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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Alberto Pimenta

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Alberto Pimenta (Porto, 26 de Dezembro de 1937) é um escritor, poeta e ensaísta português.

Destaca-se entre os autores europeus contemporâneos pelo carácter crítico e irreverente da sua obra, bem como pela diversidade dos géneros abordados: poesia, ficção, teatro, linguística, crítica, e até mesmo happenings e performances.

Vida e obra

Pimenta foi Leitor de Português em Heidelberg, contratado pelo governo português a partir de 1960. Devido à sua oposição ao regime fascista português e à política colonialista em África, foi demitido em 1963. Porém, não voltou ao seu país nesse momento, pois foi contratado pela Universidade de Heidelberg. Aí permaneceu até voltar a Portugal em 1977, poucos anos depois da Revolução dos Cravos.

Em 1977, publicou o livro de poesia Ascensão de dez gostos à boca, que sintetiza a combinação, típica desse autor, da experimentação formal com o inconformismo social e político. Nesse mesmo ano, realizou um histórico happening no Jardim Zoológico de Lisboa: trancou-se numa jaula (que ficava ao lado de uma outra onde estavam dois macacos) com uma tabuleta indicando "Homo sapiens". O acontecimento foi registrado no livro homónimo. Também em 1977, lançou o seu livro mais traduzido, "Discurso sobre o filho-da-puta", obra inclassificável que se avizinha do ensaio.

Entre as suas obras teóricas, destacam-se O silêncio dos poetas (1978), lançado originalmente na Itália, e A magia que tira os pecados do mundo (1995). O primeiro livro corresponde a um estudo sobre a poesia concreta (ou concretismo) e visual, principalmente a brasileira e a de língua alemã. O segundo, a uma obra de base teórica anti-platónica dividida em vinte e duas partes, cada uma delas correspondendo a um dos arcanos maiores do tarot. Mitos, arquétipos, literatura, (Dante, Camões, Shakespeare, Fernando Pessoa, António Boto, Emilio Villa, Murilo Mendes, Haroldo de Campos) e artistas plásticos (Oskar Kokoschka, Yves Klein, Pablo Picasso) estão entre os objetos desse livro invulgar.

A partir da década de noventa, a sua obra passou a referir-se mais directamente aos fenómenos ligados à globalização. Ainda há muito para fazer (1998), por exemplo, é um poema longo que parodia os discursos publicitários e da internet, e trata dos efeitos sociais da Guerra de Kosovo e da União Europeia.

Em 2005, lançou Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta, livro de poemas a respeito da invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América.

O caráter insurrecto e experimental da sua obra ainda tornam Alberto Pimenta um autor controverso no meio académico português. Actualmente é professor convidado na Universidade Nova de Lisboa.

Nos últimos anos os seus livros têm sido publicados quase todos pela &etc, de Vitor Silva Tavares, com quem tem uma grande amizade.

Livros publicados

Poesia
  • 1970 - O labirintodonte (Lisboa)
  • 1971 - Os entes e os contraentes (Coimbra)
  • 1973 - Corpos estranhos (Coimbra)
  • 1977 - Ascensão de dez gostos à boca (Coimbra)
  • 1980 - Jogo de pedras (Lisboa: Apia) - Antologia
  • 1981 - Canto nono (Lisboa)
  • 1982 - Homilíada Joyce (in Joyciana, com Ana Hatherly, E. M. de Melo e Castro e António Aragão, Lisboa: &etc)
  • 1983 - In modo di-verso, (Salerno: Ripostes)
  • 1984 - Adan (Lima: Hueso número)
  • 1984 - Read Read & Mad (Lisboa: &etc)
  • 1986 - Metamorfoses do vídeo (José Ribeiro Editor)
  • 1988 - The Rape (Lisboa: Fenda)
  • 1990 - Obra quase incompleta (Lisboa: Fenda) - Poesia reunida
  • 1992 - Tomai, isto é o meu porco (Lisboa: Fenda)
  • 1992 - A divina multi(co)média (Lisboa: &etc)
  • 1993 - Santa copla carnal (Lisboa: Fenda)
  • 1996 - A sombra do frio na parede (Porto: Edições Mortas)
  • 1997 - Verdichtungen (Viena: Splitter)
  • 1998 - As moscas de pégaso (Lisboa: &etc)
  • 1998 - Ainda há muito para fazer (Lisboa: &etc)
  • 2000 - Ode pós-moderna (Lisboa: &etc)
  • 2001 - Grande colecção de inverno 2001-2002 (Lisboa: &etc)
  • 2002 - Tijoleira (Lisboa: &etc)
  • 2004 - A encomenda do silêncio (São Paulo: Odradek Editorial) - Antologia
  • 2005 - Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta (Lisboa: &etc)
  • 2006 - Imitação de Ovídio (Lisboa: &etc).
  • 2007 - Indulgência plenária (Lisboa: &etc).
  • 2007 - Planta rubra (Lisboa: &etc).
  • Metamorfoses do vídeo
Prosa
  • 1977 - Discurso sobre o filho-da-puta (Lisboa: Teorema)
  • 1980 - Discorso sul figliodiputtana (Milão: All'Insegna del Pesce)
  • 1982 - Discurso sobre o filho da puta (Rio de Janeiro: Codecri)
  • 1984 - As 4 estações (Lisboa: &etc)
  • 1988 - Sex shop suey (Lisboa: &etc)
  • 1990 - Discurso sobre el hijo de puta (Valencia: Víctor Orenga)
  • 1994 - O terno feminino (Lisboa: &etc)
  • 1996 - Adresse aux fils de pute (Paris: L'insomniaque)
  • 1997 - A repetição do caos (Lisboa: &etc)
  • 1999 - Elles: um epistolado (com Ana Hatherly; Lisboa: Escritor)
  • 2000 - Discurso sobre o filho-de-deus, ao qual se segue o Discurso sobre o filho-da-puta (Lisboa: Teorema)
  • 2004 - Deusas ex-machina (Lisboa: Teorema)
Teoria
  • 1978 - Il silenzio dei poeti (Milão: Feltrinelli)
  • 1978 - O silêncio dos poetas (Lisboa: A regra do jogo)
  • 1982 - A (más)cara diante da cara (com João Barrento, Eulália Barros e Y. K. Centeno; Lisboa: Presença)
  • 1989 - A metáfora sinistra (Lisboa: Quimera)
  • 1995 - A magia que tira os pecados do mundo (Lisboa: Cotovia)
  • 2003 - O silêncio dos poetas (edição revista e ampliada com A dimensão poética das línguas; Lisboa: Cotovia)

Outros

Livros que registam performances, atos poéticos, happenings, exposições e espetáculos
  • 1977 - Homo sapiens (Lisboa: &etc)
  • 1979 - Heterofonia (Lisboa: &etc)
  • 1982 - A visita do Papa (Lisboa: &etc)
  • 1983 - Tríptico (Homo sapiens, SPECtacULU, Conductus) (Lisboa: &etc)
  • 1983 - Uni-verso pro-Lixo (Lisboa: Escola Superior de Belas-Artes)
  • 1985 - O desafio da mundança (Lisboa: Escola Superior de Belas-Artes)
  • 1990 - Um enlace feliz (Lisboa: Destinos)
  • 1992 - IV de ouros (Lisboa: Fenda)
  • 2001 - Selos (em Selos de Waldemar Santos; Porto: Éterogémeas)
Preparação de edições
  • 1978 - Almeida Garrett: O magriço ou Os doze da Inglaterra (texto fixado e comentado; Lisboa: Edições 70)
  • 1978 - José Daniel Rodrigues da Costa: O balão ou os habitantes da lua (texto comentado; Lisboa: Edições 70)
  • 1982 - Musa anti-pombalina (sátiras anónimas ao Marquês de Pombal) (Lisboa: A regra do jogo)

Links

Fonte: pt.wikipedia

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alberto Osório de Castro

 

Alberto Osório de Castro (Coimbra, 1 de Março de 1868 - Lisboa, 1 de Janeiro de 1946) foi um juiz e poeta português.

Biografia

Aos 21 anos formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Foi juiz nas antigas províncias ultramarinas portuguesas na Índia, em Angola e em Timor. Após regressar ao continente português, exerceu as funções de juiz do Supremo Tribunal de Justiça e foi presidente do Conselho Superior de Administração Pública, sendo ainda Ministro da Justiça no governo de Sidónio Pais.

Nas letras, esteve ligado ao nascimento da revista Boémia Nova e estreou-se na poesia com a obra Exiladas em 1895. É descrito como estando situado entre o decadentismo e o simbolismo, evoluindo posteriormente para um formalismo de sabor parnasiano.

Além da poesia, dedicou-se aos estudos da antropologia, da etnologia e da botânica.

Obras publicadas

Poesia
  • 1895 - Exiladas
  • 1906 - A Cinza dos Mortos
  • 1908 - Flores de Coral
  • 1923 - O Sinal da Sombra

LIVRO

Monografia
  • 1943 - A Ilha Verde e Vermelha de Timor

 Fonte: Pt.wikipedia

POEMAS:

FLORES DE CORAL


Dispersos pelos mares,
Alguns dias de luz me alvorejaram.
Ondas d’oiro no nácar dos luares
O meu sonho embalaram,
E em flores de coral, sob os palmares,
Rolaram-no, e passaram.


À CASUARINAS DO CEMITÉRIO DE DILI


Sonho escuro dos mortos embalai,
Prece das casuarinas!
Vozes vagas dos mortos, ciciai
Nas folhagens franzinas!
Já no céu, resplandece esmorecendo
A púrpura do dia.
Passa a aragem do pântano gemendo
Na romagem sombria.
Que murmuram as bocas das raízes
Aos mortos a sonhar?
Que lhes dizes, ramagem? Que lhes dizes,
A reza e a embalar?

(Lahane, Timor, Abril de 1908).

domingo, 11 de janeiro de 2009

Alberto Oliveira Pinto

 alberto oliveira pinto

ALBERTO MANUEL DUARTE DE OLIVEIRA PINTO nasceu em Luanda (Angola) a 8 de Janeiro de 1962. Licenciou-se em Direito em Lisboa, pela Universidade Católica Portuguesa, em 1986. Depois de uma curta passagem pela advocacia trabalhou em várias escolas de Lisboa entre os anos de 1992 e 1998 enquanto animador cultural de Literatura, no âmbito do "Programa de Sensibilização à Criatividade e à Leitura" do Departamento de Educação e Juventude da CML. Passou também por experiências de guionismo de televisão e foi professor em cursos livres de criatividade literária. Tem colaboração dispersa em diversas revistas e jornais angolanos e portugueses e está representado em várias antologias. Prepara tese de Mestrado em História de África na Faculdade de Letras da Univ. de Lisboa, cujo tema é O Confronto da Literatura e da Historiografia Coloniais com a História Oral de Cabinda, com a orientação da Prof.ª Doutora Isabel Castro Henriques e do Prof. Doutor Alfredo Margarido.  Foi distinguido com diversos prémios literários, de que se destacam o "Prémio Revelação" APE, em 1990, com o romance O Senhor de Mompenedo, e o Prémio "Sagrada Esperança" - ao tempo o mais importante prémio literário angolano - com o romance Mazanga em 1998. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e da União dos Escritores Angolanos (UEA). É um dos fundadores e dinamizadores do Centro de Estudos Multiculturais, onde, para além das suas aulas, tem orientado pesquisas sobre temática africana.

livros alberto o pinto 1

Obras

Romances
  • 1990 - Eu à Sombra da Figueira da Índia
  • 1991 - Concerto na Nespereira
  • 1991 - O Saco dos Livros
  • 1992 - O Senhor de Mompenedo
  • 1994 - O Onagro de Sintra
  • 1995 - A Sorte e a Desdita de José Policarpo
  • 1998 - Mazanga
  • 2001 - Travessa do Rosário
Livros juvenis
  • 1991 - A Família dos Paladinos
  • 1991 - A Canção de Rolando
  • 1996 - As Filhas do Olho de Vidro

 

O "REINO" DO MARQUÊS

Este é um romance histórico, que retoma a tradição da reconstituição de um passado nas suas vertentes política, social e a individual. Neste caso, do século XVIII português, mais precisamente da época pombalina. O episódio romanceado é o atentado a D. José. A versão oficial é a de que um grupo de sicários a soldo do duque de Aveiro e dos marqueses de Távora tentou m atar o rei à saída de Lisboa na noite de 3 de Setembro de 1758. O romance retoma o episódio integralmente, como núcleo principal. A personagem principal, José Policarpo de Azevedo, é um dos conspiradores. A escolha ficcional deste conspirador, mais de dois séculos depois, deve-se ao facto do seu percurso constituir uma excepção. Ligado ao marquês de Pombal desde o dia do terramoto de 1755, José Policarpo envolve-se nos acontecimentos do atentado ao rei mas, protegido pelo marquês, é perseguido apenas na aparência, e a sua captura é evitada. Pombal forja uma identidade falsa e José Policarpo parte para o Marão como padre jesuíta, Francisco de Léon, uma identificação que corresponde a um padre dado como morto mas mantido como prisioneiro em segredo. Entretanto, os outros conspiradores vão sendo eliminados.

O modo como o material romanesco surge apresentado é problemático. O romance é escrito em cenas narrativas separadas umas das outras pela menção do local e da data, mas sem uma sequência cronológica, sendo que entre uma e a seguinte se verifica, por vezes, um desfasamento de mais de quinze anos. Ao mesmo tempo, o narrador avança com várias intrigas: os amores de Joana do Pinto, a vida do par Marta Maria e Domingos Famalicão, a velhice do marquês de Angeja, etc. A primeira metade do livro é composta por essas várias intrigas que se desenvolvem de um modo entrecortado, porque todo o romance é feito por cenas sem relação directa entre si, e a paciência do leitor pode não ser tanta quanto o exige a fragmentação do relato das intrigas. Resumindo: é um romance com qualidades que se lê com dificuldade. O leitor tem que recompor partes demasiado dispersas num todo de difícil apreensão.

Convirá, ainda, saber o que o romance ganha com esta organização problemática, que poderia corresponder à necessidade de uma outra interpretação dos acontecimentos narrados ou da época representada; não é o caso. A dispersão cronológica não acrescenta nada, e a narrativa fica à superfície dos factos históricos representados, não demonstrando um trabalho de aprofundamento dos discursos da época quer em sentido literal quer em sentido mais extenso. Ou seja: os discursos das personagens e do narrador não se diferenciam daquilo que um pessoa medianamente culta supõe que eram os discursos da época. Mas uma pesquisa de documentos desse tempo, aupõe-se também, revelaria outros discursos. Além disso, uma época tem o seu próprio modo de pensar a realidade, modo esse que se traduz nos textos escritos (à falta do vivido do tempo). É essa "diferença" estabelecida pela própria textura da época que pode tornar um romance histórico pertinente nos dias de hoje.

Alberto Oliveira Pinto não é um principiante: tem cinco romances publicados (desde 1990) e uma intensa actividade de uma escrita considerada como animação cultural. A quantidade encontra-se assegurada. Talvez seja tempo de repensar a noção de que um romance cria um universo próprio. Aqui, a época representada é frequentemente indiferenciada por lugares-comuns que não foram postos em causa. A não ser que o intuito do autor fosse apenas o de lembrar ao leitor que em tempos houve uma figura polémica, a do marquês de Pombal, que "reinou" em Portugal até 1776. Como propósito de autor de romance, é pouco ambicioso.

Eunice Cabral, em Público, 20/01/1996

Fontes: multiculturas.com

pt.wikipédia

Projecto Vercial

sábado, 10 de janeiro de 2009

Alberto de Lacerda

 ALBERTO LACERDA

Alberto Correia de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20 de Setembro de 1928 — Londres, 26 de Agosto de 2007) foi um poeta português.

Biografia

Nascido no Norte de Moçambique, Alberto de Lacerda veio para Lisboa em 1946. Em 1951 fixou-se em Londres trabalhando como locutor e jornalista da BBC, efectuado um notável trabalho de divulgação de poetas como Camões, Pessoa e Sena. Nos anos seguintes viajou pela Europa e esteve no Brasil em 1959 e 1960. A partir de 1967 começa a leccionar na Universidade de Austin, no Texas, EUA, onde se manteve durante cinco anos, fazendo uma breve passagem pela Universidade de Columbia, de Nova Iorque, até se fixar, em 1972, como professor de poética, na Universidade de Boston, Massachusetts.

Estreou-se em Portugal com uma série de poemas publicados na revista Portucale. Foi um dos fundadores da revista de poesia Távola Redonda, juntamente com Ruy Cinatti, António Manuel Couto Viana e David Mourão-Ferreira. Os seus poemas foram traduzidos para o inglês, castelhano, alemão e holandês, entre várias outras línguas. É descrito como possuindo uma linguagem pouco adjectivada mas rica em imagística, reveladora de um mundo misterioso oculto na vulgaridade das coisas . Alberto de Lacerda é também autor de colagens, tendo chegado a expor, nos anos 80, na Sociedade Nacional de Belas Artes, de Lisboa.

Faleceu em Londres a 26 de Agosto de 2007. Apesar do número relativamente pequeno de obras publicadas, Lacerda deixou um vasto espólio e de grande importância, composto, nomeadamente, por correspondência com grandes figuras da cultura, estrangeiras e portuguesas, tais como Maria Helena Vieira da Silva e o marido Árpád Szenes ou ainda Paula Rego.

Obras publicadas

Poesia
  • 1955 - 77 Poemas
  • 1961 - Palácio
  • 1963 - Exílio
  • 1969 - Selected Poems
  • 1981 - Tauromagia
  • 1984 - Oferenda I
  • 1987 - Elegias de Londres
  • 1988 - Meio-dia (Prémio Pen Club)
  • 1991 - Sonetos
  • 1994 - Oferenda II
  • 1997 - Átrio
  • 2001 - Horizonte
  • ???? - Mecânica Celeste

Fonte: pt.wikipédia

 

 

Acervo de Alberto de Lacerda depositado na Fundação Mário Soares

Lisboa, 19 Jun 08 (Lusa) - O espólio documental e artístico de Alberto de Lacerda, incluindo uma arca cheia de cartas e manuscritos, vai ficar depositado na Fundação Mário Soares, em Lisboa, segundo um protocolo assinado hoje pelo herdeiro do poeta e o presidente daquela instituição.

"É um acervo imenso, com milhares de papéis, quadros, cartas, fotografias, discos. Foi preciso um camião TIR mais um atrelado para trazer tudo para Lisboa", disse à agência Lusa o herdeiro, Luís Amorim de Sousa.

"Agora vai ser tudo digitalizado e partilhado com o público", acrescentou.

O protocolo foi assinado pelo antigo presidente da República Mário Soares e Luís Amorim de Sousa, com a presença do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro.

Alberto de Lacerda, nascido em Mocambique em 1928, morreu em Agosto passado em Londres, cidade onde viveu a maior da sua vida e onde publicou o primeiro livro, intitulado "77 Poemas".

Foi amigo de figuras proeminentes da cultura portuguesa, entre as quais Vieira da Silva, Sophia de Mello Breyner Andresen, Paula Rego e Mário Cesariny, e conheceu também Manuel Bandeira, Jorge Guillén, Octavio Paz, René Char e Bertrand Russel.

A sua obra publicada está reunida nos livros "Oferenda I e II" (dois volumes), "Átrio" e "Horizonte", todos eles editados pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda

 

POEMAS:

Hino ao Tejo

 

Ó Tejo das asas largas

Pássaro lindo que se ouve em todas as ruas de Lisboa

Ó coroa duma cidade maravilhosa

Ó manto célebre nas cortes do mundo inteiro

Faixa antiga duma cidade mourisca

Fênix astro caravela liquida

Silêncio marulhante das coisas que vão acontecer

Deslizar sem desastres sem fado sem presságio

Tu ó majestoso ó Rei ó simplicidade das coisas belíssimas

Nas tardes em que o sol te queima passo junto de ti

E chamo-te numa voz sem palavras marejada de lágrimas

Meu irmão mais velho

Ilha de Moçambique

Desfeitos um por um os nós sombrios,

Anulada a distancia entre o desejo

E o sonho coincidente como um beijo,

Exalei mapas que exalaram rios.

 

Terra secreta, continentes frios,

Ardei à luz dum sol que é rumorejo

Para lá do que eu sou, do que eu invejo

Aos elementos, aos altos navios!

 

Trouxe de longe o palácio sepulto,

A cobra semimorta, a bandarilha,

E esqueci poços, prossegui oculto.

 

Desdém que envolve por completo a quilha,

Sou bem o rei saudoso do seu vulto,

Vulto que existe infante numa ilha.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Alberto Ferreira

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Alberto Ferreira (Lisboa, 5 de Outubro de 1920 - 10 de Dezembro de 2000) foi um professor, jornalista e escritor português.

Biografia

Formado na Escola Agrícola de Santarém, Alberto Ferreira percorreu o país na sua profissão como técnico agrário. Posteriormente, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do ensino secundário a partir de 1974, passando a leccionar Cultura Portuguesa na Faculdade onde estudou, a partir de 1977. Colaborou nas revistas Vértice e Seara Nova. Durante a sua carreira publicou ainda diversos ensaios e obras de ficção.

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     Obras publicadas

    Ensaios

  • 1954 - Condições Sociais do Pensamento Moderno

  • 1959 - Diálogos com a Realidade

  • 1962 - Da Filosofia para a História

  • 1968-70 - Bom Senso e Bom Gosto - Questão Coimbrã

  • 1971 - Perspectiva do Romantismo Português

  • 1980 - Antologia de Textos da 'Questão Coimbrã'

  • 1980 - Estudos da Cultura Portuguesa - Século XIX

    Ficção

  • 1965 - Diário de Édipo

  • 1974 - Crise

  • 1998 - Viagem ao Reino da Mediocracia

  • 1999 - Deambular ao Lusco Fusco

Texto: pt.wikipédia

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Alberto Braga

Alberto Leal Barradas Monteiro Braga nasceu na Foz do Douro na Cidade do Porto, em 1851, onde viria a falecer em 1911, foi um jornalista e escritor português.

Biografia

Alberto Braga foi secretário do Instituto Comercial de Lisboa. Ao longo da sua carreira assinou diversas crónicas literárias em jornais portugueses e brasileiros. Como autor, escreveu peças de teatro e livros de contos sendo reconhecido pelo seu estilo directo e claro, pela sobriedade na escrita e pelo tom sentimental que imprimiu a algumas das suas obras. Desenvolveu peças teatrais com uma forte raiz romântica e com pendor naturalista. Faleceu na mesma freguesia onde nasceu, vítima de tuberculose.

Obras publicadas

Contos
  • 1879 - Contos da Minha Lavra
  • 1892 - Contos Escolhidos (antologia que recolheu os textos de "Contos da Aldeia" e "Novos Contos")

Teatro
  • 1892 - A Estrada de Damasco
  • 1894 - A Irmã
  • 1897 - O Estatuário

Fonte: pt.wikipedia

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Alberto Augusto Miranda

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Alberto Augusto Miranda (Vila Real, 21 de Fevereiro de 1956) é um escritor português, tendo publicadas 16 obras de poesia, teatro e ficção, para além de traduções.

Das suas obras constam os seguintes títulos:

Dá-me Com A Noite (poesia),

O_Estando (poesia),

Nojo (teatro),

Borbotom (teatro)

Encenou Ninguém Ama Ema a partir de Húmus de Raul Brandão e Sítios Sitiados de Luiza Neto Jorge (Lisboa, 2001, interpretação de João Ascenso e Sónia Alves.

Bases laterais: Carla Simões e Aurélie Quilgars);

Três Quadros de Virgínia Woolf, com Alexandra Bernardo, Célia Machado, Laura Moura e Sónia Alves (Lisboa, 2005).

Um dos seus últimos trabalhos é a encenação do poema Branco e Vermelho de Camilo Pessanha, estreado em Lisboa em Fevereiro de 2006, com interpretação de Alexandra Bernardo

Texto: pt.wikipedia

Mais informação em: Projecto Vercial

poemas2

POEMA

DÁ-ME COM A NOITE

dá-me com a noite

esbofeteia a fresta,

o Real diante de mim

dá-me com a noite

com a tortura de voltar

e a cegueira de ser

embora tudo embora nada

diz o nome difícil depois da monda

diz-me que depois da monda

me dirás o nome que nunca dirás

faz-te gesso no trapézio

na ventura do Senhor Aplauso

dos aflitos – oh transversal

pedra de sémola ao trabalho

atasca em lâmpadas

pneumonias e sangues de saber

imagens de povos perdidos

e o homem que Anunciava

cospe-me! exibe-me!

dá-me com a noite!

 

Mais Poemas em:

Projecto Vercial

A Garganta da Serpente

Notivaga

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Al Berto

al berto

BIOGRAFIA

Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares,  nasceu em Coimbra a  11 de Janeiro de 1948 e faleceu em  Lisboa, 13 de Junho de 1997, poeta, pintor, editor e animador cultural português, freqüentou o curso de Pintura da Escola Antônio Arroio e o curso de Formação Artística da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Em 1967 exilou-se em Bruxelas, onde frequentou a École Nationale Supérieure d'Architecture et des Arts Visuels. Em 1971 abandonou definitivamente a pintura, assumindo-se cada vez mais como "autor de textos literários". Em finais da década de 70, publicou À Procura do Vento num Jardim d'Agosto (1977), iniciando o percurso literário que o tornaria um dos poetas mais importantes da sua geração. Numa escrita impregnada de lirismo, reflete experiências de erros e excessos, de amor e desamor, aliadas aos espectros sempre presentes da morte e da solidão. Insinuando um "novo romantismo", trata-se de um autor que concentra em si, num registro freqüentemente confessional, algumas características da poesia portuguesa da década de 80: a melancolia obsessiva, o narcisismo, uma profunda nostalgia. Em 1988 recebeu o Prémio Pen Club de Poesia pela obra O Medo.

OBRAS

Poesia
  • 1977 - À Procura do Vento num Jardim d'Agosto.
  • 1980 - Meu Fruto de Morder, Todas as Horas.
  • 1982 - Trabalhos do Olhar
  • 1983 - O Último Habitante.
  • 1984 - Salsugem.
  • 1984 - A Seguir o Deserto.
  • 1985 - Três Cartas da Memória das Índias
  • 1985 - Uma Existência de Papel.
  • 1987 - O Medo (Trabalho Poético 1974-1986).
  • 1989 - O Livro dos Regressos.
  • 1991 - A Secreta Vida das Imagens.
  • 1991 - Canto do Amigo Morto.
  • 1991 - O Medo (Trabalho Poético 1974-1990).
  • 1995 - Luminoso Afogado.
  • 1997 - Horto de Incêndio
  • 1998 - O Medo.
  • 2007 - Degredo no Sul

Prosa
  • 1988 - Lunário
  • 1993 - O Anjo Mudo
  • 2006 - Apresentação da Noite

POEMAS

Dizem que a paixão o conheceu


dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos



E ao anoitecer


e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia



Há-de flutuar uma cidade


há-de flutuar uma cidade no crepúscolo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

(ler mais poemas em : astormentas)

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Agustina Bessa Luís

 

agustina bessa-luis

Biografia

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante em 1922, descendente de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho e de uma família espanhola de Zamora, por parte da mãe. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a obra da escritora. Fixou-se, entretanto, no Porto, onde reside.

Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando até ao momento com mais de meia centena de obras. 

Tem representado as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizado conferências em universidades um pouco por todo o mundo. 

Foi membro do conselho directivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962). 

Entre 1986 e 1987 foi Directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. 

É membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo já sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", atribuído pelo governo francês (1989).

É em 1954, com o romance A Sibila, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Proust e Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.

Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem é amiga e com quem tem trabalhado de perto. Estão neste caso Fanny Owen ("Francisca"), Vale Abraão e As Terras do Risco ("O Convento"), para além de "Party", cujos diálogos foram igualmente escritos pela escritora. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

Recebe aos 81 anos o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões, em 2004.

 

Fonte: mulheres-ps20

obra agustina bessa-luis
Obras publicadas

Ficção
  • 1948 - Mundo Fechado (novela)
  • 1950 - Os Super-Homens (romance)
  • 1951-1953 - Contos Impopulares (romance)
  • 1954 - A Sibila (romance)
  • 1956 - Os Incuráveis (romance)
  • 1957 - A Muralha (romance)
  • 1958 - O Susto (romance)
  • 1960 - Ternos Guerreiros (romance)
  • 1961 - O Manto (romance)
  • 1962 - O Sermão do Fogo (romance)
  • 1964 - As Relações Humanas: I - Os Quatro Rios (romance)
  • 1965 - As Relações Humanas: II - A Dança das Espadas (romance)
  • 1966 - As Relações Humanas: III - Canção Diante de uma Porta Fechada (romance)
  • 1967 - A Bíblia dos Pobres: I - Homens e Mulheres (romance)
  • 1970 - A Bíblia dos Pobres: II - As Categorias (romance)
  • 1971 - A Brusca (contos)
  • 1975 - As Pessoas Felizes (romance)
  • 1976 - Crónica do Cruzado Osb (romance)
  • 1977 - As Fúrias (romance)
  • 1979 - Fanny Owen (romance histórico)
  • 1980 - O Mosteiro (romance)
  • 1983 - Os Meninos de Ouro (romance)
  • 1983 - Adivinhas de Pedro e Inês (romance histórico)
  • 1984 - Um Bicho da Terra (romance histórico, biografia de Uriel da Costa)
  • 1984 - Um Presépio Aberto (narrativa)
  • 1985 - A Monja de Lisboa (romance histórico, biografia de Maria de Visitação)
  • 1987 - A Corte do Norte (romance histórico)
  • 1988 - Prazer e Glória (romance)
  • 1988 - A Torre (conto)
  • 1989 - Eugénia e Silvina (romance)
  • 1991 - Vale Abraão (romance)
  • 1992 - Ordens Menores (romance)
  • 1994 - As Terras do Risco (romance)
  • 1994 - O Concerto dos Flamengos (romance)
  • 1995 - Aquário e Sagitário (narrativa)
  • 1996 - Memórias Laurentinas (romance)
  • 1997 - Um Cão que Sonha (romance)
  • 1998 - O Comum dos Mortais (romance)
  • 1999 - A Quinta Essência (romance)
  • 1999 - Dominga (conto)
  • 2000 - Contemplação Carinhosa da Angústia (antologia)
  • 2001 - O Princípio da Incerteza: I – Jóia de Família (romance)
  • 2002 - O Princípio da Incerteza: II – A Alma dos Ricos (romance)
  • 2003 - O Princípio da Incerteza: III – Os Espaços em Branco (romance)
  • 2004 - Antes de Degelo (romance)
  • 2005 - Doidos e Amantes (romance)
  • 2006 - A ronda da noite (romance)

Biografias
  • 1979 - Santo António
  • 1979 - A Vida e a Obra de Florbela Espanca (biobibliografia)
  • 1979 - Florbela Espanca
  • 1981 - Sebastião José
  • 1982 - Longos Dias Têm Cem Anos – Presença de Vieira da Silva
  • 1986 - Martha Telles: o Castelo Onde Irás e Não Voltarás (ensaio e biografia)

Teatro
  • 1958 - Inseparável ou o Amigo por Testamento
  • 1986 - A Bela Portuguesa
  • 1992 - Estados Eróticos Imediatos de Soren Kierkegaard
  • 1996 - Party: Garden-Party dos Açores – Diálogos
  • 1998 - Garret: O Eremita do Chiado

Crónicas, memórias, textos ensaísticos
  • 1961 - Embaixada a Calígula (relato de viagem)
  • 1979 - Conversações com Dimitri e Outras Fantasias (crónicas)
  • 1980 - Arnaldo Gama – “Gente de Bem”
  • 1981 - A Mãe de um Rio (texto e fotografia)
  • 1981 - Dostoievski e a Peste Emocional
  • 1981 - Camilo e as Circunstâncias
  • 1982 - Antonio Cruz, o Pintor e a Cidade
  • 1982 - D.Sebastião: o Pícaro e o Heroíco
  • 1982 - O Artista e o Pensador como Minoria Social
  • 1984 - ”Menina e Moça” e a Teoria do Inacabado
  • 1986 - Apocalipse de Albrecht Dürer
  • 1987 - Introdução à Leitura de “A Sibila”
  • 1988 - Aforismos
  • 1991 - Breviário do Brasil (diário de viagem)
  • 1994 - Camilo: Génio e Figura
  • 1995 - Um Outro Olhar sobre Portugal (relato de viagem), com fot. de Pierre Rossollin, e il. de Maluda
  • 1996 - Alegria do Mundo I: escritos dos anos de 1965 a 1969
  • 1997 - Douro (texto e fotografia), em colab. com Mónica Baldaque
  • 1998 - Alegria do Mundo II: escritos dos anos de 1970 a 1974
  • 1998 - Os Dezassete Brasões (texto e fotografia)
  • 1999 - A Bela Adormecida
  • 2000 - O Presépio: Escultura de Graça Costa Cabral (texto e fotografia), em colab. com Pedro Vaz
  • 2001 - As Meninas (texto e pintura)
  • 2002 - O Livro de Agustina (autobiografia)
  • 2002 - Azul (divulgação), em colab. com Luísa Ferreira
  • 2002 - As Estações da Vida (texto e fotografia), fot. Jorge Correia Santos
  • 2004 - O Soldado Romano, com il. de Chico

Literatura infantil
  • 1983 - A Memória do Giz, com il. de Teresa Dias Coelho
  • 1987 - Contos Amarantinos, com il. de Manuela Bacelar
  • 1987 - Dentes de Rato, com il. de Martim Lapa
  • 1990 - Vento, Areia e Amoras Bravas, com il. de Mónica Baldaque
  • 2007 - O Dourado, com il. de Helena Simas

Adaptações cinematográficas
  • 1981 - Francisca, real. Manoel de Oliveira, romance Fanny Owen
  • 1993 - Vale Abraão, real. Manoel de Oliveira, romance Vale Abraão
  • 1995 - O Convento, real. Manoel de Oliveira, com Catherine Deneuve e John Malkovich, romance As Terras do Risco
  • 1998 - Inquietude, real. Manoel de Oliveira, conto A Mãe de um Rio, Prémio Globo de Ouro (1999) para a melhor realização
  • 2002 - O Princípio da Incerteza, real. Manoel de Oliveira, romance O Princípio da Incerteza
  • 2005 - Espelho Mágico, real. Manoel de Oliveira, romance A Alma dos Ricos

 

CITAÇÃO:

A Doutrina Perfeita

Muitas vezes as pessoas dirigem-se a mim, dizendo: «você, que é independente». Não sou assim; continuamente devo ceder a pequenas fórmulas sofisticadas que corrompem, que dão um sentido inverso à nossa orientação, que fazem com que a transparência do coração se turve. Continuamente a nossa insegurança, o egoísmo, o espírito legalista, a mesquinhez, a vaidade, toda a espécie de circunstâncias que tomam o partido da vida como desfrute à sensação se sobrepõem à luz interior. Só a fé é independente. Só ela está para além do bem e do mal.

Estar para além do bem e do mal aplica-se a Cristo. «Perdoa ao teu inimigo, oferece a outra face» - disse Ele. Não é um conselho para humilhados, não é um preceito para mártires. Nisso aparece Cristo mal interpretado, a ponto de o cristianismo ter sido considerado uma religião de escravos. Mas esquecemos que Cristo, como Homem, teve a experiência-limite, uma visão do inconsciente absoluto, o que quer dizer que a sua consciência foi saturada, para além do bem e do mal. Esse homem que perdoa ao seu inimigo não o faz por contrariedade do seu instinto, por reparação dos seus pecados; mas porque não pode proceder de outra maneira.


A sua natureza simplificou-se; nada o pode abalar, porque ele desesperou para sempre da sua controvérsia e, possivelmente, da sua humanidade. A agonia do Homem é isto - a sua conversão à luz interior. Qualquer doutrina que professe a luta, seja doutrina social ou religiosa, impõe-se facilmente às massas, porque a luta bloqueia a evolução profunda do homem, a qual é motivo da sua angústia. Um sábio, grande figura bíblica, disse: «A causa do temor não é outra coisa senão a renúncia aos auxílios que procedem da reflexão». Ligados todos por uma igual cadeia de trevas, os homens julgam superar os factos por meio duma acção violenta. Dispersam os seus fantasmas prodigiosos durante algum tempo, mas logo são surpreendidos por inesperados terrores. A melhoria das suas condições de trabalho, o direito ao lazer e à cultura, a protecção à saúde e à velhice, tudo isso foi uma necessidade imposta pelos factos, mas só actua como lei se for manifestado pela reflexão. A doutrina perfeita nem ofende a multidão nem se arroja a seus pés. Não é feita de belas palavras nem dum folclore de atitudes. A natureza combate pelos justos. Essa natureza é a fé.


Agustina Bessa-Luís, in 'Contemplação Carinhosa da Angústia'

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domingo, 4 de janeiro de 2009

Agostinho de Campos

 

Agostinho de Campos (Porto, 21 de Julho de 1870 - Lisboa, 24 de Janeiro de 1944) foi um professor universitário, jornalista e escritor português.

Biografia

Agostinho de Campos licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra em 1892 passando a dedicar-se ao ensino em Hamburgo e em Lisboa. Entre 1906 e 1910 foi director-geral da Instrução Pública. Posteriormente foi professor universitário de Filologia Românica em Coimbra, entre 1933 e 1938, e em Lisboa de 1938 a 1941.

Enveredou também pelo jornalismo pertencendo ao grupo de António Nobre durante a sua juventude em Coimbra. Iniciou por escrever no diário O Primeiro de Janeiro colaborando com diversos jornais e revistas ao longo da sua carreira. Como escritor foi autor de diversas obras sobre assuntos pedagógicos, literários, políticos e linguísticos. Coligiu os 24 volumes da Antologia Portuguesa e, entre outras obras, publicou Glossário, em 1938, Língua e Má Língua, em 1944, e a obra em dois volumes Falas sem Fio entre 1943 e 1946 já a título póstumo.

Texto: pt.Wikipédia

sábado, 3 de janeiro de 2009

Agostinho da Silva

 agostinhodasilva

Agostinho da Silva

(1906-1996)

BIOGRAFIA

Agostinho da Silva é dos mais paradoxais pensadores portugueses do século XX. O tema mais candente da sua obra foi a cultura de língua portuguesa, num fraternal abraço ao Brasil e aos países lusófonos. Todavia, a questão das filosofias nacionais não é para si decisiva, parecendo-lhe antes uma questão académica: «Não sei se há filosofias nacionais, e não sei se os filósofos, exactamente porque reflectem sobre o geral, se não internacionalizam desde logo».

O problema de que parte é a procura de uma razão de ser para Portugal: o que eu quero é que a filosofia que haja por estes lados arranque do povo português, faça que o povo português tenha confiança em si mesmo», entendendo por «povo português» não apenas os portugueses de Portugal, mas também os do Brasil, laçados de índios e negros, os portugueses de África, tribais e pretos, como também os da Índia, de Macau e de Timor.

Embarcando num sonho universalista em que os portugueses que vivem apenas para Portugal não têm razão de ser, apresentou-se aos olhos tantas vezes desconcertados dos seus leitores como um cavaleiro do Quinto Império, um reinado do Espírito Santo, respirando um misto de franciscanismo e de joaquimismo e, em todo o caso, obra mais de cigarras que de formigas como era próprio das crianças: «Restaurar a criança em nós, e em nós a coroarmos Imperador, eis aí o primeiro passo para a formação do império», o que é dizer que o primeiro passo dos impérios está sempre no espírito dos homens, aptos para servir, como os antigos templários ou os cavaleiros da Ordem de Cristo.

Um império sem clássicos imperadores, que leve aos povos do mundo uma filosofia capaz de abranger a liberdade por que se bate a América, a segurança económica conseguida pela União Soviética, e a renúncia aos bens que depois de ter estado na filosofia de Lao-tsé, diz estar também na de Mao-tsé, mas uma filosofia que as três possam corrigir, purgando a primeira de imperialismos, a segunda da burocracia, e a terceira de catecismos.

É esta uma filosofia que, como gostava de dizer, não parte imediatamente de uma reflexão sobre as ciências exactas, como em Descartes ou Leibniz, mas da fé, como em Espinosa. Partir de crenças como ponto vital e tomar como símbolo preferido que a palavra «crer» parece ter a mesma origem que a palavra «coração», fazendo depois como o Infante, abrindo-se à ciência dos seus pilotos, astrónomos e matemáticos. Tudo dito e defendido com a tranquilidade de quem sabe que até hoje ninguém desvendou os mistérios do mundo e conhece por isso os limites das soluções positivas.

Assim, seria possível valorizar aquilo que a seu ver nos distinguiria como povo e como cultura: um povo e uma cultura capazes de albergar em si «tranquilamente, variadas contradições impenetráveis, até hoje, ao racionalizar de qualquer pensamento filosófico».

Império do futuro precavido e purgado dos males que arruinaram os quatro anteriores, sem manias de mando, ambições de ter e de poder, sem trabalho obrigatório, sem prisões e sem classes sociais, sem crises ideológicas e metafísicas. Esse já não era o império europeu, dessa Europa ávida de saber e de poder, e por isso esgotada como modelo para os outros 80% da humanidade, menos ávida de poder e mais preocupada com o ser.

Trazer por isso o mundo à Europa, como outrora levámos a Europa ao mundo, tal a missão da cultura de língua portuguesa, construindo o seu domínio com uma base espiritual e sem base em terra, porque a propriedade escraviza e só não ter nos torna livres.

Obras

Sentido histórico das civilizações clássicas, 1929; A religião grega, 1930; Glosas, 1934; Sete cartas a um jovem filósofo, 1945; Diário de Alcestes, 1945; Moisés e outras páginas bíblicas, 1945; Reflexão, 1957; Um Fernando Pessoa, 1959; As aproximações, 1960; Educação de Portugal, 1989; Do Agostinho em torno do Pessoa; Dispersos, 1988.

Bibliografia

António Quadros, Introdução à Filosofia da História, Lisboa, 1982.

 

Por Pedro Calafe - Inst.-Camões

Mais informação em:

agostinhodasilva1
POEMA
ALGUM DIA 
Algum dia um novo Papa
anunciará altivo
que Deus é raiz quadrada
de um quantum negativo

e o Deus que tanto procuro
em que atingido me afundo
é aquele ser-não-ser
do que acontece no mundo

da matéria mais que densa
é que é divertido ser
ali se nada acontece
tudo pode acontecer

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Afonso Lopes Vieira

 

Aflopvesvieira_infanciaAfonso Lopes Vieira em criança

Afonso Lopes Vieira (n. Leiria, 1878 - m. Lisboa, 1946), poeta português.

Concluido o Curso de Direito na Universidade de Coimbra (1894-1900), deslocou-se para Lisboa, na qualidade de redactor da Câmara dos Deputados (1900-1916).

Após esta data, passa a dedicar-se exclusivamente à sua actividade literária de que precocemente dera provas na fase estudantil ao redigir alguns jornais manuscritos, de que são exemplos A Vespa e O Estudante . Com a publicação do livro Para Quê? (1897) marca a sua estreia poética, iniciando um período de intensa actividade literária — Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Poesias sobre as “Cenas Infantis” de Shumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) - encerrando a sua actividade poética, assim julgava, com a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927). A obra poética culmina com o inovador e epigonal livro Onde a terra se acaba e o mar começa (1940).

O carácter activo e multifacetado do escritor tem expressão na sua colaboração em A Campanha Vicentina, na multiplicação de conferências em nome dos valores artísticos e culturais nacionais, recolhidas nos volumes Em demanda do Graal (1922) e Nova demanda do Graal (1942). A sua acção não se encerra, porém, aqui, sendo de considerar a dedicação à causa infantil, iniciada com Animais Nossos Amigos (1911), um filme infantil O Afilhado de Santo António (1928), entre outros. Por fim, assinale-se a sua demarcação face à ideologia salazarista expressa no texto Éclogas de Agora (1935).

Cidadão do mundo, Afonso Lopes Vieira não esqueceu as suas origens, conservando as imagens de uma Leiria de paisagem bucólica e romântica rodeada de maciços verdejantes plantados de vinhedos e rasgados pelo rio Lis, mas, sobretudo, de São Pedro de Moel, paisagem de eleição do escritor, enquanto inspiração e génese da sua obra. O Mar e o Pinhal são os principais motivos da sua poética.

Nestas paisagens o poeta confessa sentir-se «[...] mais em família com o chão e com a gente», evidenciando no seu tratamento uma apetência para motivos líricos populares e nacionais. Essencialmente panteísta, leu e fixou as gentes, as crenças, os costumes, e as paisagens de uma Estremadura que interpretou como «o coração de Portugal, onde o próprio chão, o das praias, da floresta, da planície ou das serras, exala o fluído evocador da história pátria; província heróica, povoada de mosteiros e castelos...» (Nova demanda do Graal, 1942: 65).

Actualmente a Biblioteca Municipal em Leiria tem o seu nome. A sua casa de São Pedro de Moel foi transformada em Museu. Lopes Vieira é considerado um eminente poeta, um dos primeiros representantes do Neogarretismo e esteve ligado à corrente conhecida como Renascença Portuguesa.

EclogasAgora

 Obra

  • Para quê? (1898)
  • Naufrago-versos lusitanos (1899)
  • Auto da Sebenta (1900)
  • Elegia da Cabra (1900)
  • Meu Adeus (1900)
  • Ar Livre (1901)
  • O Poeta Saudade (1903)
  • Marques - História de um Peregrino (1904)
  • Poesias Escolhidas (1905)
  • O Encoberto (1905)
  • O Pão e as Rosas (1910)
  • Gil Vicente-Monólogo do Vaqueiro (1910)
  • O Povo e os Poetas Portugueses (1911)
  • Rosas Bravas (1911)
  • Auto da Barca do Inferno (adaptação) (1911)
  • Os Animais Nossos Amigos (1911)
  • Canções do Vento e do Sol (1912)
  • Bartolomeu Marinheiro (1912)
  • Canto Infantil (1913)
  • O Soneto dos Tûmulos (1913)
  • Inês de Castro na Poesia e na Lenda (1914)
  • A Campanha Vicentina (1914)
  • A Poesia dos Painéis de S.Vicente (1915)
  • Poesias sobre as Cenas de Schumann (1916)
  • Autos de Gil Vicente (1917)
  • Canções de Saudade e de Amor (1917)
  • Ilhas de Bruma (1918)
  • Cancioneiro de Coimbra (1920)
  • Crisfal (1920)
  • Cantos Portugueses (1922)
  • Em Demanda do Graal (l922)
  • País Lilás, Desterro Azul (1922)
  • O Romance de Amadis (1923)
  • Da Reintegração dos Primitivos Portugueses (1924)
  • Diana (1925)
  • Ao Soldado Desconhecido (1925)
  • Os Versos de Afonso Lopes Vieira (1928)
  • Os Lusíadas (1929)
  • O Poema do Cid (tradução) (1930)
  • O livro do Amor de João de Deus (1930)
  • Fátima (1931)
  • Poema da Oratória de Rui Coelho (1931)
  • Animais Nossos Amigos (1932)
  • Santo António (1932)
  • Lírica de Camões (1932)
  • Relatório e Contas da Minha Viagem a Angola (1935)
  • Églogas de Agora (livro proibido até 25/4/1974) (1937)
  • Ao Povo de Lisboa (1938)
  • O Conto de Amadis de Portugal (1940)
  • Poesias de Francisco Rodrigues Lobo (1940)
  • A Paixão de Pedro o Cru (1940)
  • Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940)
  • O Carácter de Camões (1941)
  • Cartas de Soror Mariana (tradução) (1942)
  • Nova Demanda do Graal (1947)
  • Branca Flor e Frei Malandro (1947

Fonte: pt.wikipedia

afonso lopes vieira

Afonso Lopes Vieira

 

Choram ainda a tua morte escura

Aquelas que chorando a memoraram;

As lágrimas choradas não secaram

Nos saudosos campos da ternura.

Santa entre as santas pela má ventura,

Rainha, mais que todas que reinaram;

Amada, os teus amores não passaram

E és sempre bela e viva e loira e pura.

O Linda, sonha aí, posta em sossêgo

No teu muymento de alva pedra fina,

Como outrora na Fonte do Mondego.

Dorme, sombra de graça e de saudade,

Colo de Garça, amor, moça menina,

Bem-amada por toda a eternidade !

(In Cancioneiro de Coimbra)

 

Link aqui para: Mais Poemas

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Afonso Duarte

AFONSO DUARTE

Afonso Duarte

Nome: Joaquim Afonso Fernandes Duarte
Nascimento: 1-1-1884, Ereira, Montemor-o-Velho
Morte: 5-3-1958, Coimbra

Poeta, formou-se em Ciências Físico-Naturais pela extinta Faculdade de Filosofia de Coimbra. Exerceu funções docentes até ser aposentado de forma compulsiva pelo regime salazarista, em 1932, data a partir da qual se dedicou quase exclusivamente à obra literária e de investigação nos domínios da pedagogia e da etnografia. Tendo co-fundado, com António de Sousa, Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e Vitorino Nemésio, a revista coimbrã Tríptico (1924), colaborou ainda em várias publicações periódicas, como A Águia, Contemporânea, Presença, Manifesto, Portucale, Notícias do Bloqueio, Cadernos de Poesia ou Litoral . As primeiras colectâneas poéticas de Afonso Duarte, coligidas em 1929 pelas edições Presença no volume Os Sete Poemas Líricos , revelam a influência do saudosismo em poemas elevados de tendência panteísta e visionária, embora, segundo Fernando Guimarães, a "sua inspiração saudosista, expressa num tom alargadamente pessimista ou elegíaco, (seja( reconvertida por uma intensificação verbal que se evidencia pela maneira como o uso da imagem, se considerarmos a sua superfície conceptual mínima, concorre para uma figuração essencialmente elíptica, a qual, algumas vezes, se aproxima das formas espontâneas, proverbiais ou epigramáticas da poesia popular." (cf. Poética do Saudosismo , Lisboa, Presença, 1988, p. 51.) A publicação de Ossadas, em 1947, reunindo composições escritas entre o início dos anos 20 e a primeira metade de 40, marca o modo como este autor foi sofrendo as alterações poéticas de um modernismo que, entre aquelas balizas cronológicas, se foi sedimentando e condicionando as opções estéticas de sucessivas gerações poéticas. Por outras palavras, a figura e a obra do autor de Ossadas surgiram, entre Presença e o aparecimento da colecção Novo Cancioneiro , como "um símbolo dos caminhos trilhados pela poesia portuguesa do século XX até meados da década de 50" (cf. MARTINHO, Fernando J. B. - Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, Lisboa, Colíbri, 1996, p. 296), vindo a desempenhar um papel magistral para autores da jovem geração neo-realista, como Carlos de Oliveira, que do autor de Ossadas colherá, entre outros traços, o sentido de contenção, de aparente simplicidade e de brevidade lapidar que caracterizavam a poética de Afonso Duarte (cf., por exemplo, "Ave Inquieta", in Lápides e Outros Poemas , "Poema breve/Como um canto de ave,/Ou a gota de água/Onde o céu se espelha; / Pólen da flor/E mel na abelha:/Poeta/Ou a ave inquieta/Que canta de amor./Não sei de outra dor/Tão bem sentida,/Com tanta raiz/Na fonte da vida"). Alguns desses nomes (Óscar Lopes, Carlos de Oliveira, José Terra) comparecem com textos de homenagem a Afonso Duarte no terceiro fascículo de Cadernos do Meio-Dia , publicado em Outubro de 1958, em memória de "um dos vultos mais exemplares" da "moderna poesia portuguesa", "Espírito aberto aos mais vastos horizontes da aventura poética" (cf. nota incluída no 2.º fascículo de Cadernos do Meio-Dia, cit. in MARTINHO, Fernando J. B. - ibi., p. 295), tendo já sido, aliás, da responsabilidade de Carlos de Oliveira e João José Cochofel a edição da Obra Poética de Afonso Duarte, em 1956.

Texto: Infopédia

OBRAS:

  • Tragédia do Sol Posto ((1914)
  • Os Sete Poemas Líricos (1929)
  • Ossadas (1947)
  • Post-Scriptum de um Combatente (1949)
  • Sibila (1950)
  • Canto da Babilónia (1952)
  • Canto de Morte e Amor (1952)
  • Obra Poética (1956)
  • Lápides e Outros Poemas (1960)
  •  

    POEMA

    Recordação


    Eu bem sei
    Que rodo em muitas esferas
    E não sei
    Por onde me levas, poesia.
    Quando vou,
    E não encontro ninguém,
    Tenho medo do que sei:
    Um filho de sua mãe
    E seu pai,
    Ou algum longínquo avó,
    A quem um poeta sai.
    Será também o Deus da infância
    E a árvore sagrada
    De frutos proibidos,
    Na fragrância
    Com que rasguei meus vestidos
    E não retirei os ninhos...
    Enchi de rosas a terra
    E levo nas mãos espinhos.

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