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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Alfredo Margarido

 

Nome: Alfredo Augusto Margarido

Nascimento: 1928, Moimenta, Vinhais

Ficcionista, poeta e ensaísta, tradutor de Anouilh, Faulkner, James Joyce, Steinbeck, Dylan Thomas, Nietzche, Saint-John Perse, Kafka, entre muitos outros autores, Alfredo Margarido desenvolveu numerosos trabalhos de investigação literária em torno de Pessoa e da literatura africana de expressão portuguesa, tendo ainda colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia, Jornal do Fundão, Jornal de Letras, Persona, ou Colóquio/Letras. Radicado desde 1964 em Paris, onde desenvolveu as actividades de investigador na École des Hautes Études e de docente na Sorbonne, deve-se à convivência com a cultura e literatura francesas a divulgação em Portugal do movimento nouveau roman, teorizado, com Artur Portela Filho, em O Novo Romance (1963) (seguido da tradução, no ano seguinte, dos textos teóricos reunidos por Nathalie Sarraute em A Era da Suspeita) e cujas marcas influirão sobre a sua prática romanesca. Com efeito, verifica-se no conjunto da sua obra ficcional uma tendência para uma "dissolução do acontecimento e do espaço romanesco na memória obsessiva e predominantemente objectual das personagens." (SEIXO, Maria Alzira, Portugal - A Terra e o Homem, 2.ª série, vol. II, p. 197). A poesia de Alfredo Margarido, revelada na época de 50, sugere, em Poemas com Rosas, as influências de Pessoa e de Rilke (cf. MARTINHO, Fernando J. B., p. 228), enquanto o Poema para uma Bailarina Negra, de 1958, composto aquando de uma estada em Luanda, se insere na prática de escrita surrealista, tendo aliás alguns textos do autor sido posteriormente inseridos na Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito organizada por Mário de Cesariny, em 1961.

Bibliografia:

No Fundo deste Canal, Lisboa, 1960;

A Centopeia, Lisboa, 1963;

As Portas Ausentes: Romance, Lisboa, 1963;

Poemas com Rosas, s/l, 1953;

Poemas para uma Bailarina Negra, Porto, 1958;

Teixeira de Pascoaes, Lisboa, 1961;

O Novo Romance (com Artur Portela Filho), Lisboa, 1962;

Negritude e Humanismo, Lisboa, 1964;

Jean-Paul Sartre, Lisboa, 1965;

Marânus: uma Linguagem Poética quase Niilista, Lisboa, 1976;

Alguns Comentários em Torno de Jorge de Sena, Paris, 1978;

Les Afro-américains et les Africains dans les Poésies de Langue Portugaise: XVIII-XIX, Paris, 1979;

Estudos sobre Literaturas das Nações Africanas de Expressão Portuguesa, Lisboa, 1980;

Les Relations Culturelles du Côté du Corps: la Nourriture et le Vêtement, Paris, 1983;

Quelques Problèmes Posés par la Lecture du Roman Neo-Realiste, Paris, 1984;

La Vision de L'Autre (Africain et Indien d'Amérique) dans la Renaissance Portugaise, Paris, 1984;

La Difficile Digestion du Nouveau Roman par la critique Portugaise, Paris, 1984;

Les Difficultés de la Structuration des Histoires des Littératures des Pays Africains de Langue Officielle Portugaise, Paris, 1985;

33 + 9 Leituras Plásticas de Fernando Pessoa, Porto, 1988


Alfredo Margarido. In Infopédia [Em linha].

Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-01-31].

Link: Alfredo Margarido – Infopédia

Outras Ligações:

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Alexandre Pinheiro Torres

 

alexandre pinheiro torres 

Nasceu em Amarante em 1921. Licenciado em Letras pela Universidade de Coimbra, foi, em 1965, convidado pela Universidade de Cardiff, na qual se viria a tornar catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira. O facto político-cultural que o levou ao exílio conta-se entre os gestos de que mais se orgulhara em toda a sua vida: em 1965 é nomeado membro do Júri do Grande Prémio de Ficção atribuído pela Sociedade Portuguesa de Escritores e propõe a atribuição de tal prémio ao livro Luuanda, de Luandino Vieira, que à data estava preso no Tarrafal, acusado de terrorismo. A atitude levou Salazar a proíbi-lo de ensinar em Portugal, obrigando-o ao desterro em Cardiff, onde foi recebido de braços abertos por um professor que o marcaria profundamente: Stephen Reckert. Em 1970 fundou a primeira cadeira independente de Literatura Africana de Língua Portuguesa Portuguesa em universidades inglesas. Historiador de literatura, crítico literário, poeta, romancista, tem igualmente uma vasta produção espalhada por jornais e revistas portugueses. Foi ainda distinguido com vários prémios nas áreas da poesia e do ensaio, dos quais se destacam: Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores; Prémio de Ensaio Jorge de Sena da Associação de Escritores e Prémio de Ensaio Ruy Belo. Foi eleito membro da Academia Maranhense de Letras de São Luís do Maranhão, no Brasil e recebeu ainda o título de Cidadão Honorário de São Tomé e Príncipe. Morreu em Agosto de 1999, vítima de doença prolongada, já reformado da Universidade Cardiff, onde deixou um testemunho de vida e de profissionalismo académico que nunca se apagará.


Preito

Alexandre Pinheiro Torres (1921-1999), tradutor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta, professor de literatura portuguesa, literatura brasileira e literaturas africanas de expressão portuguesa, foi o maior filósofo peripatético que conheci. Dávamos grandes passeios ao domingo em Roath Park, um dos muitos parques de Cardiff, que o Alexandre não dispensava nas suas saudáveis passeatas meditativas. Cada caminhada valia um curso de literatura viva. Cada passo era devidamente medido pelo ritmo seguro da memória de um escritor que conheceu de perto alguns dos melhores escritores portugueses deste século, mas que com eles não partilha a mesma fama. Injustamente. O melhor elogio que posso fazer a um escritor que também foi professor é dizer que ele foi antes um notável professor que também foi escritor. Chegara eu a Cardiff em 1990 e o Alexandre resolveu adoptar-me como seu discípulo. Eu trazia na bagagem a pobre experiência de um jovem professor do ensino secundário formado na Faculdade de Letras de Lisboa. Desconfiado, o Alexandre quis ver primeiro com que linhas eu cosia o meu discurso. Na altura, eu julgava-me poeta e logo me aconselhou a desistir da ideia, tão debilitados eram os meus versos. (Agradeça-se de coração aberto a quem nos diz em boa hora que o que fazemos não tem futuro.) Queria então ser ensaísta e investigador e apresentei-lhe um primeiro texto para uma tese de doutoramento sobre a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen. O comentário foi iluminado: “Isto é uma merda! Vai esquecer tudo o que aprendeu na Faculdade de Letras, vai meter o estruturalismo na gaveta, e vamos começar tudo de novo. Primeiro é preciso reler os clássicos.” E assim me reeduquei. Hoje todos recordam mais o crítico literário e o escritor do que o professor Alexandre Pinheiro Torres. Porque este poucos portugueses conheceram e é pena, porque era o melhor de todos. Sempre senti que a obra literária de Alexandre Pinheiro Torres não iria nunca fazer justiça ao seu saber prático e livresco, quando o seu magistério era deveras singular. Só conheci outro filósofo assim, Agostinho da Silva, cujo saber estava sobretudo naquilo que dizia. A escrita de um filósofo assim é apenas uma síntese de uma obra que se grava na memória dos que tiveram o privilégio de aprender com ele. Ouvir um tal filósofo sabe a triunfo. As centenas de alunos britânicos do Professor Alexandre Pinheiro Torres jamais o esqueceram. Muitos escreveram à família, apresentando sentidas condolências. Quantos professores podem conquistar um aluno para além da morte?

Eu sei como te estimavam, como se divertiam nas tuas prelecções, como os ensinavas a ler, a escrever e a estudar, como tinham por ti aquela admiração especial que costumamos reservar aos professores que de facto mudaram alguma coisa na nossa vida. Foi a Maria Olga, tua companheira sobredivina, quem, com invejável coragem, me deu a notícia do teu desaparecimento. Pressentiste a grande vaga, como dizia o meu avô paterno que vais encontrar aí, no Monte Olimpo, a guardar rebanhos, e ainda pudeste deixar escritas as tuas últimas vontades, que respeitaremos. Ouço e leio as notícias sobre ti. Apesar das boas intenções, lá vão comentando com algumas incorrecções: fazem-te director de um inexistente “Departamento de Literatura Brasileira e Portuguesa” da Universidade de Cardiff, quando sabemos que, uma vez instalado, nunca quiseste dirigir o Departamento de Estudos Hispânicos, por isso significar menos horas de leitura e de escrita; fazem-te fundador da cadeira de Literatura Portuguesa no Reino Unido, quando criaste a primeira cadeira de Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa; e alguns que tu desprezavas com razão, dizem agora que eram teus “amigos”, agora todos são teus “amigos”, quando sabemos que os teus verdadeiros amigos, aqueles que deveras estimavas, foram apenas Carlos de Oliveira e Alexandre O’Neill (apesar da zanga de 15 anos, recordava-lo sempre com grande saudade). Não levarás a mal que aqui deixe algumas confidências, porque é necessário fazer as contas com a história e porque não mereces que se acrescentem mais equívocos à tua própria história. Parece que agora vais ser lembrado acima de tudo pela tua ligação ao neo-realismo, para não falar das insinuações de seres um escritor comunista. Já suspeitávamos. Como vês, de nada te serve teres chegado ao fim da vida cansado destes preconceitos. De nada parece servir o cansaço de suportares esses fardos, quando nem sequer foste alguma vez membro do PCP e o único crime que cometeste foi o de seres compagnon de route de escritores convictamente comunistas. Não é por isto que querias ser lembrado.

Deixa-me dizer ao mundo que pelos menos duas boas outras razões tinham para se lembrarem de ti: primeiro, a responsabilidade do prémio da APE ao Luandino Vieira, o acto maior da tua vida de intelectual, conforme confessaste em jeito de balanço; segundo, a tua obra romanesca, que nada tem a ver com o neo-realismo, se fazem favor. (Ah, se a Caminho te tivesse dado as condições necessárias para publicares o malogrado Dicionário do Neo-Realismo Português, obra por cuja conclusão desesperaste e que fica sem destino, então é que não te livravas mais da condenação neo-realista ad infinitum!). Já não quiseste dar uma oportunidade à APE de te fazer a justiça de pelo menos um dos teus romances merecer o prémio anual, por isso tiveste de assistir desolado a derrotas consecutivas, em favor de romances de que ninguém mais se vai lembrar. Fica a certeza de que te divertiste à brava a escrever todo o Pentateuco Salazarista, porque uma das tuas maiores virtudes foi sempre a de teres um sentido de humor inteligentíssimo, porque o humor foi sempre o estado de espírito da tua escrita. Neste país de sisudos, o riso é pecado mortal.

Como era de esperar, ninguém omite a tua altercação com o Vergílio Ferreira. Trinta anos depois ainda falavas do assunto como um espinho que nunca deixou de incomodar. Fizeste-me uma experiência: antes de eu conhecer os textos da polémica, quiseste saber a minha opinião imparcial sobre o Rumor Branco. E que eu decidisse quem tinha razão. Li e disse-te que não me havia surpreendido com as pseudo-inovações literárias e gramaticais do Almeida Faria. Sem sair deste século, os modernistas ingleses, italianos e portugueses tinham ido muito mais longe nesses experimentalismos. Li depois os textos da polémica e nunca o Vergílio Ferreira contestou tal facto, que para mim era o pomo da discórdia. O resto era um assunto pessoal que não me dizia respeito. A minha conclusão “imparcial” era simples: O Almeida Faria não passava de um aprendiz de Joyce. A história que hoje podemos fazer dos últimos trinta anos dá-te razão, pois Almeida Faria não se tornou o grande escritor que Vergílio Ferreira augurara. O JL bem tentou a reconciliação. Na morte de Vergílio Ferreira, não guardaste ressentimentos. Até nesse momento ganhaste a razão.

Vou continuar a ensinar na Universidade os teus romances, que é a melhor homenagem que se pode fazer a um escritor. Magister dixit. Vou continuar a escrever sobre a tua obra, mesmo que me tenhas dito que isso é “perigoso” e que me arrisco a partilhar a tua maldição. Paciência, o pior que me pode acontecer é exactamente o mesmo que acreditavas acontecer com os teus romances: ninguém os lê! Comprá-los é uma coisa, lê-los é que é difícil. Por isso te encheste de orgulho quando aquela livreira anónima da província te reconheceu e disse ter lido e gostado de O Adeus às Virgens. Na verdade, como dizias, bastava que os milhares de escritores que existem em Portugal se lessem uns aos outros para que as tiragens fossem dignas do esforço da escrita. É precisamente este esforço que é ignorado. Fica-me a boa vaidade com que me falavas dos escritores com quem privaste e com quem partilhaste o labor da escrita: da ajuda crítica para uma boa arrumação das folhas do manuscrito de Barranco de Cegos que o Alves Redol ia afixando nas paredes de casa às leituras privilegiadas que o Carlos de Oliveira te pedia no afã de conseguir uma obra reduzida ao essencial.

E serei tua testemunha do trabalho de campo aturadíssimo que fazias para escrever romances dignos do século. Saberás que o nosso Presidente da República anda atarefadíssimo a distribuir medalhas todas as semanas a ilustríssimos cidadãos portugueses, que não tendo feito por Portugal um décimo do teu trabalho e dedicação de mais de trinta anos, são certamente merecedores de mil honrarias. Dizem que não gostavas do teu País. Só quem não te conheceu de perto pode ajuizar assim tão disparatadamente. Não conheci fora de Portugal português mais fiel à sua pátria — esta é que nunca mereceu a tua abnegação pelas coisas genuinamente portuguesas, esta é que nunca há-de saber avaliar o quanto dignificaste o seu nome numa comunidade que aprendeu a respeitar os intelectuais portugueses com o teu exemplo. Pesa-me a tua herança. Confidenciaste-me todos os segredos da tua escrita. Revelaste-me todos os inéditos e livros “secretos” que guardavas ao abrigo do público, essa entidade divina em que há muito deixaras de acreditar. Não tiveste tempo de acabar as tuas memórias, que já andavam a inquietar muita gente. Querias seguir o bom exemplo de Raul Brandão, mas com mais nervo. Pena é que nem sequer tenhas tido tempo de chegar aos nossos dias, para descanso dos émulos. Ficam muitos arrufos na gaveta que o mundo ainda há-de conhecer, pour épater les bourgois. Eu fico aqui à espreita, a vigiar o mundo como me ensinaste, meu Sócrates privado.

OBRA

POESIA

Quarteto para Instrumentos de Dor, separata do livro Poemas para Florbela, Tip. Martins e Irmäo, Porto (1950)

Novo Génesis, Tip. Martins & Irmão, Porto (1950)

A Voz Recuperada, J. R. Gonçalves, Porto (1953)

A Terra do Meu Pai, Plátano, Lisboa (1972)

O Ressentimento de um Ocidental, Moraes, Lisboa (1981)

A Flor Evaporada, D. Quixote, Lisboa (1984)

Trocar de Século/Century Slip - Poema / A Poem, translated by Dedorah Nickson, Instituto Português do Oriente, Macau (1995)

A Ilha do Desterro, Caminho, Lisboa (2ªed., 1996)


ROMANCE

A Nau de Quixibá, Caminho, Lisboa (1977)

Adaptação teatral pela companhia O Bando, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996, com a participação de artistas são tomenses, numa encenação de Raul Atalaia

Contos, Caminho, Lisboa (1985), com reproduções de João Abel Manta

Tubarões e Peixe Miúdo ou Aventuras de Sacatrapo na Terra dos Fetos, Caminho, Lisboa (1986)

Espingardas e Música Clássica, Caminho, Lisboa (1987)

O Adeus às Virgens, Caminho, Lisboa (1992) 

Sou Toda Sua, Meu Guapo Cavaleiro, Caminho, Lisboa (1994)

A Quarta Invasão Francesa, Caminho, Lisboa (1995)

Vai Alta a Noite, Caminho, Lisboa (1997)

O Meu Anjo Catarina, Caminho, Lisboa (1998)

Amor, só Amor, Tudo Amor, Caminho, Lisboa (1999)


ENSAIO

Romance: O Mundo em Equação, Portugália, Lisboa (1967)

Vida e Obra de José Gomes Ferreira, Bertrand, Amadora, 1975

O Neo-Realismo Literário Português, Moraes, Lisboa (1977)

O Movimento Neo-realista em Portugal na sua Primeira Fase,  Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Lisboa, 1977 (2ª ed., 1983); Le mouvement néo-réaliste au Portugal, trad. Isabel Meyrelles, Sagres-Europa, Bruxelles (1991)

Os Romances de Alves Redol: Ensaio de Interpretação, Moraes, Lisboa (1979)

O Código Científico-Cosmogónico-metafísico de Perseguição (1942) de Jorge de Sena, Moraes, 1980

Ensaios Escolhidos I - Estudos sobre as Literaturas de Língua Portuguesa, Caminho, Lisboa (1990)

Ensaios Escolhidos II - Estudos sobre as Literaturas de Língua Portuguesa, Caminho, Lisboa (1990)

A Paleta de Cesário Verde, Caminho, Lisboa, 2003


TRADUÇÃO

A Conquista do Everest, de Eric Shipton, Civilização, Porto (1959)

A Capital do Mundo e Outras Histórias, de Ernest Hemingway, trad. de Virgínia Motta e Alexandre Pinheiro Torres, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1959]

Um Gato à Chuva, de Ernest Hemingway, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1960]

Viajando na Noruega, de Beth Hogg e Garry Hogg, Civilização, Porto (1960)

Lendas do Mundo Antigo, de Nathaniel Hawthorne, Civilização, Porto (1961)

A Ilha do Tesouro Robert Louis Stevenson, Civilização, Porto (1961)

A Vida Quotidiana na Babilónia e na Assíria, de Georges Coutenau, trad. Leonor de Almeida e de Alexandre Pinheiro Torres, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1961]

O Índio do Packard, de William Saroyan, Guimaräes Editores, Lisboa (1961)

O Raposo, de D.H.Lawrence, Livros do Brasil, Lisboa, [D.L. 1962]

Viajando na Inglaterra, de Geoffrey Trease, Civilização, Porto (1962)

O Mundo das Formas, de Henri Focillon, trad. de Maria José Lagos Trindade e Alexandre Pinheiro Torres, Edições Sousa & Almeida, Porto [D.L. 1962]

Viajando na Suíça, de Mariann Meier, Civilização, Porto (1963)

História de Jenni; O Ouvido do Conde Chesterfield, de  Voltaire, Editora Arcádia, Lisboa (1964)

A Casa na Praia, de Daphne du Maurier, Inova, Porto (1973)

Contos, de Ernest Hemingway trad. de Alexandre Pinheiro Torres e Fernanda Pinto Rodrigues, Livros do Brasil, Lisboa, [1975]

As Torrentes da Primavera, de Ernest Hermingway, trad. de Maria Luísa Osório e Alexandre Pinheiro Torres, Livros do Brasil, Lisboa, [1975]

A Virgem e o Cigano, de D. H. Lawrence, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1961]

Os Cavalos Também se Abatem, de  Horace Maccoy, Europa-América, Mem Martins (1973)

História da Filosofia, de  Julián Marias, 7ª ed., Sousa & Almeida, Porto (1985)

O Mundo que Nós Perdemos, de Peter Laslett, Cosmos, Lisboa (1976)


ANTOLOGIAS

Antologia da poesia brasileira do Padre Anchieta a João Cabral de Melo Neto, 3 vols., Lello & Irmäo, Porto, 1984.

Antologia da Poesia Trovadoresca Galego-portuguesa (sécs. XII-XIV), introd., notas, paráfrases e glossário, 2ª ed., 2 vols., Lello & Irmäo, Porto, 1987

Novo Cancioneiro, Caminho, Lisboa, 1989

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sábado, 24 de janeiro de 2009

Alexandre Herculano

 Alexandre Herculano

Alexandre Herculano de Carvalho Araújo nasceu em Lisboa, a 28 de Março de 1810, no seio de uma família da classe média. O pai, Teodoro Cândido de Araújo, era recebedor da Junta dos Juros. A mãe chamava-se Maria do Carmo de S. Boaventura.

Entre 1820 e 1825 frequentou o colégio dos Oratorianos, mas não chegou a entrar na Universidade, porque em 1827 o pai cegou e teve que abandonar o lugar que ocupava. Pela mesma altura, o avô materno, mestre de obras a trabalhar no palácio da Ajuda, deixou de receber as importâncias de que era credor e não lhe pôde dispensar o apoio necessário.

Fechada essa porta, matriculou-se na Aula de Comércio, em 1830, e frequentou um Curso de Diplomática (estudos de paleografia). Particularmente, estudou também francês, inglês e alemão. Embora o seu conhecimento destas duas últimas línguas não fosse profundo, serviu-lhe pelo menos para avivar a sua receptividade à literatura coeva desses países, o que não era muito frequente em Portugal. Foi nesta altura que começou a familiarizar-se com a literatura romântica da Europa, por influência da Marquesa de Alorna, cujos serões literários frequentou.

Herculano perfilhou sempre uma ideologia conservadora, mas não parece haver razões para seguir a opinião expressa por Teófilo Braga, que afirma ter sido na juventude um miguelista convicto. A verdade é que, em Agosto de 1831, aparece-nos comprometido com uma malograda revolta militar de cariz liberal que o obrigou a procurar refúgio num navio francês, surto no Tejo. Daí saiu para o exílio em Inglaterra e França: primeiro Plymouth, depois Jersey, a seguir Saint Malo e finalmente Rennes. No fundo um percurso semelhante ao de Garrett e outros activistas liberais. Foi exactamente em Rennes que Herculano teve oportunidade de frequentar a biblioteca pública da cidade. Pôde então familiarizar-se melhor com as obras de Thierry, Vítor Hugo e Lamennais.

Tal como Almeida Garrett e outros jovens exilados alistou-se no exército liberal que, no início de 1832, se dirigiu aos Açores e depois ao Porto. Participou no cerco da cidade e destacou-se em várias missões de reconhecimento na região minhota.

Nesta cidade, foi nomeado em 22 de Fevereiro de 1833 para coadjuvar o director da Biblioteca Pública, organizada a partir do acervo da livraria do bispo. Exerceu o cargo até Setembro de 1836, quando pediu a exoneração, por discordar do juramento de fidelidade à Constituição de 1822, que lhe era exigido. Na carta de demissão declara-se fiel à Carta Constitucional. Coerente com as suas convicções políticas, opõe-se ao Setembrismo, que daqui em diante irá combater. Voltou a Lisboa para, através do jornalismo, combater os adversários políticos. É então que publica A Voz do Profeta (1836).

Torna-se redactor principal de O Panorama , editado pela Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, que era então o principal instrumento de divulgação da estética romântica, em Portugal. Foi aí que publicou vários dos seus estudos de natureza histórica e muitas das suas obras literárias, mais tarde editadas em livro: A Abóbada , Mestre Gil , O Pároco de Aldeia , O Bobo e O Monge de Cister .

Ainda nesse ano de 1837 assumiu a responsabilidade da redacção do Diário do Governo , que nesse tempo era apenas um jornal de suporte ao partido no poder. No entanto, pouco tempo depois abandonou o lugar. No ano seguinte publicou A Harpa do Crente .

Em 1839 foi nomeado, por iniciativa do rei D. Fernando, para dirigir a Real Biblioteca da Ajuda e das Necessidades, tendo conservado esse cargo quase até ao fim da vida.

Em 1840 chegou a passar pelo Parlamento, eleito pelo círculo do Porto, como deputado do Partido Cartista (conservador), mas o seu temperamento adequava-se mal à actividade política. As manobras partidárias enojavam-no e sentia dificuldade em falar em público.

A pouco e pouco foi-se afastando da actividade política e dedicando o seu tempo à literatura. Os anos seguintes são de grande produtividade literária. São desta época os seus romances de ambiente histórico. É também na década de 40 que inicia a publicação da sua História de Portugal , seguramente a primeira escrita com preocupação de rigor científico. Aliás, o primeiro volume suscitou de imediato violenta reacção por parte de alguns sectores do clero, por excluir, naturalmente, qualquer intervenção sobrenatural na batalha de Ourique. A polémica sobre esta questão ficou famosa. Note-se que Herculano era católico e politicamente conservador, mas opunha-se à interferência da igreja na vida política nacional. Esse confronto com sectores clericais está também na origem dos seus estudos sobre a Inquisição em Portugal.

Em 1851, voltou por algum tempo à política activa, com o triunfo da Regeneração, chegando a colaborar com o governo, embora por pouco tempo. Mais prolongada foi a sua intervenção cívica através da imprensa. Em 1851 fundou o jornal O País e dois anos depois O Português .

Sócio correspondente da Academia Real das Ciências desde 1844, em 1852 foi admitido como sócio efectivo e eleito vice-presidente em 1855. Em 1853, por encargo da Academia, percorreu o país, inventariando os documentos existentes nos arquivos episcopais e nos mosteiros, preparando aquilo que viria a constituir os Portugaliae Monumenta Historica . Pôde então verificar o estado de abandono a que estava votado a maior parte do acervo documental espalhado pelo país.

Em Março de 1856 Herculano renunciou ao seu lugar na Academia e decidiu abandonar os estudos de natureza histórica. Na origem dessa decisão parece estar o facto de ter sido nomeado guarda-mor da Torre do Tombo Joaquim José da Costa Macedo, com quem ele teria tido desinteligências sérias. Essa pausa foi interrompida no ano seguinte, por entretanto se ter aposentado o referido indivíduo. Pôde assim continuar o trabalho de organização e publicação dos Portugaliae Monumenta Historica .

Herculano participou nos trabalhos de redacção do Código Civil, tendo nessa altura defendido o casamento civil a par do religioso. A proposta era inovadora e suscitou forte reacção. Dessa polémica surgiram os Estudos sobre o Casamento Civil .

Juntamente com Almeida Garrett , é considerado o introdutor do romantismo em Portugal. Os seus primeiros contactos com a literatura ocorreram em ambiente pré-romântico, nos salões da Marquesa de Alorna, onde entrou por mão de António Feliciano de Castilho . Embora Garrett , onze anos mais velho, se tenha adiantado com a publicação no exílio de Camões e D. Branca , consideradas as primeiras obras inequivocamente românticas, podemos considerar Herculano como o teorizador da nova corrente literária, ao nível interno, pelos artigos que publicou no Repositório Literário do Porto. Por outro lado foi ele que introduziu no nosso país o romance histórico, tão característico do romantismo. A inspiração directa veio-lhe naturalmente de Walter Scott e Victor Hugo.

Os seus méritos de cidadão, escritor e estudioso eram reconhecidos quase unanimemente e foram muitas as honrarias que lhe foram oferecidas. Aceitou algumas de natureza científica, mas as distinções honoríficas recusou-as sempre. Recusou mesmo a sua nobilitação, ao contrário de Garrett e Camilo , que, como sabemos, morreram viscondes.

Em 1866 casou e, pouco depois, retirou-se para a sua quinta de Vale de Lobos, próximo de Santarém. Aí permaneceu até ao fim da vida, ocupado com os seus escritos literários e as lides agrícolas. Foi aí que morreu, a 13 de Setembro de 1877.

Alexandre Herculano - obras

Bibliografia :

A Voz do Profeta (poesia) - 1836

A Harpa do Crente (poesia) - 1838

O Fronteiro de África (teatro) - 1838

Os Infantes em Ceuta (teatro) - 1842

O Bobo (romance histórico) - 1843

Apontamentos para a História dos Bens da Coroa e Forais - 1843/44

Eurico, o Presbítero (romance histórico) - 1844

História de Portugal (4 vols) -1846/1853

O Monge de Cister (romance histórico) - 1848

Poesias - 1850

Lendas e narrativas (novelas) - 1851

História da Origens e Estabelecimento da Inquisição em Portugal - 1854/1859

Estudos sobre o Casamento Civil - 1866

Portugaliae Monumenta Historica - 1856/1873

Opúsculos (10 vols) - 1873...

Obras consultadas:  Breve História da Literatura Portuguesa , Texto Editora, Lisboa, 1999

Mais Informação em:

POEMA:

Ai, que és tu, existência?! Um pesadelo,
Um sonho mau, de que se acorda em trevas,
Na vala dos cadáveres, em meio
Da única herança que pertence ao homem,
Um sudário e o perpétuo esquecimento.
(...)
E da pátria a saudade, em sonho triste,
Imóvel, do viver me tece a noite.


Tristezas do Desterro, excerto

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Alexandre Cabral

 Alexandre Cabral

Alexandre Cabral (Lisboa, 17 de Outubro de 1917 - 21 de Novembro de 1996), foi um escritor português.

Biografia

De seu verdadeiro nome José dos Santos Cabral, frequentou o Instituto Profissional dos Pupilos do Exército (actual Instituto Militar dos Pupilos do Exército), mas decidiu empregar-se aos quinze anos, exercendo várias profissões, chegando mesmo a emigrar para o ex-Congo Belga onde permaneceu três anos. Após o seu regresso a Portugal, foi redactor de uma agência noticiosa e esteve ligado à indústria farmacêutica como delegado de propaganda médica e chefe de escritório. Mais tarde empregou-se numa agência de publicidade ao mesmo tempo que frequentava a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas.

Ligado à corrente literária neo-realista acabou por se especializar como grande e profundo conhecedor da obra de Camilo Castelo Branco, a quem dedicou, na anotação, fixação de textos e recolha de vastíssima correspondência e polémicas literárias, dezenas e dezenas de anos de permanente estudo e investigação. Esta atenta dedicação como estudioso e investigador da obra camiliana culminou na elaboração de um importante Dicionário de Camilo, que o impõe como dos maiores e mais competentes especialistas da vastíssima obra daquele autor português.

Além de regular colaboração em revistas e jornais, fez parte dos corpos directivos de importantes instituições ligadas à política ou à cultura, tendo sido elemento preponderante na formação da Sociedade Portuguesa de Escritores, a cuja primeira direcção pertenceu, presidida por Aquilino Ribeiro. Dedicou-se também à actividade de tradutor literário, sendo de destacar o trabalho feito na divulgação em português de obras, entre outros, de Roger Martin du Gard, Anatole France, Claude Roy, Jaroslav Hasek e Mikail Sadoveanu. Prefaciou ainda obras de vários escritores portugueses e tem colaboração dispersa em livros de homenagem ou de intervenção política e cultural, com depoimentos literários de relevante importância. Nos seus primeiros romances usou o pseudónimo Z. Larbak.

Viveu uma boa parte da sua vida no Bairro de São Miguel, mais propriamente na Rua Frei Tomé de Jesus, na freguesia de Alvalade, em Lisboa. Além de escritor e investigador foi também um homem empenhado na luta pela democracia em Portugal.

Foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Dr. Mário Soares.

Alexandre Cabral - Obras

Obras publicadas

Contos e romances
  • 1937 - Cinzas da Nossa Alma
  • 1938 - Contos Sombrios
  • 1942 - O Sol Nascerá um Dia
  • 1947 - Contos da Europa e da África
  • 1949 - Fonte da Telha
  • 1953 - Terra Quente
  • 1955 - Malta Brava
  • 1956 - Histórias do Zaire
  • 1961 - Margem Norte
  • 1970 - Memórias de um Resistente

Peça de teatro
  • 1959 - As Duas Faces

Obras camilianas
  • 1962-1970 - As Polémicas de Camilo (reeditado em 1981-1982)
  • 1978 - Estudos Camilianos
  • 1980 - CCB Roteiro Dramático de um Profissional das Letras
  • 1984 - Correspondência (não concluída)
  • 1986 - Subsidio para uma Interpretação da Novelística Camiliana
  • 1989 - Dicionário de Camilo Castelo Branco

Alexandre Cabral - pt.wikipédia

sábado, 17 de janeiro de 2009

Alberto de Sousa Costa

 

Alberto de Sousa Costa (Vila Pouca de Aguiar, 10 de Maio de 1879 - 11 de Janeiro de 1961) foi um escritor português.

Biografia

Alberto de Sousa Costa era bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra. Em 1911 criou a Tutoria da Infância organismo do Ministério da Justiça que visava julgar todos os processos, cíveis e criminais, relativos aos menores. Junto das Tutorias funcionavam os Refúgios da Tutoria, que asseguravam o acolhimento temporário dos menores com vista à observação das situações que os envolviam. Exerceu o cargo de secretário da Tutoria Central da Infância de Lisboa e, posteriormente, do Tribunal do Comércio.

Na sua carreira literária, dedicou-se ao conto, à novela, ao romance, ao teatro, à crónica, à literatura de viagens e ao ensaio, tendo sido um excelente camilianista. Foi um ficcionista de reconstituição histórica e de pitoresco regional. Os seus cenários preferidos retratavam a burguesia coimbrã e os rurais da região do Douro.

Obras publicadas

Contos e novelas
  • 1907 - Excêntricos
  • 1927 - Canto do Cisne
  • 1931 - Como se Faz um Ladrão

Romances
  • 1914 - Ressurreição dos Mortos
  • 1917 - A Pecadora
  • 1936 - Miss Século XX

Crónicas
  • 1925 - Milagres de Portugal
  • 1936 - Mapa Falado de Portugal

Evocações históricas
  • 1919-30 - Páginas de Sangue (em dois volumes)

Obras teatrais
  • 1921 - Frei Satanás
  • 1923 - A Marquesinha

Ensaio
  • 1959 - Camilo no Drama da Sua Vida

Fonte: pt.wikipédia

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Alberto Pimentel

alberto_pimentel

Alberto Augusto de Almeida Pimentel,  nasceu em Cedofeita na cidade do Porto, a 14 de Abril de 1849, foi escritor e jornalista, amigo de Camilo Castelo Branco, colaborou em inúmeros jornais e revistas, foi "professor na Escola Académica e no Colégio Parisiense, de Lisboa", "inspector das escolas primárias", "administrador do concelho de Portalegre", "redactor da Câmara dos Pares e Deputado". Faleceu em Queluz, Lisboa no ano de 1925.

Alberto Pimentel 1 

Obras

Romances
  • A açucena de ouro : romance, 1925
  • A guerrilha de Frei Simão : romance histórico, 1895
  • A porta do Paraíso : chrónica do reinado de D. Pedro V : romance original, 1873
  • A princesa de Boivão : romance original, 1897
  • As netas do Padre Eterno : romance original, 1895
  • Aventuras de um pretendente pretendido : romance , 1883
  • Flor de Myosótis : romance original, 1886
  • Idílios à beira d'água : romance, 1870
  • O annel mysterioso : scenas da Guerra Peninsular : romance original, 1873
  • O arco de Vandôma : romance, 1916
  • O descobrimento do Brazil : romance original, 1895
  • O lobo da Madragôa : romance original, 1904
  • O melhor casamento : romance
  • O romance da Rainha Mercedes, 1879
  • O segredo de uma alma : romance original, 1893
  • O Testamento do sangue : Romance, 1872
  • Terra prometida : romance, 1918
  • Um conflito na corte : romance histórico

Biografias
  • O Poeta Chiado, 1901
  • Esboço biographico da Senhora Marqueza de Rio Maior, 1897
  • Lopo Vaz de Sampaio e Mello: esboço biographico, 1891
  • O romance do romancista : a vida de Camillo Castello Branco, 1890
  • Vida mundana de um frade virtuoso : perfil histórico do séc. XVII, 1889

Teatro
  • A greve : scena comica, 1878
  • Dispa-se! : comédia em um acto, 1877

Poesia
  • Joaninha : poema em quatro cantos, 1868
  • Lira cívica : poesia anti-ibérica, 1868
  • Lírios : poesias / Alberto Pimentel, 1873
  • O nariz : poesia cómica, 1867
  • Que joven telémaco! : poesia cómica, 1868
  • Rindo... : monólogo em verso, 1887
  • Rosas brancas : poemeto, 1868

Obras políticas
  • A questão das pescarias : projecto de lei : apresentado à Camara dos senhores deputados na sessão de 9 de Março de 1891, 1891

Ensaios/História
  • A musa das revoluções : memória sobre a poesia popular portuguesa nos acontecimentos políticos, 1885
  • A triste canção do sul : subsídios para a história do fado, 1904

Etnografia e tradições populares
  • As alegres canções do norte, 1905
  • A dança em Portugal, 1892
  • Cantares, 1875
  • Espelho de portugueses, 1901

Viagens
  • Guia do viajante na cidade do Porto e seus arrabaldes..., 1877
  • Guia do viajante nos caminhos de ferro do norte em Portugal, 1876
  • Sem passar a fronteira, 1902

Traduções
  • A agonia de Luiz de Camões : romance historico, (trad. Amadeu Tissot) 1880
  • A jornada do medo : romance, (trad. Eric Ambler)
  • A última reportagem: romance, (trad. Thomas Polsky, Tít. orig.: Curtains for the editor)
  • Comei para serdes belas (trad. Benjamin Gaylord Hanser)
  • Memorial da família : romance (trad. Émile Souvestre), 1873
  • Nossa Senhora de Lourdes : obra honrada com um breve especial concedido ao auctor por Sua Santidade o Papa Pio IX (trad. Henrique Lasserre, 1876
  • O degredado : romance (trad. Mery), 1873
  • O primo Pons (trad. Honoré de Balzac)
  • Os elegantes de outro tempo (trad. Xavier de Montépin
  • Ursula Mirouêt (trad. Honoré de Balzac)

Publicações Periódicas
  • Almanach da Livraria Internacional, 1873
  • Manual de legislação usual para uso da Camara dos Dignos Pares do Reino, 1891-1894
  • Revista de Setubal, 1884-1909

Outras (ajude na catalogação)
  • A alma do rei de Thule, 1878
  • A corte de D. Pedro IV, 1896
  • A jornada dos séculos, 1920
  • A praça nova, 1916
  • A primeira mulher de Camilo, 1916
  • A última ceia do Doutor Fausto, 1876
  • A ultima côrte do absolutismo em Portugal, 1893
  • A varanda de Nathercia, 1880
  • Albúm de ensino universal: livro d'instrucção popular, 187-?
  • Arguido à força, 1960
  • As amantes de D. João V : estudos históricos, 1892
  • Atravez do passado, 1888
  • Camillo : anedoctas, históricas e populares : conceitos e críticas, 193-?
  • Cartas da Ericeira : Recordações de um escritor, 1995
  • Cascaes : in sem passar a fronteira, 2000
  • Castellos de cartas, 1898. -1 v
  • Christo não volta : (Resposta ao "Voltareis, ó Christo ?..." de Camillo Castello Branco), 1873
  • Chronicas de viagem, 1888
  • Conferência pedagógica recitada no dia 17 de Abril de 1875, 1876
  • Contos ao correr da pena, 1869
  • Da importancia da historia universal philosophica na esphera dos conhecimentos humanos, 1878
  • Do portal à claraboia, 1872
  • Dom Sebastião : O Rei da Ericeira, 1997
  • Entre o café e o cognac, 1873
  • Figuras humanas, 1905
  • Fitas de animatógrapho, 1909
  • Fotografias de Lisboa, 1874
  • História do culto de Nossa Senhora em Portugal, [pref.1899]
  • Histórias de reis e príncipes, 1890
  • Homenagem ao Principe dos poetas Peninsulares... Luiz de Camões : por ocasião do tri centenario do grande Epico, [19--]
  • Homens e datas, 1875
  • Idyllios dos Reis, 1886
  • João Penha : poeta do Minho, 1893
  • José Carlos dos Santos : na noite do seu benefício no Porto aos 27 de Junho de 1872, 1872
  • Lições de Pedagogia Geral e de História da Educação, [198-]
  • Luar de saudade : recordações de um velho escritor, 1924
  • Manhãs de Cascaes, 1893
  • Memoria sobre a historia e administração do municipio de Setúbal, 1877
  • Memórias do tempo de Camilo, 1913
  • Mysterios da minha rua, 1871
  • Nervosos, lymphaticos e sanguineos, 1872
  • Ninho de guincho, 1903
  • Noites de Cintra, 1892
  • Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo, 1906
  • Notas sôbre o Amor de perdição, 1915
  • O amor e a emoção na mulher, 1944
  • O capote do snr. Braz, 1877
  • O Hospital de Sinfães, 1884
  • O livro das flores : legendas da vida da Rainha Santa, 1874
  • O livro das lágrimas : legendas da vida de Santo António de Lisboa, [1875]
  • O Porto ha trinta annos, 1892
  • O Porto na berlinda : memórias d'uma família portuense, 1894
  • O Porto por fora e por dentro, 1878
  • O que anda no ar, [1881?]
  • O sonho da Rainha, 1900
  • O Torturado de Seide : Camilo Castelo-Branco, 1921
  • O vinho : narrativa popular, [19--]
  • Obras do poeta Chiado, [1889?]
  • Os amores de Camillo : dramas íntimos colhidos na biografia de um grande escritor, 1899
  • Os Callixtos : monologo, 1897
  • Os netos de Camilo, 1901
  • Pedologia, [198-]
  • Peregrinações n'aldea, 1870
  • Photographias de Lisboa, 1874
  • Poetas do Minho, 1893
  • Porfia no serão : poemeto, 1870
  • Portugal de cabelleira, 1875
  • Psíco-Fisiologia, 1916
  • Rainha sem reino : estudo histórico do século XV, 1887
  • Sangue azul : estudos históricos, 18-?
  • Santo Thirso de Riba d'Ave, 1902
  • Seára em flor, 1905
  • Súmula Didáctica : Língua maternal e aritmetica, [198-]
  • Télas antigas, 1906
  • Um contemporaneo do Infante Dom Henrique, 1894
  • Um marido de seis mulheres, 1888
  • Uma visita ao primeiro romancista portuguez em S. Miguel de Seide, 1885
  • Vida de Lisboa, 1900
  • Vinte annos de vida litteraria, 1889
  • Zamperineida : segundo um manuscripto da Bibliotheca Nacional de Lisboa, 1907

Fonte: (OBRAS) - pt.wikipedia

domingo, 11 de janeiro de 2009

Alberto Oliveira Pinto

 alberto oliveira pinto

ALBERTO MANUEL DUARTE DE OLIVEIRA PINTO nasceu em Luanda (Angola) a 8 de Janeiro de 1962. Licenciou-se em Direito em Lisboa, pela Universidade Católica Portuguesa, em 1986. Depois de uma curta passagem pela advocacia trabalhou em várias escolas de Lisboa entre os anos de 1992 e 1998 enquanto animador cultural de Literatura, no âmbito do "Programa de Sensibilização à Criatividade e à Leitura" do Departamento de Educação e Juventude da CML. Passou também por experiências de guionismo de televisão e foi professor em cursos livres de criatividade literária. Tem colaboração dispersa em diversas revistas e jornais angolanos e portugueses e está representado em várias antologias. Prepara tese de Mestrado em História de África na Faculdade de Letras da Univ. de Lisboa, cujo tema é O Confronto da Literatura e da Historiografia Coloniais com a História Oral de Cabinda, com a orientação da Prof.ª Doutora Isabel Castro Henriques e do Prof. Doutor Alfredo Margarido.  Foi distinguido com diversos prémios literários, de que se destacam o "Prémio Revelação" APE, em 1990, com o romance O Senhor de Mompenedo, e o Prémio "Sagrada Esperança" - ao tempo o mais importante prémio literário angolano - com o romance Mazanga em 1998. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e da União dos Escritores Angolanos (UEA). É um dos fundadores e dinamizadores do Centro de Estudos Multiculturais, onde, para além das suas aulas, tem orientado pesquisas sobre temática africana.

livros alberto o pinto 1

Obras

Romances
  • 1990 - Eu à Sombra da Figueira da Índia
  • 1991 - Concerto na Nespereira
  • 1991 - O Saco dos Livros
  • 1992 - O Senhor de Mompenedo
  • 1994 - O Onagro de Sintra
  • 1995 - A Sorte e a Desdita de José Policarpo
  • 1998 - Mazanga
  • 2001 - Travessa do Rosário
Livros juvenis
  • 1991 - A Família dos Paladinos
  • 1991 - A Canção de Rolando
  • 1996 - As Filhas do Olho de Vidro

 

O "REINO" DO MARQUÊS

Este é um romance histórico, que retoma a tradição da reconstituição de um passado nas suas vertentes política, social e a individual. Neste caso, do século XVIII português, mais precisamente da época pombalina. O episódio romanceado é o atentado a D. José. A versão oficial é a de que um grupo de sicários a soldo do duque de Aveiro e dos marqueses de Távora tentou m atar o rei à saída de Lisboa na noite de 3 de Setembro de 1758. O romance retoma o episódio integralmente, como núcleo principal. A personagem principal, José Policarpo de Azevedo, é um dos conspiradores. A escolha ficcional deste conspirador, mais de dois séculos depois, deve-se ao facto do seu percurso constituir uma excepção. Ligado ao marquês de Pombal desde o dia do terramoto de 1755, José Policarpo envolve-se nos acontecimentos do atentado ao rei mas, protegido pelo marquês, é perseguido apenas na aparência, e a sua captura é evitada. Pombal forja uma identidade falsa e José Policarpo parte para o Marão como padre jesuíta, Francisco de Léon, uma identificação que corresponde a um padre dado como morto mas mantido como prisioneiro em segredo. Entretanto, os outros conspiradores vão sendo eliminados.

O modo como o material romanesco surge apresentado é problemático. O romance é escrito em cenas narrativas separadas umas das outras pela menção do local e da data, mas sem uma sequência cronológica, sendo que entre uma e a seguinte se verifica, por vezes, um desfasamento de mais de quinze anos. Ao mesmo tempo, o narrador avança com várias intrigas: os amores de Joana do Pinto, a vida do par Marta Maria e Domingos Famalicão, a velhice do marquês de Angeja, etc. A primeira metade do livro é composta por essas várias intrigas que se desenvolvem de um modo entrecortado, porque todo o romance é feito por cenas sem relação directa entre si, e a paciência do leitor pode não ser tanta quanto o exige a fragmentação do relato das intrigas. Resumindo: é um romance com qualidades que se lê com dificuldade. O leitor tem que recompor partes demasiado dispersas num todo de difícil apreensão.

Convirá, ainda, saber o que o romance ganha com esta organização problemática, que poderia corresponder à necessidade de uma outra interpretação dos acontecimentos narrados ou da época representada; não é o caso. A dispersão cronológica não acrescenta nada, e a narrativa fica à superfície dos factos históricos representados, não demonstrando um trabalho de aprofundamento dos discursos da época quer em sentido literal quer em sentido mais extenso. Ou seja: os discursos das personagens e do narrador não se diferenciam daquilo que um pessoa medianamente culta supõe que eram os discursos da época. Mas uma pesquisa de documentos desse tempo, aupõe-se também, revelaria outros discursos. Além disso, uma época tem o seu próprio modo de pensar a realidade, modo esse que se traduz nos textos escritos (à falta do vivido do tempo). É essa "diferença" estabelecida pela própria textura da época que pode tornar um romance histórico pertinente nos dias de hoje.

Alberto Oliveira Pinto não é um principiante: tem cinco romances publicados (desde 1990) e uma intensa actividade de uma escrita considerada como animação cultural. A quantidade encontra-se assegurada. Talvez seja tempo de repensar a noção de que um romance cria um universo próprio. Aqui, a época representada é frequentemente indiferenciada por lugares-comuns que não foram postos em causa. A não ser que o intuito do autor fosse apenas o de lembrar ao leitor que em tempos houve uma figura polémica, a do marquês de Pombal, que "reinou" em Portugal até 1776. Como propósito de autor de romance, é pouco ambicioso.

Eunice Cabral, em Público, 20/01/1996

Fontes: multiculturas.com

pt.wikipédia

Projecto Vercial

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Agustina Bessa Luís

 

agustina bessa-luis

Biografia

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante em 1922, descendente de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho e de uma família espanhola de Zamora, por parte da mãe. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a obra da escritora. Fixou-se, entretanto, no Porto, onde reside.

Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando até ao momento com mais de meia centena de obras. 

Tem representado as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizado conferências em universidades um pouco por todo o mundo. 

Foi membro do conselho directivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962). 

Entre 1986 e 1987 foi Directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. 

É membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo já sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", atribuído pelo governo francês (1989).

É em 1954, com o romance A Sibila, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Proust e Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.

Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem é amiga e com quem tem trabalhado de perto. Estão neste caso Fanny Owen ("Francisca"), Vale Abraão e As Terras do Risco ("O Convento"), para além de "Party", cujos diálogos foram igualmente escritos pela escritora. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

Recebe aos 81 anos o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões, em 2004.

 

Fonte: mulheres-ps20

obra agustina bessa-luis
Obras publicadas

Ficção
  • 1948 - Mundo Fechado (novela)
  • 1950 - Os Super-Homens (romance)
  • 1951-1953 - Contos Impopulares (romance)
  • 1954 - A Sibila (romance)
  • 1956 - Os Incuráveis (romance)
  • 1957 - A Muralha (romance)
  • 1958 - O Susto (romance)
  • 1960 - Ternos Guerreiros (romance)
  • 1961 - O Manto (romance)
  • 1962 - O Sermão do Fogo (romance)
  • 1964 - As Relações Humanas: I - Os Quatro Rios (romance)
  • 1965 - As Relações Humanas: II - A Dança das Espadas (romance)
  • 1966 - As Relações Humanas: III - Canção Diante de uma Porta Fechada (romance)
  • 1967 - A Bíblia dos Pobres: I - Homens e Mulheres (romance)
  • 1970 - A Bíblia dos Pobres: II - As Categorias (romance)
  • 1971 - A Brusca (contos)
  • 1975 - As Pessoas Felizes (romance)
  • 1976 - Crónica do Cruzado Osb (romance)
  • 1977 - As Fúrias (romance)
  • 1979 - Fanny Owen (romance histórico)
  • 1980 - O Mosteiro (romance)
  • 1983 - Os Meninos de Ouro (romance)
  • 1983 - Adivinhas de Pedro e Inês (romance histórico)
  • 1984 - Um Bicho da Terra (romance histórico, biografia de Uriel da Costa)
  • 1984 - Um Presépio Aberto (narrativa)
  • 1985 - A Monja de Lisboa (romance histórico, biografia de Maria de Visitação)
  • 1987 - A Corte do Norte (romance histórico)
  • 1988 - Prazer e Glória (romance)
  • 1988 - A Torre (conto)
  • 1989 - Eugénia e Silvina (romance)
  • 1991 - Vale Abraão (romance)
  • 1992 - Ordens Menores (romance)
  • 1994 - As Terras do Risco (romance)
  • 1994 - O Concerto dos Flamengos (romance)
  • 1995 - Aquário e Sagitário (narrativa)
  • 1996 - Memórias Laurentinas (romance)
  • 1997 - Um Cão que Sonha (romance)
  • 1998 - O Comum dos Mortais (romance)
  • 1999 - A Quinta Essência (romance)
  • 1999 - Dominga (conto)
  • 2000 - Contemplação Carinhosa da Angústia (antologia)
  • 2001 - O Princípio da Incerteza: I – Jóia de Família (romance)
  • 2002 - O Princípio da Incerteza: II – A Alma dos Ricos (romance)
  • 2003 - O Princípio da Incerteza: III – Os Espaços em Branco (romance)
  • 2004 - Antes de Degelo (romance)
  • 2005 - Doidos e Amantes (romance)
  • 2006 - A ronda da noite (romance)

Biografias
  • 1979 - Santo António
  • 1979 - A Vida e a Obra de Florbela Espanca (biobibliografia)
  • 1979 - Florbela Espanca
  • 1981 - Sebastião José
  • 1982 - Longos Dias Têm Cem Anos – Presença de Vieira da Silva
  • 1986 - Martha Telles: o Castelo Onde Irás e Não Voltarás (ensaio e biografia)

Teatro
  • 1958 - Inseparável ou o Amigo por Testamento
  • 1986 - A Bela Portuguesa
  • 1992 - Estados Eróticos Imediatos de Soren Kierkegaard
  • 1996 - Party: Garden-Party dos Açores – Diálogos
  • 1998 - Garret: O Eremita do Chiado

Crónicas, memórias, textos ensaísticos
  • 1961 - Embaixada a Calígula (relato de viagem)
  • 1979 - Conversações com Dimitri e Outras Fantasias (crónicas)
  • 1980 - Arnaldo Gama – “Gente de Bem”
  • 1981 - A Mãe de um Rio (texto e fotografia)
  • 1981 - Dostoievski e a Peste Emocional
  • 1981 - Camilo e as Circunstâncias
  • 1982 - Antonio Cruz, o Pintor e a Cidade
  • 1982 - D.Sebastião: o Pícaro e o Heroíco
  • 1982 - O Artista e o Pensador como Minoria Social
  • 1984 - ”Menina e Moça” e a Teoria do Inacabado
  • 1986 - Apocalipse de Albrecht Dürer
  • 1987 - Introdução à Leitura de “A Sibila”
  • 1988 - Aforismos
  • 1991 - Breviário do Brasil (diário de viagem)
  • 1994 - Camilo: Génio e Figura
  • 1995 - Um Outro Olhar sobre Portugal (relato de viagem), com fot. de Pierre Rossollin, e il. de Maluda
  • 1996 - Alegria do Mundo I: escritos dos anos de 1965 a 1969
  • 1997 - Douro (texto e fotografia), em colab. com Mónica Baldaque
  • 1998 - Alegria do Mundo II: escritos dos anos de 1970 a 1974
  • 1998 - Os Dezassete Brasões (texto e fotografia)
  • 1999 - A Bela Adormecida
  • 2000 - O Presépio: Escultura de Graça Costa Cabral (texto e fotografia), em colab. com Pedro Vaz
  • 2001 - As Meninas (texto e pintura)
  • 2002 - O Livro de Agustina (autobiografia)
  • 2002 - Azul (divulgação), em colab. com Luísa Ferreira
  • 2002 - As Estações da Vida (texto e fotografia), fot. Jorge Correia Santos
  • 2004 - O Soldado Romano, com il. de Chico

Literatura infantil
  • 1983 - A Memória do Giz, com il. de Teresa Dias Coelho
  • 1987 - Contos Amarantinos, com il. de Manuela Bacelar
  • 1987 - Dentes de Rato, com il. de Martim Lapa
  • 1990 - Vento, Areia e Amoras Bravas, com il. de Mónica Baldaque
  • 2007 - O Dourado, com il. de Helena Simas

Adaptações cinematográficas
  • 1981 - Francisca, real. Manoel de Oliveira, romance Fanny Owen
  • 1993 - Vale Abraão, real. Manoel de Oliveira, romance Vale Abraão
  • 1995 - O Convento, real. Manoel de Oliveira, com Catherine Deneuve e John Malkovich, romance As Terras do Risco
  • 1998 - Inquietude, real. Manoel de Oliveira, conto A Mãe de um Rio, Prémio Globo de Ouro (1999) para a melhor realização
  • 2002 - O Princípio da Incerteza, real. Manoel de Oliveira, romance O Princípio da Incerteza
  • 2005 - Espelho Mágico, real. Manoel de Oliveira, romance A Alma dos Ricos

 

CITAÇÃO:

A Doutrina Perfeita

Muitas vezes as pessoas dirigem-se a mim, dizendo: «você, que é independente». Não sou assim; continuamente devo ceder a pequenas fórmulas sofisticadas que corrompem, que dão um sentido inverso à nossa orientação, que fazem com que a transparência do coração se turve. Continuamente a nossa insegurança, o egoísmo, o espírito legalista, a mesquinhez, a vaidade, toda a espécie de circunstâncias que tomam o partido da vida como desfrute à sensação se sobrepõem à luz interior. Só a fé é independente. Só ela está para além do bem e do mal.

Estar para além do bem e do mal aplica-se a Cristo. «Perdoa ao teu inimigo, oferece a outra face» - disse Ele. Não é um conselho para humilhados, não é um preceito para mártires. Nisso aparece Cristo mal interpretado, a ponto de o cristianismo ter sido considerado uma religião de escravos. Mas esquecemos que Cristo, como Homem, teve a experiência-limite, uma visão do inconsciente absoluto, o que quer dizer que a sua consciência foi saturada, para além do bem e do mal. Esse homem que perdoa ao seu inimigo não o faz por contrariedade do seu instinto, por reparação dos seus pecados; mas porque não pode proceder de outra maneira.


A sua natureza simplificou-se; nada o pode abalar, porque ele desesperou para sempre da sua controvérsia e, possivelmente, da sua humanidade. A agonia do Homem é isto - a sua conversão à luz interior. Qualquer doutrina que professe a luta, seja doutrina social ou religiosa, impõe-se facilmente às massas, porque a luta bloqueia a evolução profunda do homem, a qual é motivo da sua angústia. Um sábio, grande figura bíblica, disse: «A causa do temor não é outra coisa senão a renúncia aos auxílios que procedem da reflexão». Ligados todos por uma igual cadeia de trevas, os homens julgam superar os factos por meio duma acção violenta. Dispersam os seus fantasmas prodigiosos durante algum tempo, mas logo são surpreendidos por inesperados terrores. A melhoria das suas condições de trabalho, o direito ao lazer e à cultura, a protecção à saúde e à velhice, tudo isso foi uma necessidade imposta pelos factos, mas só actua como lei se for manifestado pela reflexão. A doutrina perfeita nem ofende a multidão nem se arroja a seus pés. Não é feita de belas palavras nem dum folclore de atitudes. A natureza combate pelos justos. Essa natureza é a fé.


Agustina Bessa-Luís, in 'Contemplação Carinhosa da Angústia'

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