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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Almeida Garrett

 Almeida Garret

Almeida Garrett

Nome: João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett

Nascimento: 4-2-1799, Porto

Morte: 9-12-1854, Lisboa

Iniciador do Romantismo, refundador do teatro português, criador do lirismo moderno, criador da prosa moderna, jornalista, político, legislador, Garrett é um exemplo de aliança inseparável entre o homem político e o escritor, o cidadão e o poeta. É considerado, por muitos autores, como o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu em 1799 no Porto, no seio de uma família burguesa, que se refugia em 1809 na ilha Terceira, a fim de escapar à segunda invasão francesa. Nos Açores, recebe uma educação clássica e iluminista (Voltaire e Rousseau, que lhe ensinam o valor da Liberdade), orientada pelo tio, Frei Alexandre da Conceição, Bispo de Angra, ele próprio escritor. Em 1817, vai estudar Leis para Coimbra, foco de fermentação das ideias liberais. Em 1820, finalista em Coimbra, recebe com entusiasmo e optimismo a notícia da revolução liberal. Em 1821, representa o Catão e publica em Coimbra O Retrato de Vénus, obras marcadas ainda por um estilo arcádico. Arcádicos são igualmente os poemas que escreve durante este período e que serão insertos, em 1829, na Lírica de João Mínimo. Em 1822, é nomeado funcionário do Ministério do Reino, casa com Luísa Midosi e funda o jornal para senhoras O Toucador. Em 1823, com a reacção miguelista da Vila-Francada, é obrigado a exilar-se em Inglaterra, onde inicia o estudo do Romantismo (inglês), e depois em França, onde se torna correspondente de uma filial da casa Lafitte. Contacta então com a literatura romântica (Byron, Lamartine, Vítor Hugo, Schlegel, Walter Scott, Mme de Staël), redescobre Shakespeare e, influenciado pelas recolhas de cancioneiros populares, começa a preparar o Romanceiro. Em 1825 e 1826, publica em Paris os poemas Camões e Dona Branca, primeiras obras portuguesas de cunho romântico, fruto da metamorfose estética em si operada pelas novas leituras. Em 1826, publica também o Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa, como introdução à antologia de poesia portuguesa Parnaso Lusitano. Em 1826, durante um período de tréguas, regressa a Portugal e mostra-se confiante na Carta Constitucional acordada entre D. Pedro e D. Miguel, mais moderada que o programa vintista. Dedica-se ao jornalismo político nos jornais O Português e O Cronista. Em 1828, depois da retoma do poder absoluto por parte de D. Miguel, exila-se novamente em Inglaterra. Em 1829, publica em Londres a Lírica de João Mínimo e o tratado Da Educação. Em 1830, publica o tratado político Portugal na Balança da Europa, onde analisa a história da crise portuguesa e exorta à unidade e à moderação. Em 1832, parte para a ilha Terceira, incorpora-se no exército liberal, e participa no desembarque em Mindelo. Escreve, durante o cerco do Porto, o romance histórico O Arco de Santana e colabora com Mouzinho da Silveira nas reformas administrativas. Em 1834, é nomeado cônsul-geral em Bruxelas, numa espécie de terceiro exílio motivado pelo cada vez maior desencanto em relação à política portuguesa (a divisão dos liberais, a corrida aos cargos públicos), onde contacta com a língua e a literatura alemãs (Herder, Schiller e Goethe). Também exerceu funções diplomáticas em Londres e em Paris. Em 1836, regressa a Lisboa, separa-se de Luísa Midosi e funda o jornal O Português Constitucional. No mesmo ano, após a Revolução de Setembro, é incumbido pelo governo setembrista de Passos Manuel da organização do Teatro Nacional. Nesse âmbito, desenvolverá uma acção notável, dirigindo a Inspecção Geral dos Teatros e o Conservatório de Arte Dramática, intervindo no projecto do futuro Teatro Nacional de D. Maria II e escrevendo ao longo dos anos seguintes todo um repertório dramático nacional: Um Auto de Gil Vicente (1838), Dona Filipa de Vilhena (1840), O Alfageme de Santarém (1842), Frei Luís de Sousa (1843). É por esta altura que inicia um romance com Adelaide Deville, que morrerá em 1841, deixando-lhe uma filha (episódio que inspirará o Frei Luís de Sousa). Em 1838, torna-se deputado da Assembleia Constituinte e membro da comissão de reforma do Código Administrativo. No ano de 1843 publica o 1.º volume do Romanceiro, uma recolha de poesias de tradição popular. Em 1845, lança o livro de poesias líricas Flores sem Fruto e o 1.º volume do romance histórico O Arco de Sant'Ana. Em 1846, sai em volume o "inclassificável" livro das Viagens na Minha Terra, publicado um ano antes em folhetim na Revista Universal Lisbonense. Com este livro, a crítica considera iniciada a prosa moderna em Portugal. Em 1851, depois de um período de distanciamento face à vida política, regressa com a Regeneração, movimento que prometia conciliação e progresso. Nesse ano, funda o jornal A Regeneração, aceita o título de visconde e reassume o seu papel de deputado, colaborando na proposta de revisão da Carta. Em 1852, torna-se, por pouco tempo, ministro dos Negócios Estrangeiros. Em 1853, publica o livro de poesias líricas Folhas Caídas, recebido com algum escândalo: o poeta era, na época, uma figura pública respeitável (deputado, ministro, visconde), que se atrevia a cantar o amor desafiando todas as convenções, e muitos souberam ver na obra ecos da paixão do autor pela viscondessa da Luz, Rosa de Montufar. Em 1854, morre em Lisboa, aos cinquenta e cinco anos.

Em 1999 comemorou-se o Bicentenário do nascimento de Almeida Garrett, com a realização de conferências, publicações das suas obras, espectáculos, actividades escolares, exposições, entre outros eventos.

Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett

Bibliografia: Da imensa bibliografia de Almeida Garrett salientam-se Catão, 1821 (teatro); Camões, 1825 (poema), D. Branca, 1826 (poema), Adozinda, 1828 (poema); Lírica de João Mínimo, 1829 (poesias); Da Educação, 1829 (ensaio); Portugal na Balança da Europa, 1830 (ensaio); Um Auto de Gil Vicente, 1838 (teatro); Dona Filipa de Vilhena, 1840 (teatro); O Alfageme de Santarém, 1842 (teatro); Frei Luís de Sousa, 1843 (teatro); Romanceiro, 3 vols. 1843, 1851 (poesias); Flores sem Fruto, 1845 (poesias); O Arco de Santana, 2 vols., 1845, 1851 (romance); Viagens na Minha Terra, 1845-1846 (novela); Folhas Caídas, 1853 (poesias)

Fonte: In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-02-06]. Infopédia

 

Outros Links:

 

POEMA

Não te amo, quero-te: o amor vem da alma.
           E eu na alma - tenho a calma,
           A calma - do jazigo.
           Ai! Não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
           E a vida - nem sentida
           A trago eu já, comigo.
           Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
           De um querer bruto e fero
           Que o sangue me devora,
           Não chega ao coração.

(Folhas Caídas – 1853 – excertos)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Almada-Negreiros

 

Allmadanegreiros1917 

Nome: José Sobral de Almada-Negreiros

Nascimento: 7-4-1893, S. Tomé e Príncipe

Morte: 15-6-1970, Lisboa

Artista e escritor polifacetado, José de Almada-Negreiros nasceu a 7 de Abril de 1893, em S. Tomé e Príncipe, e morreu a 15 de Junho de 1970, em Lisboa.

"Pela sua obra plástica, que o classifica entre os primeiros valores da pintura moderna; pela sua obra literária, que vibra de uma igual e poderosa originalidade; pela sua acção pessoal através de artigos e conferências - Almada-Negreiros, pintor, desenhador, vitralista, poeta, romancista, ensaísta, crítico de arte, conferencista, dramaturgo, foi, pode dizer-se que desde 1910, uma das mais notáveis figuras da cultura portuguesa e uma das que mais decisivamente contribuíram para a criação, prestígio e triunfo de uma mentalidade moderna entre nós". Assim apresenta Jorge de Sena, no primeiro volume das Líricas Portuguesas, o homem que, com Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, mais marcou plástica e literariamente a evolução da cultura contemporânea portuguesa

Órfão desde tenra idade, viajou para Lisboa com sete anos para casa de uma tia materna. Frequentou os estudos primários e liceais em Lisboa, no Colégio Jesuítico de Campolide, Liceu de Coimbra e Escola Nacional de Lisboa. Entre 1919 e 1920, seguiu estudos de pintura em Paris, aí trabalhando como bailarino de cabaré e empregado numa fábrica de velas, redigindo na capital francesa muitos dos textos e grafismos que viriam a ser célebres, como o "auto-retrato". Viveu entre 1927 e 1932 em Espanha, onde realizou várias encomendas para particulares e públicos. Embora já tivesse colaborado com textos e grafismos em algumas publicações, como Portugal Artístico ou Ilustração Portuguesa, e tivesse participado com êxito no 1.º Salão do Grupo dos Humoristas Portugueses, é a sua colaboração no número 1 de Orpheu, em 1915, onde publica o texto ainda incompletamente revelador Frizos (A Cena do Ódio, destinada a Orpheu 3, só viria a ser publicada em Contemporânea), que lhe dará a base de lançamento para uma postura iconoclasta (o Manifesto Anti-Dantas, apresentado no mesmo ano, é modelar neste ataque generalizado a uma intelectualidade convencional, burguesa e passadista), tornando-se um dos principais representantes da vertente vanguardista do movimento modernista. Em 1917, participa no projecto Portugal Futurista, publicando nesse órgão do "Comité Futurista de Lisboa", que co-fundara, no mesmo ano, com Santa-Rita, o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, texto que já tinha sido objecto de performance pública, e os os textos simultaneístas Mima Fatáxa e Saltimbancos. Desenvolve paralelamente uma intensa actividade artística, tendo colaborado, com grafismos e com criação literária, em várias publicações, como Diário de Lisboa, Athena, Presença, Revista Portuguesa, Cadernos de Poesia, Panorama, Atlântico, Seara Nova e tendo fundado outras, como os "Cadernos de Almada-Negreiros", SW, onde, em 1935, no primeiro número, tenta equacionar, com o máximo de clareza, as relações entre civilização e cultura, entre arte e política, entre indivíduo e colectividade, aí vindo também a publicar um dos seus vários textos dramáticos, SOS, que, com Deseja-se Mulher, deveria integrar o projecto, originalmente escrito em castelhano, Tragédia da Unidade. Uma análise da obra de Almada-Negreiros não pode deixar de considerar a complementaridade que nela assumem as várias formas de expressão artística, nem de verificar que, independentemente do suporte escolhido (argumento e coreografia de bailados, exposições, happening, produções publicitárias, cinema, jornais manuscritos, telas, frescos, mosaicos, vitrais, painéis de azulejos, palestras radiofónicas, cenários e figurinos, cartões de tapeçaria, etc.), toda a realização artística de Almada se distingue por certos traços comuns, não necessariamente antitéticos, como a graciosidade e a irreverência, a ingenuidade e a inteligência, o populismo e o esteticismo, a abstracção e o concreto. Na tentativa de encontrar a arte poética subjacente à sua actividade exclusivamente literária, Celina Silva considera que a "performance constitui o universal maior de toda a produção" de Almada-Negreiros: "evidenciando-se no literário através da adopção de uma concepção do verbal que é encarada enquanto acção", essa performance verbal que "tanto é típica da postura vanguardista quanto se revela reinstauração do verbal nos seus primórdios [...] implica um exercício da palavra-acção radicada numa postura geradora de uma ficção do eu", ao mesmo tempo que "A espontaneidade e o cunho comunicativo radicam numa ambição totalizante, eivada de optimismo e euforia, que, pela abrangência de que se reveste, aponta para um projecto de alargada recepção, embora projectado por uma elite" (cf. SILVA, Celina - A Busca de Uma Poética da Ingenuidade ou a (Re)Invenção da Utopia (Reflexão Sistematizante acerca da Produção Literária de José de Almada-Negreiros, Porto, Faculdade de Letras, 1992, pp. XIII, XIV). A "poética da ingenuidade" explanada por Celina Silva, anulando qualquer descontinuidade entre a forma linguística do poema, do drama, do texto de intervenção, e a expressão do ensaio, da teoria poética ou filosófica, encontraria numa "sofistificação da simplicidade" (cf. Sena, Jorge de in Obras Completas de Almada Negreiros, vol. I, Lisboa, INCM, 1985, p. 17) o equilíbrio entre poesia e conhecimento, num autor para quem "A Poesia "conhece" e não "sabe" (Prefácio ao Livro de Qualquer Poeta).



Almada-Negreiros. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-02-05].
Infopédia

Obras

  • 1915 - A Cena do Ódio (poesia)
- A Engomadeira (novela)
- O Sonho da Rosa (bailado, realização)
- Manifesto Anti-Dantas e Por Extenso
  • 1916
- Exposição Amadeo de Souza Cardoso - Liga Naval de Lisboa"
  • 1917
- Ultimatum às Gerações Futuristas Portuguesas do Século XX (conferência, publicada na Portugal Futurista)
- K4, O Quadrado Azul (novela)
  • 1918
- O Jardim da Pierrette (bailado)
  • 1919
- Histoire du Portugal par Coeur
  • 1921
- A Invenção do Corpo (conferência)
- A Invenção do Dia Claro
  • 1924
- Pierrot e Arlequim (teatro)
  • 1925
- Nome de Guerra (romance), só editado em 1938
  • 1926
- A Questão dos Painéis (ensaio)

Fonte: pt.wikipédia

POEMA

A Taça de Chá

O luar desmaiava mais ainda uma máscara caida nas esteiras bordadas. E os bambús ao vento e os crysanthemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com elle a advinharem-lhe o fim. Em róda tombávam-se adormecidos os idolos coloridos e os dragões alados. E a gueisha, procelana transparente como a casca de um ovo da Ibis, enrodilhou-se num labyrinto que nem os dragões dos deuses em dias de lagrymas. E os seus olhos rasgados, perolas de Nankim a desmaiar-se em agua, confundiam-se scintillantes no luzidio das procelanas.

Elle, num gesto ultimo, fechou-lhe os labios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se:--Chorar não é remedio; só te peço que não me atraiçoes emquanto o meu corpo fôr quente. Deitou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ella, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Ceu para Elle, e a saltitar foi pelos jardíns a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ella.

Pela manhã vinham os visinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambús, e todos viram acocorada a gueisha abanando o morto com um leque de marfim.

A estampa do pires é igual.


Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'

Mais Links:

  • Obras de José de Almada Negreiros no Projecto Gutenberg
  • A Cena do Ódio (poema)
  • Manifesto Anti-Dantas e Por Extenso
  • Canção da Saudade (poema)
  • Entrevista no Programa Zip-Zip em 1969
  • Retrato de Fernando Pessoa
  • Auto-retrato com o grupo da Brasileira
  • Auto-retrato
  • Almada Negreiros - Vidas Lusófonas
  • Almada Negreiros - set de imagens no Flickr
  • Almada Negreiros – Citador
  • Almada Negreiros – pt.wikipedia

     

     

  • terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

    Alfredo Pimenta

     Alfredo Pimenta

    Alfredo Augusto Lopes Pimenta (Guimarães, 3 de Dezembro de 1882 - 15 de Outubro de 1950) foi um historiador, poeta e escritor português.

    Biografia

    Alfredo Pimenta, filho de Manuel José Lopes Pimenta e de Silvina Rosa, nasceu na Casa de Penouços, em São Mamede de Aldão, Guimarães. Em 1890, a viver em Braga com os seus pais, frequenta o Colégio Académico de Guadalupe. Em 1893 regressa a Guimarães e estuda no Colégio de São Nicolau. Em 1910, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi professor no Liceu Passos Manuel em Lisboa, entre 1911 e 1913. A partir deste ano exerceu funções no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Em 22 de Dezembro de 1931 tornou-se director do Arquivo Municipal de Guimarães. Foi sócio fundador do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia, em 1953 e da Academia Portuguesa de História, em 1937.

    Inicialmente militante anarquista, passa para o republicanismo. Depois da instauração da República, adere ao Partido Republicano Evolucionista. Em 1915 surge como colaborador da revista Nação Portuguesa, órgão de filosofia política do Integralismo Lusitano e acaba por se tornar militante monárquico, tornando-se um destacado doutrinador. Esta passagem para o monarquismo deu-se logo após o golpe de 14 de Maio de 1915, que derrubou o governo de Pimenta de Castro, apoiado pelos evolucionistas. Converte-se depois ao catolicismo. Chega a propor uma conciliação entre as teses de Auguste Comte e o neotomismo. Funda a Acção Realista Portuguesa em 1923, rompendo ideologicamente com o Integralismo Lusitano, a que nunca chegara formalmente a pertencer. Virá a assumir-se como salazarista, e elogia o fascismo e o nazismo. Depois da Segunda Guerra Mundial, faz uma denúncia das perseguições aos nazis, insinuando a existência de campos de concentração entre os Aliados. Foi colaborador do A Voz, onde defende a restauração da monarquia mas como uma espécie de coroamento do Estado Novo, contrastando com a época em que escreveu Mentira Monarchica, em 1906.

    Foi um teórico político e historiador reputado, sendo que a sua obra mais perdurável situou-se no campo da história, sobretudo na Idade Média.

    Algumas obras publicadas

    Poesia
    • 1912 - Na Torre da Ilusão
    • 1914 - Alma Ajoelhada

    Ensaios
    • 1906 - Mentira Monarchica
    • 1934 - História de Portugal
    • 1936 - D. João III
    • 1937 - Subsídios Para a História de Portugal
    • 1937-1948 - Estudos Históricos (série de 25 pequenos ensaios)

    Fonte: pt.wikipedia

    segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

    Alfredo Margarido

     

    Nome: Alfredo Augusto Margarido

    Nascimento: 1928, Moimenta, Vinhais

    Ficcionista, poeta e ensaísta, tradutor de Anouilh, Faulkner, James Joyce, Steinbeck, Dylan Thomas, Nietzche, Saint-John Perse, Kafka, entre muitos outros autores, Alfredo Margarido desenvolveu numerosos trabalhos de investigação literária em torno de Pessoa e da literatura africana de expressão portuguesa, tendo ainda colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia, Jornal do Fundão, Jornal de Letras, Persona, ou Colóquio/Letras. Radicado desde 1964 em Paris, onde desenvolveu as actividades de investigador na École des Hautes Études e de docente na Sorbonne, deve-se à convivência com a cultura e literatura francesas a divulgação em Portugal do movimento nouveau roman, teorizado, com Artur Portela Filho, em O Novo Romance (1963) (seguido da tradução, no ano seguinte, dos textos teóricos reunidos por Nathalie Sarraute em A Era da Suspeita) e cujas marcas influirão sobre a sua prática romanesca. Com efeito, verifica-se no conjunto da sua obra ficcional uma tendência para uma "dissolução do acontecimento e do espaço romanesco na memória obsessiva e predominantemente objectual das personagens." (SEIXO, Maria Alzira, Portugal - A Terra e o Homem, 2.ª série, vol. II, p. 197). A poesia de Alfredo Margarido, revelada na época de 50, sugere, em Poemas com Rosas, as influências de Pessoa e de Rilke (cf. MARTINHO, Fernando J. B., p. 228), enquanto o Poema para uma Bailarina Negra, de 1958, composto aquando de uma estada em Luanda, se insere na prática de escrita surrealista, tendo aliás alguns textos do autor sido posteriormente inseridos na Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito organizada por Mário de Cesariny, em 1961.

    Bibliografia:

    No Fundo deste Canal, Lisboa, 1960;

    A Centopeia, Lisboa, 1963;

    As Portas Ausentes: Romance, Lisboa, 1963;

    Poemas com Rosas, s/l, 1953;

    Poemas para uma Bailarina Negra, Porto, 1958;

    Teixeira de Pascoaes, Lisboa, 1961;

    O Novo Romance (com Artur Portela Filho), Lisboa, 1962;

    Negritude e Humanismo, Lisboa, 1964;

    Jean-Paul Sartre, Lisboa, 1965;

    Marânus: uma Linguagem Poética quase Niilista, Lisboa, 1976;

    Alguns Comentários em Torno de Jorge de Sena, Paris, 1978;

    Les Afro-américains et les Africains dans les Poésies de Langue Portugaise: XVIII-XIX, Paris, 1979;

    Estudos sobre Literaturas das Nações Africanas de Expressão Portuguesa, Lisboa, 1980;

    Les Relations Culturelles du Côté du Corps: la Nourriture et le Vêtement, Paris, 1983;

    Quelques Problèmes Posés par la Lecture du Roman Neo-Realiste, Paris, 1984;

    La Vision de L'Autre (Africain et Indien d'Amérique) dans la Renaissance Portugaise, Paris, 1984;

    La Difficile Digestion du Nouveau Roman par la critique Portugaise, Paris, 1984;

    Les Difficultés de la Structuration des Histoires des Littératures des Pays Africains de Langue Officielle Portugaise, Paris, 1985;

    33 + 9 Leituras Plásticas de Fernando Pessoa, Porto, 1988


    Alfredo Margarido. In Infopédia [Em linha].

    Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-01-31].

    Link: Alfredo Margarido – Infopédia

    Outras Ligações:

    sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

    Alexandre Vargas

     AlexandreVargas

    Alexandre Vargas ( Lisboa, 31 de Dezembro, de 1952) é um escritor português, licenciado em filologia românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Está representado em antologias e tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas.

    Obra

    • Morta a sua Fala, Iniciativas Editoriais, 1977;
    • Cyborg, Livros Horizonte, 1979;
    • Vento de Pedra, Moraes Editores, 1981;
    • Organum, Fenda Edições, 1984;
    • Múltiplos de Três, Autores, 1997;
    • Lua Cisterna, & etc, 1984.

    Traduções
    • Patti Smith (“Witt”, Assírio & Alvim, 1983),
    • Peter Hammill (“Camaleão na Sombra da Noite”, Assírio & Alvim, 1990), *Lewis Carroll, Yasmina Reza, Pier Paolo Pasolini, Amélie Nothomb e Xavier Durringer.

    Fonte: Alexandre Vargas – pt.wikipédia

    Outros Links:

    POEMA:

    ERA UM DIA DE OUTONO NEVOEIRO...

    Era um dia de outono nevoeiro,

    eu caminhava ao longo de uma costa

    por mar batida, num carreiro,

    depois de fazer parar a mala-posta.

    Um pouco afastadas da falésia

    algumas árvores meditavam ao ar livre,

    aproximei-me: logo ali, sob uma delas,

    encontrei a folha que faltava no meu livro.

    Tratava-se de um volume de epístolas

    arrumadas entre cartas de jogar,

    cerrado ao peito como uma pistola

    ás de copas recolhi para disparar.

    A noite ia passar naquelas bandas,

    já lobrigara estalagem o cocheiro

    marcara quarto simples na “Old England”

    de cuja ceia rescendia sóbrio cheiro.

    Depois da janta adormeci sobre a lareira

    de “whiskey” e charutos carta ao fogo,

    logo para a mesa estalajadeira,

    refeito, me conduziu a novo jogo.

    O cocheiro dormia agora a sono solto

    bebidas “pints” outro ás ganhava belo

    sonhei que partia para o monte

    a câmara rubra levou ela contarelo:

    “Arcelo, Arcelo,

    deita o teu cabelo

    cá abaixo de repente,

    quero subir imediatamente!”

    Era uma narrativa popular

    que subia, à torre subia e subia

    o tempo a desenrolar-

    -me a estalajadeira e o fâmulo na via.

    (1999) – Tirado do Site Oficial

    quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

    Alexandre Pinheiro Torres

     

    alexandre pinheiro torres 

    Nasceu em Amarante em 1921. Licenciado em Letras pela Universidade de Coimbra, foi, em 1965, convidado pela Universidade de Cardiff, na qual se viria a tornar catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira. O facto político-cultural que o levou ao exílio conta-se entre os gestos de que mais se orgulhara em toda a sua vida: em 1965 é nomeado membro do Júri do Grande Prémio de Ficção atribuído pela Sociedade Portuguesa de Escritores e propõe a atribuição de tal prémio ao livro Luuanda, de Luandino Vieira, que à data estava preso no Tarrafal, acusado de terrorismo. A atitude levou Salazar a proíbi-lo de ensinar em Portugal, obrigando-o ao desterro em Cardiff, onde foi recebido de braços abertos por um professor que o marcaria profundamente: Stephen Reckert. Em 1970 fundou a primeira cadeira independente de Literatura Africana de Língua Portuguesa Portuguesa em universidades inglesas. Historiador de literatura, crítico literário, poeta, romancista, tem igualmente uma vasta produção espalhada por jornais e revistas portugueses. Foi ainda distinguido com vários prémios nas áreas da poesia e do ensaio, dos quais se destacam: Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores; Prémio de Ensaio Jorge de Sena da Associação de Escritores e Prémio de Ensaio Ruy Belo. Foi eleito membro da Academia Maranhense de Letras de São Luís do Maranhão, no Brasil e recebeu ainda o título de Cidadão Honorário de São Tomé e Príncipe. Morreu em Agosto de 1999, vítima de doença prolongada, já reformado da Universidade Cardiff, onde deixou um testemunho de vida e de profissionalismo académico que nunca se apagará.


    Preito

    Alexandre Pinheiro Torres (1921-1999), tradutor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta, professor de literatura portuguesa, literatura brasileira e literaturas africanas de expressão portuguesa, foi o maior filósofo peripatético que conheci. Dávamos grandes passeios ao domingo em Roath Park, um dos muitos parques de Cardiff, que o Alexandre não dispensava nas suas saudáveis passeatas meditativas. Cada caminhada valia um curso de literatura viva. Cada passo era devidamente medido pelo ritmo seguro da memória de um escritor que conheceu de perto alguns dos melhores escritores portugueses deste século, mas que com eles não partilha a mesma fama. Injustamente. O melhor elogio que posso fazer a um escritor que também foi professor é dizer que ele foi antes um notável professor que também foi escritor. Chegara eu a Cardiff em 1990 e o Alexandre resolveu adoptar-me como seu discípulo. Eu trazia na bagagem a pobre experiência de um jovem professor do ensino secundário formado na Faculdade de Letras de Lisboa. Desconfiado, o Alexandre quis ver primeiro com que linhas eu cosia o meu discurso. Na altura, eu julgava-me poeta e logo me aconselhou a desistir da ideia, tão debilitados eram os meus versos. (Agradeça-se de coração aberto a quem nos diz em boa hora que o que fazemos não tem futuro.) Queria então ser ensaísta e investigador e apresentei-lhe um primeiro texto para uma tese de doutoramento sobre a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen. O comentário foi iluminado: “Isto é uma merda! Vai esquecer tudo o que aprendeu na Faculdade de Letras, vai meter o estruturalismo na gaveta, e vamos começar tudo de novo. Primeiro é preciso reler os clássicos.” E assim me reeduquei. Hoje todos recordam mais o crítico literário e o escritor do que o professor Alexandre Pinheiro Torres. Porque este poucos portugueses conheceram e é pena, porque era o melhor de todos. Sempre senti que a obra literária de Alexandre Pinheiro Torres não iria nunca fazer justiça ao seu saber prático e livresco, quando o seu magistério era deveras singular. Só conheci outro filósofo assim, Agostinho da Silva, cujo saber estava sobretudo naquilo que dizia. A escrita de um filósofo assim é apenas uma síntese de uma obra que se grava na memória dos que tiveram o privilégio de aprender com ele. Ouvir um tal filósofo sabe a triunfo. As centenas de alunos britânicos do Professor Alexandre Pinheiro Torres jamais o esqueceram. Muitos escreveram à família, apresentando sentidas condolências. Quantos professores podem conquistar um aluno para além da morte?

    Eu sei como te estimavam, como se divertiam nas tuas prelecções, como os ensinavas a ler, a escrever e a estudar, como tinham por ti aquela admiração especial que costumamos reservar aos professores que de facto mudaram alguma coisa na nossa vida. Foi a Maria Olga, tua companheira sobredivina, quem, com invejável coragem, me deu a notícia do teu desaparecimento. Pressentiste a grande vaga, como dizia o meu avô paterno que vais encontrar aí, no Monte Olimpo, a guardar rebanhos, e ainda pudeste deixar escritas as tuas últimas vontades, que respeitaremos. Ouço e leio as notícias sobre ti. Apesar das boas intenções, lá vão comentando com algumas incorrecções: fazem-te director de um inexistente “Departamento de Literatura Brasileira e Portuguesa” da Universidade de Cardiff, quando sabemos que, uma vez instalado, nunca quiseste dirigir o Departamento de Estudos Hispânicos, por isso significar menos horas de leitura e de escrita; fazem-te fundador da cadeira de Literatura Portuguesa no Reino Unido, quando criaste a primeira cadeira de Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa; e alguns que tu desprezavas com razão, dizem agora que eram teus “amigos”, agora todos são teus “amigos”, quando sabemos que os teus verdadeiros amigos, aqueles que deveras estimavas, foram apenas Carlos de Oliveira e Alexandre O’Neill (apesar da zanga de 15 anos, recordava-lo sempre com grande saudade). Não levarás a mal que aqui deixe algumas confidências, porque é necessário fazer as contas com a história e porque não mereces que se acrescentem mais equívocos à tua própria história. Parece que agora vais ser lembrado acima de tudo pela tua ligação ao neo-realismo, para não falar das insinuações de seres um escritor comunista. Já suspeitávamos. Como vês, de nada te serve teres chegado ao fim da vida cansado destes preconceitos. De nada parece servir o cansaço de suportares esses fardos, quando nem sequer foste alguma vez membro do PCP e o único crime que cometeste foi o de seres compagnon de route de escritores convictamente comunistas. Não é por isto que querias ser lembrado.

    Deixa-me dizer ao mundo que pelos menos duas boas outras razões tinham para se lembrarem de ti: primeiro, a responsabilidade do prémio da APE ao Luandino Vieira, o acto maior da tua vida de intelectual, conforme confessaste em jeito de balanço; segundo, a tua obra romanesca, que nada tem a ver com o neo-realismo, se fazem favor. (Ah, se a Caminho te tivesse dado as condições necessárias para publicares o malogrado Dicionário do Neo-Realismo Português, obra por cuja conclusão desesperaste e que fica sem destino, então é que não te livravas mais da condenação neo-realista ad infinitum!). Já não quiseste dar uma oportunidade à APE de te fazer a justiça de pelo menos um dos teus romances merecer o prémio anual, por isso tiveste de assistir desolado a derrotas consecutivas, em favor de romances de que ninguém mais se vai lembrar. Fica a certeza de que te divertiste à brava a escrever todo o Pentateuco Salazarista, porque uma das tuas maiores virtudes foi sempre a de teres um sentido de humor inteligentíssimo, porque o humor foi sempre o estado de espírito da tua escrita. Neste país de sisudos, o riso é pecado mortal.

    Como era de esperar, ninguém omite a tua altercação com o Vergílio Ferreira. Trinta anos depois ainda falavas do assunto como um espinho que nunca deixou de incomodar. Fizeste-me uma experiência: antes de eu conhecer os textos da polémica, quiseste saber a minha opinião imparcial sobre o Rumor Branco. E que eu decidisse quem tinha razão. Li e disse-te que não me havia surpreendido com as pseudo-inovações literárias e gramaticais do Almeida Faria. Sem sair deste século, os modernistas ingleses, italianos e portugueses tinham ido muito mais longe nesses experimentalismos. Li depois os textos da polémica e nunca o Vergílio Ferreira contestou tal facto, que para mim era o pomo da discórdia. O resto era um assunto pessoal que não me dizia respeito. A minha conclusão “imparcial” era simples: O Almeida Faria não passava de um aprendiz de Joyce. A história que hoje podemos fazer dos últimos trinta anos dá-te razão, pois Almeida Faria não se tornou o grande escritor que Vergílio Ferreira augurara. O JL bem tentou a reconciliação. Na morte de Vergílio Ferreira, não guardaste ressentimentos. Até nesse momento ganhaste a razão.

    Vou continuar a ensinar na Universidade os teus romances, que é a melhor homenagem que se pode fazer a um escritor. Magister dixit. Vou continuar a escrever sobre a tua obra, mesmo que me tenhas dito que isso é “perigoso” e que me arrisco a partilhar a tua maldição. Paciência, o pior que me pode acontecer é exactamente o mesmo que acreditavas acontecer com os teus romances: ninguém os lê! Comprá-los é uma coisa, lê-los é que é difícil. Por isso te encheste de orgulho quando aquela livreira anónima da província te reconheceu e disse ter lido e gostado de O Adeus às Virgens. Na verdade, como dizias, bastava que os milhares de escritores que existem em Portugal se lessem uns aos outros para que as tiragens fossem dignas do esforço da escrita. É precisamente este esforço que é ignorado. Fica-me a boa vaidade com que me falavas dos escritores com quem privaste e com quem partilhaste o labor da escrita: da ajuda crítica para uma boa arrumação das folhas do manuscrito de Barranco de Cegos que o Alves Redol ia afixando nas paredes de casa às leituras privilegiadas que o Carlos de Oliveira te pedia no afã de conseguir uma obra reduzida ao essencial.

    E serei tua testemunha do trabalho de campo aturadíssimo que fazias para escrever romances dignos do século. Saberás que o nosso Presidente da República anda atarefadíssimo a distribuir medalhas todas as semanas a ilustríssimos cidadãos portugueses, que não tendo feito por Portugal um décimo do teu trabalho e dedicação de mais de trinta anos, são certamente merecedores de mil honrarias. Dizem que não gostavas do teu País. Só quem não te conheceu de perto pode ajuizar assim tão disparatadamente. Não conheci fora de Portugal português mais fiel à sua pátria — esta é que nunca mereceu a tua abnegação pelas coisas genuinamente portuguesas, esta é que nunca há-de saber avaliar o quanto dignificaste o seu nome numa comunidade que aprendeu a respeitar os intelectuais portugueses com o teu exemplo. Pesa-me a tua herança. Confidenciaste-me todos os segredos da tua escrita. Revelaste-me todos os inéditos e livros “secretos” que guardavas ao abrigo do público, essa entidade divina em que há muito deixaras de acreditar. Não tiveste tempo de acabar as tuas memórias, que já andavam a inquietar muita gente. Querias seguir o bom exemplo de Raul Brandão, mas com mais nervo. Pena é que nem sequer tenhas tido tempo de chegar aos nossos dias, para descanso dos émulos. Ficam muitos arrufos na gaveta que o mundo ainda há-de conhecer, pour épater les bourgois. Eu fico aqui à espreita, a vigiar o mundo como me ensinaste, meu Sócrates privado.

    OBRA

    POESIA

    Quarteto para Instrumentos de Dor, separata do livro Poemas para Florbela, Tip. Martins e Irmäo, Porto (1950)

    Novo Génesis, Tip. Martins & Irmão, Porto (1950)

    A Voz Recuperada, J. R. Gonçalves, Porto (1953)

    A Terra do Meu Pai, Plátano, Lisboa (1972)

    O Ressentimento de um Ocidental, Moraes, Lisboa (1981)

    A Flor Evaporada, D. Quixote, Lisboa (1984)

    Trocar de Século/Century Slip - Poema / A Poem, translated by Dedorah Nickson, Instituto Português do Oriente, Macau (1995)

    A Ilha do Desterro, Caminho, Lisboa (2ªed., 1996)


    ROMANCE

    A Nau de Quixibá, Caminho, Lisboa (1977)

    Adaptação teatral pela companhia O Bando, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996, com a participação de artistas são tomenses, numa encenação de Raul Atalaia

    Contos, Caminho, Lisboa (1985), com reproduções de João Abel Manta

    Tubarões e Peixe Miúdo ou Aventuras de Sacatrapo na Terra dos Fetos, Caminho, Lisboa (1986)

    Espingardas e Música Clássica, Caminho, Lisboa (1987)

    O Adeus às Virgens, Caminho, Lisboa (1992) 

    Sou Toda Sua, Meu Guapo Cavaleiro, Caminho, Lisboa (1994)

    A Quarta Invasão Francesa, Caminho, Lisboa (1995)

    Vai Alta a Noite, Caminho, Lisboa (1997)

    O Meu Anjo Catarina, Caminho, Lisboa (1998)

    Amor, só Amor, Tudo Amor, Caminho, Lisboa (1999)


    ENSAIO

    Romance: O Mundo em Equação, Portugália, Lisboa (1967)

    Vida e Obra de José Gomes Ferreira, Bertrand, Amadora, 1975

    O Neo-Realismo Literário Português, Moraes, Lisboa (1977)

    O Movimento Neo-realista em Portugal na sua Primeira Fase,  Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Lisboa, 1977 (2ª ed., 1983); Le mouvement néo-réaliste au Portugal, trad. Isabel Meyrelles, Sagres-Europa, Bruxelles (1991)

    Os Romances de Alves Redol: Ensaio de Interpretação, Moraes, Lisboa (1979)

    O Código Científico-Cosmogónico-metafísico de Perseguição (1942) de Jorge de Sena, Moraes, 1980

    Ensaios Escolhidos I - Estudos sobre as Literaturas de Língua Portuguesa, Caminho, Lisboa (1990)

    Ensaios Escolhidos II - Estudos sobre as Literaturas de Língua Portuguesa, Caminho, Lisboa (1990)

    A Paleta de Cesário Verde, Caminho, Lisboa, 2003


    TRADUÇÃO

    A Conquista do Everest, de Eric Shipton, Civilização, Porto (1959)

    A Capital do Mundo e Outras Histórias, de Ernest Hemingway, trad. de Virgínia Motta e Alexandre Pinheiro Torres, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1959]

    Um Gato à Chuva, de Ernest Hemingway, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1960]

    Viajando na Noruega, de Beth Hogg e Garry Hogg, Civilização, Porto (1960)

    Lendas do Mundo Antigo, de Nathaniel Hawthorne, Civilização, Porto (1961)

    A Ilha do Tesouro Robert Louis Stevenson, Civilização, Porto (1961)

    A Vida Quotidiana na Babilónia e na Assíria, de Georges Coutenau, trad. Leonor de Almeida e de Alexandre Pinheiro Torres, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1961]

    O Índio do Packard, de William Saroyan, Guimaräes Editores, Lisboa (1961)

    O Raposo, de D.H.Lawrence, Livros do Brasil, Lisboa, [D.L. 1962]

    Viajando na Inglaterra, de Geoffrey Trease, Civilização, Porto (1962)

    O Mundo das Formas, de Henri Focillon, trad. de Maria José Lagos Trindade e Alexandre Pinheiro Torres, Edições Sousa & Almeida, Porto [D.L. 1962]

    Viajando na Suíça, de Mariann Meier, Civilização, Porto (1963)

    História de Jenni; O Ouvido do Conde Chesterfield, de  Voltaire, Editora Arcádia, Lisboa (1964)

    A Casa na Praia, de Daphne du Maurier, Inova, Porto (1973)

    Contos, de Ernest Hemingway trad. de Alexandre Pinheiro Torres e Fernanda Pinto Rodrigues, Livros do Brasil, Lisboa, [1975]

    As Torrentes da Primavera, de Ernest Hermingway, trad. de Maria Luísa Osório e Alexandre Pinheiro Torres, Livros do Brasil, Lisboa, [1975]

    A Virgem e o Cigano, de D. H. Lawrence, Livros do Brasil, Lisboa [D.L. 1961]

    Os Cavalos Também se Abatem, de  Horace Maccoy, Europa-América, Mem Martins (1973)

    História da Filosofia, de  Julián Marias, 7ª ed., Sousa & Almeida, Porto (1985)

    O Mundo que Nós Perdemos, de Peter Laslett, Cosmos, Lisboa (1976)


    ANTOLOGIAS

    Antologia da poesia brasileira do Padre Anchieta a João Cabral de Melo Neto, 3 vols., Lello & Irmäo, Porto, 1984.

    Antologia da Poesia Trovadoresca Galego-portuguesa (sécs. XII-XIV), introd., notas, paráfrases e glossário, 2ª ed., 2 vols., Lello & Irmäo, Porto, 1987

    Novo Cancioneiro, Caminho, Lisboa, 1989

    Mais Ligações:

    terça-feira, 27 de janeiro de 2009

    Alexandre O'Neill

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    Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill de Bulhões (Lisboa, 19 de Dezembro de 1924 — 21 de Agosto de 1986), ou simplemente Alexandre O'Neill, descendente de irlandeses, foi um importante poeta do movimento surrealista em Portugal fundador do Movimento Surrealista de Lisboa. Foi várias vezes preso pela polícia política, a PIDE.

    Biografia

    As suas primeiras influências surrealistas surgem no ano de 1947, quando contacta com Mário Cesariny. Em 1948, fundam o Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com José Augusto França, António Pedro e Vespeira. Este grupo depressa se divide em dois e dá origem ao Grupo Surrealista Dissidente, com personalidades como António Maria Lisboa e Pedro Oom. Também este grupo se dissolve poucos anos depois, mas as influências surrealistas permanecem visíveis nas obras de Alexandre O'Neill.

    Alexandre O'Neill, não conseguindo viver apenas da sua arte, alargou a sua acção à publicidade.Tem a autoria do lema publicitário Há mar e mar, há ir e voltar.

    Publicou dois livros em prosa narrativa, As Andorinhas não Têm Restaurante (1970) e Uma Coisa em Forma de Assim (1980, volume de crónicas), e as Antologias Poéticas de Gomes Leal e de Teixeira de Pascoaes (em colaboração com F. Cunha Leão), de Carl Sandburg e João Cabral de Melo Neto. Gravou o disco «Alexandre O'Neill Diz Poemas de Sua Autoria». Em 1966, foi traduzido e publicado na Itália, pela Editora Einaudi, um volume da sua poesia, Portogallo Mio Rimorso. Recebeu, em 1982, o Prémio da Associação de Críticos Literários.

    Obras

    • Tempo de Fantasmas (1951)
    • No Reino da Dinamarca (1958)
    • Abandono Vigiado (1960)
    • Poemas com Endereço (1962)
    • Feira Cabisbaixa (1965)
    • De Ombro na Ombreira (1969)
    • As Andorinhas Não Têm Restaurante (1970), em prosa narrativa
    • Entre a Cortina e a Vidraça (1972)
    • A Saca de Orelhas (1979)
    • Uma Coisa em Forma de Assim (1980), em prosa narrativa
    • As Horas Já de Números Vestidas (1981)
    • Dezanove Poemas (1983)
    • O Princípio da Utopia (1986)

    Outros Links

    Fonte: pt.wikipedia

    POEMA

    Mal nos conhecemos
    Inauguramos a palavra amigo!
    Amigo é um sorriso
    De boca em boca,
    Um olhar bem limpo
    Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
    Um coração pronto a pulsar
    Na nossa mão!
    Amigo (recordam-se, vocês aí,
    Escrupulosos detritos?)
    Amigo é o contrário de inimigo!
    Amigo é o erro corrigido,
    Não o erro perseguido, explorado.
    É a verdade partilhada, praticada.
    Amigo é a solidão derrotada!
    Amigo é uma grande tarefa,
    Um trabalho sem fim,
    Um espaço útil, um tempo fértil,
    Amigo vai ser, é já uma grande festa!

    segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

    Egito Gonçalves

     

    Egito Goncalves

    Nome: José Egito de Oliveira Gonçalves

    Nascimento: 8-4-1922, Matosinhos

    Morte: 29-1-2001, Porto

    Exerceu várias actividades profissionais, desde funções comerciais, a tradutor e jornalista. Figura reconhecida nos meios poéticos da década de 50, Egito Gonçalves esteve ligado a publicações onde se revelaram e afirmaram alguns dos maiores poetas da época contemporânea: fundou e dirigiu, no Porto, A Serpente ; participou na direcção do último número da revista Árvore ; foi co-director e um dos principais responsáveis de Notícias do Bloqueio ; dinamizador da colecção "Germinal"; um dos fundadores do Teatro Experimental do Porto; correspondente em Portugal do "Centre International d'Études Poétiques". Conhecida pelo seu cunho combativo e intencionalidade social, a poesia de Egito Gonçalves encontra muitas vezes no diálogo e apelo a um interlocutor não nomeado a situação comunicativa privilegiada para aludir de forma irónica ou diferida a contextos históricos, encontrando nessa mediação o distanciamento preciso para que a sua voz não ceda à expressão sentimental de um lirismo motivado por situações trágicas. Esse discurso dirigido a um tu, mensageiro do bloqueio e da resistência ("Vai pois e noticia com um archote / aos que encontrares de fora das muralhas / o mundo em que nos vemos, poesia / massacrada e medos à ilharga" ("Notícias do Bloqueio" in A Viagem com o teu Rosto ), ou companheira cujos "ombros nus são a evasão possível" ("Localização", in A Evasão Possível ), evolui também, sem rejeitar uma imagética de teor surrealista, para o discurso de um nós, que conhece uma situação colectiva de mordaça e paz absurda ("Morremos pouco a pouco neste vácuo / que a solidão nos serve como leito", in Os Arquivos do Silêncio ), mas que não recua, esperando o momento em que lhe será restituída a dignidade: "Este cemitério é vasto e sem muros. / Aí nos situamos; e entre nós / há esta só diferença: nós podemos / fazer ainda a vida acontecer." ("Colóquio com um Fuzilado", in Os Arquivos do Silêncio ).

    Bibliografia: Poema para os Companheiros da Ilha, Porto, 1950; Um Homem na Neblina, Porto, 1950; A Evasão Possível, Porto, 1952; O Vagabundo Decepado, Porto, 1957; A Viagem com o Teu Rosto, Lisboa, 1958; Memória de Setembro, Porto, 1959; Diário Obsessivo, 1962; Os Arquivos do Silêncio, 1963; O Fósforo na Palha, 1970; O Amor Desagua em Delta (inclui A Evasão Possível, 1952; O Vagabundo Decepado, 1957; A Viagem com o Teu Rosto, 1958; Memória de Setembro, 1959), Porto, 1971; Luz Vegetal, Porto, 1975; Poemas Políticos (1952-1979), Lisboa, 1980; Os Pássaros Mudam no Outono, Porto, 1981; Falo da Vertigem, Porto, 1983; Dedikatória, Porto, 1989

    Fonte: Infopédia

    POEMA

    NOTÍCIAS DO BLOQUEIO


    Aproveito a tua neutralidade,
    o teu rosto oval, a tua beleza clara,
    para enviar notícias do bloqueio
    aos que no continente esperam ansiosos.

    Tu lhes dirás do coração o que sofremos
    nos dias que embranquecem os cabelos …
    Tu lhes dirás a comoção e as palavras
    que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

    Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
    sustentando a defesa à nossa volta
    - único acolchoado para a noite
    florescida de fome e de tristezas.

    Tua neutralidade passará
    por sobre a barreira alfandegária
    e a tua mala levará fotografias,
    um mapa, duas cartas, uma lágrima …

    Dirás como trabalhamos em silêncio,
    como comemos silêncio, bebemos
    silêncio, nadamos e morremos
    feridos de silêncio duro e violento.

    Vai pois e noticia com um archote
    aos que encontrares de fora das muralhas
    o mundo em que nos vemos, poesia
    massacrada e medos à ilharga.

    Vai pois e conta nos jornais diários
    ou escreve com ácido nas paredes
    o que viste, o que sabes, o que eu disse
    entre dois bombardeamentos já esperados.

    Mas diz-lhes que se mantém indevassável
    o segredo das torres que nos erguem,
    e suspensa delas uma flor em lume
    grita o seu nome incandescente e puro.

    Diz-lhes que se resiste na cidade
    desfigurada por feridas de granadas
    e, enquanto a água e os víveres escasseiam,
    aumenta a raiva
                             e a esperança reproduz-se.

    Mais Poemas em: Jornal Poesia

    domingo, 25 de janeiro de 2009

    Fausto Guedes Teixeira

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    O poeta Fausto Guedes Teixeira nasceu na freguesia de Almacave, em Lamego, em 11 de Outubro de 1871, filho de José Augusto Guedes Teixeira e de sua esposa D. Leopoldina de Queirós Guedes, que haviam casado em 1868. O pai, falecido prematuramente, foi político influente (presidente da Câmara de Lamego, governador civil de Viseu e depois do Porto, deputado às cortes) e também empresário. O casal teve três filhos: Augusto, Fausto e Leopoldina Ema. Após o ensino primário, Fausto Guedes Teixeira iniciou aos 10 anos os seus estudos no Colégio de Campolide. Todavia não suportava muito bem o afastamento da mãe, e três anos depois vemo-lo de novo em Lamego a estudar no Colégio Roseira. O seu desejo era ser oficial da Marinha, mas o pai persuadiu-o a tirar Direito, como ele próprio, e assim em 1890-91 é aluno do 1.º ano da Faculdade de Direito, em Coimbra. Sem vocação para as leis, não obteve aproveitamento em diversos anos do curso, mas acabou por se bacharelar em 1898. O seu gosto era outro: a boémia, a contemplação das doces paisagens de Coimbra, a actividade literária. Abusa do absinto que o viria a pôr, mais tarde, em Lisboa, à beira do delirium tremens. Interrompe ainda o curso em 1895 e parte para o Brasil, munido de uma carta de apresentação de Eça de Queirós, decidido a fazer carreira no jornalismo. Mas a doença (febre amarela) e a inadaptação fizeram com que a estadia fosse curta (menos de um mês) e regressou aos estudos.Em 1899, já formado, encontramo-lo em Lisboa à procura de emprego. De compleição débil e enfermiça – Trindade Coelho referiu-se-lhe usando a expressão: «um passarinho» – continua a fazer uma vida de boémia e a frequentar lugares onde se reuniam os jovens literatos e artistas. É despachado ajudante de conservador em Loulé, cargo que exerce efemeramente, pois em 29 de Outubro, treze dias depois de casar com D. Margarida Braga, irmã do seu grande amigo e condiscípulo Alexandre Braga (Filho), parte com a esposa para Moçambique, onde o espera o cargo de Secretário de Governo do Distrito de Lourenço Marques. Como no Brasil, é uma estadia curta, devido à doença e inadaptação ao clima. Em 1900, está de novo em Lisboa, onde experimenta dificuldades financeiras. Consegue um modesto emprego no Mercado Geral de Produtos Agrícolas, e dirá a propósito a um amigo: «Vê no que veio a dar um poeta romântico: fiscal de nabos e pepinos na Praça da Figueira!» E, numa carta a Afonso Lopes Vieira:  Eu mal tenho uma cadeira em que V. se pudesse sentar, tão difícil e dura é a minha situação na vida.» Porém, anos depois, as suas condições de vida melhoraram substancialmente. Em 1906, é feito Secretário do Museu das Janelas Verdes e em 1913, Administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro de Benguela, posição esta que acumula com a anterior e lhe traz desafogo económico. No ano de 1917, um pouco contrariado, integra uma Embaixada Intelectual ao Brasil, chefiada por Alexandre Braga, então ministro da Justiça, e de que faziam parte também o poeta Augusto Gil e o dramaturgo Marcelino Mesquita, entre outras individualidades. Aí deixou uma excelente impressão. Estavam todos ansiosos por ouvir a musa inspirada de Fausto Guedes Teixeira, tanto mais que nós já aqui tínhamos anunciado, em tempo, que não havia ninguém que dissesse os seus versos com mais fogo, com mais alma, como se ali mesmo, dominado pela sua alta inspiração, os estivesse a improvisar.»Em 1918, recebe um rude golpe: o falecimento da mãe, que fora sempre uma figura tutelar para o poeta.Por herança de seu tio materno, o 2.º Visconde de Valmor, Fausto torna-se um rico proprietário em Lamego, onde a partir de 1920 vive os últimos vinte anos de vida, isolado do mundo e doente, física e espiritualmente, na herdada Casa do Parque. Vai entretanto procurando uma aproximação a Deus, que lhe traz alguma serenidade de espírito. Vive em recolhimento quase ascético. Recusa distinções que lhe queriam conferir e o convite para sócio da Academia das Ciências. Os amigos homenageiam-no com um número especial do jornal Beira-Douro de 11 de Outubro de 1938.Faleceu a 13 de Julho de 1940. Teve um funeral imponente e repousa no jazigo da família, no Cemitério de Santa Cruz, em Lamego.Em 1990, por altura do cinquentenário da morte de Fausto Guedes Teixeira, os jornais Voz de Lamego e Lamego Hoje inserem um encarte que lhe é inteiramente dedicado. Em 2005, assinalando o 134.º aniversário do nascimento do poeta, a Liga dos Amigos do Museu de Lamego organizou uma exposição bibliográfica e documental. Existe um busto do escritor da autoria de Costa Mota Sobrinho, no Jardim da República, fronteiro aos Paços do Concelho de Lamego. O nome do poeta figura na toponímia da sua cidade natal, de Lisboa e de São Paulo.Fausto Guedes Teixeira foi um poeta singular, difícil de comparar com qualquer outro. A sua singularidade consiste sobretudo no obstinado afastamento do poeta em relação a correntes literárias, ao arrepio das novas escolas que sucessivamente dominaram o panorama poético – o parnasianismo, o naturalismo, o simbolismo, o modernismo –, mantendo-se atido a uma espécie de neo-romantismo serôdio e até de certo modo reactivo, à Alfred de Musset, especialmente na idade madura, já que a sua poesia da juventude revela por vezes uma certa colagem e influências de Guerra Junqueiro, António Nobre, Cesário Verde e outros. Foi chamado, apropriadamente, «poeta do amor e da paixão», expressão usada pela primeira vez, cremos, no título de um artigo sobre ele, da autoria de João Cid, publicado no jornal Beira-Douro em 11 de Outubro de 1938. Esse epíteto está escrito igualmente no seu túmulo e caracteriza de forma certeira a obra de um homem : o predomínio do sentimento (fonte da verdade) obre a razão, o amor, a mulher, o erotismo, mas também a solidão, a noite, a melancolia. Disse Augusto de Castro: «Há homens que pensam em verso. Fausto pensava, sentia e respirava – em verso.». E Amado Nervo, rítico literário espanhol, afirma: Ese admirable poeta íntimo, el más subjetivo de todos, que se chama Fausto Guedes Teixeira, o mais amado das mulheres e de todos os sentimientos. Sua Mocidade perdida e um belo livro. Este poeta não tem filiação com nenhum dos da sua época; e o mais original e sua poesía psicológica e quiça única na Europa.» Acompanhemos um pouco mais de perto o seu percurso literário. Os primeiros tentames poéticos aparecem em 1889 (tinha ele 18 anos) no quinzenário juvenil Miniaturas, de Lamego. Não foram primícias especialmente promissoras. O Ultimato Inglês, em 1890, empurrou-o para os ideais republicanos, apesar de ter nascido no seio de uma família aristocrática (seu pai era visconde de Guedes Teixeira e sua mãe tinha laços familiares com os viscondes de Valmor e Almedina). No mesmo ano é co-fundador em Lamego de um jornal de cariz revolucionário, A Revolução, de que saiu apenas um número, certamente devido à sua virulência. Em Novembro de 1894, já em Coimbra, funda com Alexandre Braga a revista Insultos ; Crítica das Coisas Portuguesas, de que saíram 2 números, extremamente violentos, suscitando numerosas reacções, folhetos e manifestos. Embora de espírito introvertido e melancólico, dotado de um temperamento emotivo, sentimentalmente volúvel, fisicamente débil, Fausto Guedes Teixeira frequentava a boémia coimbrã, e mais tarde a lisboeta, que animava com leitura de poemas e onde privava com escritores e artistas; e bebia absinto. É geralmente tido como «o maior» pelos seus companheiros dessas noites de boémia.O seu primeiro livro saiu em 1892 com o título Náufragos. Glosava um trágico naufrágio ocorrido na Póvoa de Varzim. É constituído por um único poema, escrito em alexandrinos, onde é possível perceber a influência de Junqueiro e Victor Hugo. Seguiram-se Livro ;Amor (1894), Mocidade perdida (1886; 2.ª ed., 1926), Boa viagem (1898), Esperança nossa (1899), Carta a um poeta (1899), Saudades do coração (1902), Alma triste (1903), O meu livro (1908), Maria (1918), Sonetos de amor (1922), O meu livro (dois volumes, 1941 e 1942, respectivamente, edição definitiva e póstuma das obras completas).

    Fonte: Grémio Literário Vila-Realense

    Mais Informação em: pt.wikipedia

             POEMA

    Amar ou odiar
    Ou tudo ou nada
    O meio termo é que não pode ser
    A alma tem de estar sobressaltada
    Para o nosso barro sentir; viver
    Não é uma Cruz que não se queira pesada
    Metade de um prazer, não é um prazer!
    E quem quiser a vida sossegada
    Fuja da vida e deixe-se morrer!
    Vive-se tanto mais quanto se sente
    Todo o valor está no que sofremos
    Amemos muito como odiamos já!
    A verdade está sempre nos extremos
    Pois é no sentimento que ela está

     

    sábado, 24 de janeiro de 2009

    Alexandre Herculano

     Alexandre Herculano

    Alexandre Herculano de Carvalho Araújo nasceu em Lisboa, a 28 de Março de 1810, no seio de uma família da classe média. O pai, Teodoro Cândido de Araújo, era recebedor da Junta dos Juros. A mãe chamava-se Maria do Carmo de S. Boaventura.

    Entre 1820 e 1825 frequentou o colégio dos Oratorianos, mas não chegou a entrar na Universidade, porque em 1827 o pai cegou e teve que abandonar o lugar que ocupava. Pela mesma altura, o avô materno, mestre de obras a trabalhar no palácio da Ajuda, deixou de receber as importâncias de que era credor e não lhe pôde dispensar o apoio necessário.

    Fechada essa porta, matriculou-se na Aula de Comércio, em 1830, e frequentou um Curso de Diplomática (estudos de paleografia). Particularmente, estudou também francês, inglês e alemão. Embora o seu conhecimento destas duas últimas línguas não fosse profundo, serviu-lhe pelo menos para avivar a sua receptividade à literatura coeva desses países, o que não era muito frequente em Portugal. Foi nesta altura que começou a familiarizar-se com a literatura romântica da Europa, por influência da Marquesa de Alorna, cujos serões literários frequentou.

    Herculano perfilhou sempre uma ideologia conservadora, mas não parece haver razões para seguir a opinião expressa por Teófilo Braga, que afirma ter sido na juventude um miguelista convicto. A verdade é que, em Agosto de 1831, aparece-nos comprometido com uma malograda revolta militar de cariz liberal que o obrigou a procurar refúgio num navio francês, surto no Tejo. Daí saiu para o exílio em Inglaterra e França: primeiro Plymouth, depois Jersey, a seguir Saint Malo e finalmente Rennes. No fundo um percurso semelhante ao de Garrett e outros activistas liberais. Foi exactamente em Rennes que Herculano teve oportunidade de frequentar a biblioteca pública da cidade. Pôde então familiarizar-se melhor com as obras de Thierry, Vítor Hugo e Lamennais.

    Tal como Almeida Garrett e outros jovens exilados alistou-se no exército liberal que, no início de 1832, se dirigiu aos Açores e depois ao Porto. Participou no cerco da cidade e destacou-se em várias missões de reconhecimento na região minhota.

    Nesta cidade, foi nomeado em 22 de Fevereiro de 1833 para coadjuvar o director da Biblioteca Pública, organizada a partir do acervo da livraria do bispo. Exerceu o cargo até Setembro de 1836, quando pediu a exoneração, por discordar do juramento de fidelidade à Constituição de 1822, que lhe era exigido. Na carta de demissão declara-se fiel à Carta Constitucional. Coerente com as suas convicções políticas, opõe-se ao Setembrismo, que daqui em diante irá combater. Voltou a Lisboa para, através do jornalismo, combater os adversários políticos. É então que publica A Voz do Profeta (1836).

    Torna-se redactor principal de O Panorama , editado pela Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, que era então o principal instrumento de divulgação da estética romântica, em Portugal. Foi aí que publicou vários dos seus estudos de natureza histórica e muitas das suas obras literárias, mais tarde editadas em livro: A Abóbada , Mestre Gil , O Pároco de Aldeia , O Bobo e O Monge de Cister .

    Ainda nesse ano de 1837 assumiu a responsabilidade da redacção do Diário do Governo , que nesse tempo era apenas um jornal de suporte ao partido no poder. No entanto, pouco tempo depois abandonou o lugar. No ano seguinte publicou A Harpa do Crente .

    Em 1839 foi nomeado, por iniciativa do rei D. Fernando, para dirigir a Real Biblioteca da Ajuda e das Necessidades, tendo conservado esse cargo quase até ao fim da vida.

    Em 1840 chegou a passar pelo Parlamento, eleito pelo círculo do Porto, como deputado do Partido Cartista (conservador), mas o seu temperamento adequava-se mal à actividade política. As manobras partidárias enojavam-no e sentia dificuldade em falar em público.

    A pouco e pouco foi-se afastando da actividade política e dedicando o seu tempo à literatura. Os anos seguintes são de grande produtividade literária. São desta época os seus romances de ambiente histórico. É também na década de 40 que inicia a publicação da sua História de Portugal , seguramente a primeira escrita com preocupação de rigor científico. Aliás, o primeiro volume suscitou de imediato violenta reacção por parte de alguns sectores do clero, por excluir, naturalmente, qualquer intervenção sobrenatural na batalha de Ourique. A polémica sobre esta questão ficou famosa. Note-se que Herculano era católico e politicamente conservador, mas opunha-se à interferência da igreja na vida política nacional. Esse confronto com sectores clericais está também na origem dos seus estudos sobre a Inquisição em Portugal.

    Em 1851, voltou por algum tempo à política activa, com o triunfo da Regeneração, chegando a colaborar com o governo, embora por pouco tempo. Mais prolongada foi a sua intervenção cívica através da imprensa. Em 1851 fundou o jornal O País e dois anos depois O Português .

    Sócio correspondente da Academia Real das Ciências desde 1844, em 1852 foi admitido como sócio efectivo e eleito vice-presidente em 1855. Em 1853, por encargo da Academia, percorreu o país, inventariando os documentos existentes nos arquivos episcopais e nos mosteiros, preparando aquilo que viria a constituir os Portugaliae Monumenta Historica . Pôde então verificar o estado de abandono a que estava votado a maior parte do acervo documental espalhado pelo país.

    Em Março de 1856 Herculano renunciou ao seu lugar na Academia e decidiu abandonar os estudos de natureza histórica. Na origem dessa decisão parece estar o facto de ter sido nomeado guarda-mor da Torre do Tombo Joaquim José da Costa Macedo, com quem ele teria tido desinteligências sérias. Essa pausa foi interrompida no ano seguinte, por entretanto se ter aposentado o referido indivíduo. Pôde assim continuar o trabalho de organização e publicação dos Portugaliae Monumenta Historica .

    Herculano participou nos trabalhos de redacção do Código Civil, tendo nessa altura defendido o casamento civil a par do religioso. A proposta era inovadora e suscitou forte reacção. Dessa polémica surgiram os Estudos sobre o Casamento Civil .

    Juntamente com Almeida Garrett , é considerado o introdutor do romantismo em Portugal. Os seus primeiros contactos com a literatura ocorreram em ambiente pré-romântico, nos salões da Marquesa de Alorna, onde entrou por mão de António Feliciano de Castilho . Embora Garrett , onze anos mais velho, se tenha adiantado com a publicação no exílio de Camões e D. Branca , consideradas as primeiras obras inequivocamente românticas, podemos considerar Herculano como o teorizador da nova corrente literária, ao nível interno, pelos artigos que publicou no Repositório Literário do Porto. Por outro lado foi ele que introduziu no nosso país o romance histórico, tão característico do romantismo. A inspiração directa veio-lhe naturalmente de Walter Scott e Victor Hugo.

    Os seus méritos de cidadão, escritor e estudioso eram reconhecidos quase unanimemente e foram muitas as honrarias que lhe foram oferecidas. Aceitou algumas de natureza científica, mas as distinções honoríficas recusou-as sempre. Recusou mesmo a sua nobilitação, ao contrário de Garrett e Camilo , que, como sabemos, morreram viscondes.

    Em 1866 casou e, pouco depois, retirou-se para a sua quinta de Vale de Lobos, próximo de Santarém. Aí permaneceu até ao fim da vida, ocupado com os seus escritos literários e as lides agrícolas. Foi aí que morreu, a 13 de Setembro de 1877.

    Alexandre Herculano - obras

    Bibliografia :

    A Voz do Profeta (poesia) - 1836

    A Harpa do Crente (poesia) - 1838

    O Fronteiro de África (teatro) - 1838

    Os Infantes em Ceuta (teatro) - 1842

    O Bobo (romance histórico) - 1843

    Apontamentos para a História dos Bens da Coroa e Forais - 1843/44

    Eurico, o Presbítero (romance histórico) - 1844

    História de Portugal (4 vols) -1846/1853

    O Monge de Cister (romance histórico) - 1848

    Poesias - 1850

    Lendas e narrativas (novelas) - 1851

    História da Origens e Estabelecimento da Inquisição em Portugal - 1854/1859

    Estudos sobre o Casamento Civil - 1866

    Portugaliae Monumenta Historica - 1856/1873

    Opúsculos (10 vols) - 1873...

    Obras consultadas:  Breve História da Literatura Portuguesa , Texto Editora, Lisboa, 1999

    Mais Informação em:

    POEMA:

    Ai, que és tu, existência?! Um pesadelo,
    Um sonho mau, de que se acorda em trevas,
    Na vala dos cadáveres, em meio
    Da única herança que pertence ao homem,
    Um sudário e o perpétuo esquecimento.
    (...)
    E da pátria a saudade, em sonho triste,
    Imóvel, do viver me tece a noite.


    Tristezas do Desterro, excerto