com a obra Exiladas em 1895. É descrito como estando situado entre o decadentismo e o simbolismo, evoluindo posteriormente para um formalismo de sabor parnasiano.

                    Além da poesia, dedicou-se aos estudos da antropologia, da etnologia e da botânica.

                    Obras publicadas

                    Poesia
                    • 1895 - Exiladas
                    • 1906 - A Cinza dos Mortos
                    • 1908 - Flores de Coral
                    • 1923 - O Sinal da Sombra

                    LIVRO

                    Monografia
                    • 1943 - A Ilha Verde e Vermelha de Timor

                     Fonte: Pt.wikipedia

                    POEMAS:

                    FLORES DE CORAL


                    Dispersos pelos mares,
                    Alguns dias de luz me alvorejaram.
                    Ondas d’oiro no nácar dos luares
                    O meu sonho embalaram,
                    E em flores de coral, sob os palmares,
                    Rolaram-no, e passaram.


                    À CASUARINAS DO CEMITÉRIO DE DILI


                    Sonho escuro dos mortos embalai,
                    Prece das casuarinas!
                    Vozes vagas dos mortos, ciciai
                    Nas folhagens franzinas!
                    Já no céu, resplandece esmorecendo
                    A púrpura do dia.
                    Passa a aragem do pântano gemendo
                    Na romagem sombria.
                    Que murmuram as bocas das raízes
                    Aos mortos a sonhar?
                    Que lhes dizes, ramagem? Que lhes dizes,
                    A reza e a embalar?

                    (Lahane, Timor, Abril de 1908).

                    domingo, 11 de janeiro de 2009

                    Alberto Oliveira Pinto

                     alberto oliveira pinto

                    ALBERTO MANUEL DUARTE DE OLIVEIRA PINTO nasceu em Luanda (Angola) a 8 de Janeiro de 1962. Licenciou-se em Direito em Lisboa, pela Universidade Católica Portuguesa, em 1986. Depois de uma curta passagem pela advocacia trabalhou em várias escolas de Lisboa entre os anos de 1992 e 1998 enquanto animador cultural de Literatura, no âmbito do "Programa de Sensibilização à Criatividade e à Leitura" do Departamento de Educação e Juventude da CML. Passou também por experiências de guionismo de televisão e foi professor em cursos livres de criatividade literária. Tem colaboração dispersa em diversas revistas e jornais angolanos e portugueses e está representado em várias antologias. Prepara tese de Mestrado em História de África na Faculdade de Letras da Univ. de Lisboa, cujo tema é O Confronto da Literatura e da Historiografia Coloniais com a História Oral de Cabinda, com a orientação da Prof.ª Doutora Isabel Castro Henriques e do Prof. Doutor Alfredo Margarido.  Foi distinguido com diversos prémios literários, de que se destacam o "Prémio Revelação" APE, em 1990, com o romance O Senhor de Mompenedo, e o Prémio "Sagrada Esperança" - ao tempo o mais importante prémio literário angolano - com o romance Mazanga em 1998. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e da União dos Escritores Angolanos (UEA). É um dos fundadores e dinamizadores do Centro de Estudos Multiculturais, onde, para além das suas aulas, tem orientado pesquisas sobre temática africana.

                    livros alberto o pinto 1

                    Obras

                    Romances
                    • 1990 - Eu à Sombra da Figueira da Índia
                    • 1991 - Concerto na Nespereira
                    • 1991 - O Saco dos Livros
                    • 1992 - O Senhor de Mompenedo
                    • 1994 - O Onagro de Sintra
                    • 1995 - A Sorte e a Desdita de José Policarpo
                    • 1998 - Mazanga
                    • 2001 - Travessa do Rosário
                    Livros juvenis
                    • 1991 - A Família dos Paladinos
                    • 1991 - A Canção de Rolando
                    • 1996 - As Filhas do Olho de Vidro

                     

                    O "REINO" DO MARQUÊS

                    Este é um romance histórico, que retoma a tradição da reconstituição de um passado nas suas vertentes política, social e a individual. Neste caso, do século XVIII português, mais precisamente da época pombalina. O episódio romanceado é o atentado a D. José. A versão oficial é a de que um grupo de sicários a soldo do duque de Aveiro e dos marqueses de Távora tentou m atar o rei à saída de Lisboa na noite de 3 de Setembro de 1758. O romance retoma o episódio integralmente, como núcleo principal. A personagem principal, José Policarpo de Azevedo, é um dos conspiradores. A escolha ficcional deste conspirador, mais de dois séculos depois, deve-se ao facto do seu percurso constituir uma excepção. Ligado ao marquês de Pombal desde o dia do terramoto de 1755, José Policarpo envolve-se nos acontecimentos do atentado ao rei mas, protegido pelo marquês, é perseguido apenas na aparência, e a sua captura é evitada. Pombal forja uma identidade falsa e José Policarpo parte para o Marão como padre jesuíta, Francisco de Léon, uma identificação que corresponde a um padre dado como morto mas mantido como prisioneiro em segredo. Entretanto, os outros conspiradores vão sendo eliminados.

                    O modo como o material romanesco surge apresentado é problemático. O romance é escrito em cenas narrativas separadas umas das outras pela menção do local e da data, mas sem uma sequência cronológica, sendo que entre uma e a seguinte se verifica, por vezes, um desfasamento de mais de quinze anos. Ao mesmo tempo, o narrador avança com várias intrigas: os amores de Joana do Pinto, a vida do par Marta Maria e Domingos Famalicão, a velhice do marquês de Angeja, etc. A primeira metade do livro é composta por essas várias intrigas que se desenvolvem de um modo entrecortado, porque todo o romance é feito por cenas sem relação directa entre si, e a paciência do leitor pode não ser tanta quanto o exige a fragmentação do relato das intrigas. Resumindo: é um romance com qualidades que se lê com dificuldade. O leitor tem que recompor partes demasiado dispersas num todo de difícil apreensão.

                    Convirá, ainda, saber o que o romance ganha com esta organização problemática, que poderia corresponder à necessidade de uma outra interpretação dos acontecimentos narrados ou da época representada; não é o caso. A dispersão cronológica não acrescenta nada, e a narrativa fica à superfície dos factos históricos representados, não demonstrando um trabalho de aprofundamento dos discursos da época quer em sentido literal quer em sentido mais extenso. Ou seja: os discursos das personagens e do narrador não se diferenciam daquilo que um pessoa medianamente culta supõe que eram os discursos da época. Mas uma pesquisa de documentos desse tempo, aupõe-se também, revelaria outros discursos. Além disso, uma época tem o seu próprio modo de pensar a realidade, modo esse que se traduz nos textos escritos (à falta do vivido do tempo). É essa "diferença" estabelecida pela própria textura da época que pode tornar um romance histórico pertinente nos dias de hoje.

                    Alberto Oliveira Pinto não é um principiante: tem cinco romances publicados (desde 1990) e uma intensa actividade de uma escrita considerada como animação cultural. A quantidade encontra-se assegurada. Talvez seja tempo de repensar a noção de que um romance cria um universo próprio. Aqui, a época representada é frequentemente indiferenciada por lugares-comuns que não foram postos em causa. A não ser que o intuito do autor fosse apenas o de lembrar ao leitor que em tempos houve uma figura polémica, a do marquês de Pombal, que "reinou" em Portugal até 1776. Como propósito de autor de romance, é pouco ambicioso.

                    Eunice Cabral, em Público, 20/01/1996

                    Fontes: multiculturas.com

                    pt.wikipédia

                    Projecto Vercial

                    sábado, 10 de janeiro de 2009

                    Alberto de Lacerda

                     ALBERTO LACERDA

                    Alberto Correia de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20 de Setembro de 1928 — Londres, 26 de Agosto de 2007) foi um poeta português.

                    Biografia

                    Nascido no Norte de Moçambique, Alberto de Lacerda veio para Lisboa em 1946. Em 1951 fixou-se em Londres trabalhando como locutor e jornalista da BBC, efectuado um notável trabalho de divulgação de poetas como Camões, Pessoa e Sena. Nos anos seguintes viajou pela Europa e esteve no Brasil em 1959 e 1960. A partir de 1967 começa a leccionar na Universidade de Austin, no Texas, EUA, onde se manteve durante cinco anos, fazendo uma breve passagem pela Universidade de Columbia, de Nova Iorque, até se fixar, em 1972, como professor de poética, na Universidade de Boston, Massachusetts.

                    Estreou-se em Portugal com uma série de poemas publicados na revista Portucale. Foi um dos fundadores da revista de poesia Távola Redonda, juntamente com Ruy Cinatti, António Manuel Couto Viana e David Mourão-Ferreira. Os seus poemas foram traduzidos para o inglês, castelhano, alemão e holandês, entre várias outras línguas. É descrito como possuindo uma linguagem pouco adjectivada mas rica em imagística, reveladora de um mundo misterioso oculto na vulgaridade das coisas . Alberto de Lacerda é também autor de colagens, tendo chegado a expor, nos anos 80, na Sociedade Nacional de Belas Artes, de Lisboa.

                    Faleceu em Londres a 26 de Agosto de 2007. Apesar do número relativamente pequeno de obras publicadas, Lacerda deixou um vasto espólio e de grande importância, composto, nomeadamente, por correspondência com grandes figuras da cultura, estrangeiras e portuguesas, tais como Maria Helena Vieira da Silva e o marido Árpád Szenes ou ainda Paula Rego.

                    Obras publicadas

                    Poesia
                    • 1955 - 77 Poemas
                    • 1961 - Palácio
                    • 1963 - Exílio
                    • 1969 - Selected Poems
                    • 1981 - Tauromagia
                    • 1984 - Oferenda I
                    • 1987 - Elegias de Londres
                    • 1988 - Meio-dia (Prémio Pen Club)
                    • 1991 - Sonetos
                    • 1994 - Oferenda II
                    • 1997 - Átrio
                    • 2001 - Horizonte
                    • ???? - Mecânica Celeste

                    Fonte: pt.wikipédia

                     

                     

                    Acervo de Alberto de Lacerda depositado na Fundação Mário Soares

                    Lisboa, 19 Jun 08 (Lusa) - O espólio documental e artístico de Alberto de Lacerda, incluindo uma arca cheia de cartas e manuscritos, vai ficar depositado na Fundação Mário Soares, em Lisboa, segundo um protocolo assinado hoje pelo herdeiro do poeta e o presidente daquela instituição.

                    "É um acervo imenso, com milhares de papéis, quadros, cartas, fotografias, discos. Foi preciso um camião TIR mais um atrelado para trazer tudo para Lisboa", disse à agência Lusa o herdeiro, Luís Amorim de Sousa.

                    "Agora vai ser tudo digitalizado e partilhado com o público", acrescentou.

                    O protocolo foi assinado pelo antigo presidente da República Mário Soares e Luís Amorim de Sousa, com a presença do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro.

                    Alberto de Lacerda, nascido em Mocambique em 1928, morreu em Agosto passado em Londres, cidade onde viveu a maior da sua vida e onde publicou o primeiro livro, intitulado "77 Poemas".

                    Foi amigo de figuras proeminentes da cultura portuguesa, entre as quais Vieira da Silva, Sophia de Mello Breyner Andresen, Paula Rego e Mário Cesariny, e conheceu também Manuel Bandeira, Jorge Guillén, Octavio Paz, René Char e Bertrand Russel.

                    A sua obra publicada está reunida nos livros "Oferenda I e II" (dois volumes), "Átrio" e "Horizonte", todos eles editados pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda

                     

                    POEMAS:

                    Hino ao Tejo

                     

                    Ó Tejo das asas largas

                    Pássaro lindo que se ouve em todas as ruas de Lisboa

                    Ó coroa duma cidade maravilhosa

                    Ó manto célebre nas cortes do mundo inteiro

                    Faixa antiga duma cidade mourisca

                    Fênix astro caravela liquida

                    Silêncio marulhante das coisas que vão acontecer

                    Deslizar sem desastres sem fado sem presságio

                    Tu ó majestoso ó Rei ó simplicidade das coisas belíssimas

                    Nas tardes em que o sol te queima passo junto de ti

                    E chamo-te numa voz sem palavras marejada de lágrimas

                    Meu irmão mais velho

                    Ilha de Moçambique

                    Desfeitos um por um os nós sombrios,

                    Anulada a distancia entre o desejo

                    E o sonho coincidente como um beijo,

                    Exalei mapas que exalaram rios.

                     

                    Terra secreta, continentes frios,

                    Ardei à luz dum sol que é rumorejo

                    Para lá do que eu sou, do que eu invejo

                    Aos elementos, aos altos navios!

                     

                    Trouxe de longe o palácio sepulto,

                    A cobra semimorta, a bandarilha,

                    E esqueci poços, prossegui oculto.

                     

                    Desdém que envolve por completo a quilha,

                    Sou bem o rei saudoso do seu vulto,

                    Vulto que existe infante numa ilha.